segunda-feira, 22 de março de 2010

No Dia Mundial da Água, 1,2 bilhão de pessoas tem sede

Em 22 de março de 1992, as Nações Unidas divulgaram a “Declaração Universal dos Direitos da Água”, com o objetivo de despertar o interesse e maior consciência das populações e de seus governantes, sobretudo quanto à importância da água para a sobrevivência humana.

No ano seguinte, na mesma data, a Assembleia-Geral da ONU declarou o 22 de março como o Dia Mundial da Água. De acordo com as estatísticas atuais, o planeta deverá alcançar o Objetivo do Milênio de reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso à água potável.

A cinco anos do prazo para a meta, que vence em 2015, 87% da população mundial dispõe de fontes de abastecimento de água potável, de acordo com o relatório divulgado na última semana pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Apesar do avanço em relação ao acesso à água potável, os números sobre o saneamento básico ainda são ruins. Mais de 2,6 bilhões de pessoas – 39% da população mundial – continuam sem esse serviço.

De acordo com o documento, o problema ainda mata anualmente 1,5 milhão de crianças de até 5 anos. As crianças e mulheres, segundo a OMS/Unicef, são as mais atingidas pelas dificuldades no acesso à água e na falta de saneamento básico”.

Água contaminada mata

O relatório da ONU afirma que 3,7% das mortes no planeta são causadas por água contaminada, enquanto mais da metade dos leitos dos hospitais são ocupados por pessoas que sofrem com doenças relacionadas à água contaminada.

A ONU enfatiza a necessidade de melhorar o fornecimento de água potável e lembra que aproximadamente 2 bilhões de toneladas de resíduos são despejados diariamente em rios e oceanos, ajudando a proliferação de doenças.

"Se não formos capazes de gerenciar nosso lixo, isso vai significar mais pessoas morrendo de doenças relacionadas à água", disse Achim Steiner, subsecretário-geral e diretor-executivo do programa de meio ambiente da ONU.

O relatório diz que são necessários três litros de água para produzir um litro de água potável e que a água potável nos Estados Unidos requer o consumo de cerca de 17 milhões de barris de petróleo diariamente.

Outros dados mostram que a melhora do gerenciamento da água de reúso na Europa resultou em significativas melhoras ambientais no continente, mas adverte que a quantidade de zonas mortas nos oceanos continuam a se espalhar por todo o mundo. Zonas mortes são áreas sem oxigênio, fenômeno causado pela poluição.

"Se o planeta de 6 bilhões de pessoas deve chegar a 9 bilhões até 2050, precisamos ser mais inteligentes coletivamente sobre como gerenciamos nosso lixo, incluindo resíduos líquidos", disse Steiner.

Além da questão humana, o relatório fala sobre as perdas econômicas decorrentes, lembrando que a falta de água e de instalações sanitárias, apenas na África, são estimadas em US$ 28,4 bilhões, ou cerca de 5% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Direito humano universal

Evo Morales, presidente da Bolívia, pediu nesta segunda-feira à ONU que aprove resolução declarando o acesso à água e ao saneamento básico um "direito humano universal".

Morales leu, durante uma declaração à imprensa, um projeto de resolução que será entregue pela embaixada boliviana ante as Nações Unidas, em Nova York, concidindo com a celebração nesta segunda-feira do "Dia Internacional da Água".

A proposta da resolução diz: "a ONU declara o acesso à água potável e ao saneamento básico como um direito humano universal a fim de que tanto os estados como o sistema das Nações Unidas promovam o respeito a este direito e assegure através de medidas progressivas de caráter nacional e internacional seu reconhecimento e aplicação universais e efetivos".

Na África, 155 milhões sem água

Mais de 155 milhões de pessoas, ou 39% da população da África ocidental e central, não têm acesso a água potável, informou a Unicef, a agência da ONU para a infância, nesta segunda-feira.

Essa região tem a menor cobertura de água potável do mundo, abrigando 18% da população mundial que não tem acesso a água potável.

"Faltando cinco anos para 2015, prazo estabelecido para as Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDG), a água e a situação sanitária na África Ocidental e Central continuam sendo uma preocupação", afirma o comunicado da Unicef.

De acordo com a organização, apenas oito dos 24 países da região estão prestes a atingir os objetivos no que se refere ao fornecimento de água: Benin, Burkina Faso, Camarões, Cabo Verde, Gabão, Gana, Guiné e Mali.

No Brasil, cerca de 17 milhões de pessoas ainda não tem acesso seguro à água potável, de acordo com dados divulgados pela Agência Nacional de Águas (ANA).

"A questão da quantidade tem sido mais bem enfrentada. Mesmo no Semiárido, hoje os problemas estão sendo resolvidos, com grandes canais, grandes açudes. No Sul e Sudeste, a questão da qualidade sempre apareceu como o grande problema e no Nordeste começa a preocupar", disse Paulo Varella, diretor da ANA à Agência Brasil.

Segundo levantamento realizado em mais de 2 mil pontos de monitoramento em 17 unidades da Federação, apenas 9% dos pontos foram considerados ótimos. Cerca de 70% têm Índice de Qualidade da Água (IQA) considerado bom; 14%, razoável; 5%, ruim; e 2%, péssimo.

Águas subterrâneas são mais viáveis

Embora a maior parte da superfície da Terra seja coberta por água, 97,5% dela é salgada e encontra-se nos mares e oceanos; 1,7% está sob a forma sólida em geleiras e calotas polares deixando apenas 0,8% disponível para o consumo humano.

Desse total de água potável no mundo, cerca de 4% estão sobre a superfície, em lagos, rios ou, ainda, na forma de vapor. Os outros 96% estão debaixo dos nossos pés, nas águas subterrâneas.

De acordo com o pesquisador Milton Matta, elas seriam a fonte ideal de água para o abastecimento urbano em Belém. E é justamente a qualidade da água que será o tema do Dia Mundial da Água, celebrado nesta segunda-feira, dia 22 de março.

O professor da Faculdade de Geologia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Pará, Milton Matta, afirma as águas subterrâneas são uma das fontes ideais de abastecimento urbano.

“Além de estar em maior quantidade, essa água é mais pura, está melhor protegida de agentes contaminantes, sofre menos evaporação, apresenta melhor qualidade físico-química e bacteriológica e é mais barata para o consumo", considera.

Para Matta, as águas subterrâneas seriam a melhor fonte de abastecimento para a cidade onde mora, Belém, capital paraense. "Isso porque sua exploração se orienta para a implantação de pequenas redes de distribuição, portanto, mais econômicas, fáceis de construir e de manter. É ideal para o abastecimento de Belém”, argumenta.

fonte: www.vermelho.org.br

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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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