domingo, 4 de agosto de 2013

Inflação: A Agenda dos Meios de Comunicação

Reproduzo a seguir texto que escrevi em junho deste ano:
Jovens durante manifestação em Maceió pedindo a democratização dos Meios de Comunicação

Não é de hoje que os grandes meios de comunicação do país apresentam de forma articulada agendas a serem seguidas pela sociedade, especialmente pelo governo e demais instituições do Estado. Recorrentemente tem estado na pauta da grande mídia a inflação, a forma como o tema é abordado e apresentado leva qualquer pessoa, que tenha apenas estes meios como fonte de informação, à ideia de que atualmente passamos por um enorme perigo do aumento da inflação, que é preciso “conter os gastos desnecessários”, “priorizar o superávit primário”, pois “o governo gasta muito e mal”.

Essa agenda faz parte da cartilha econômica ortodoxa neoliberal, possui conteúdo de classe, favorece especialmente os setores ligados ao capital financeiro. É importante ter isto claro para se compreender porque a inflação tem sido um dos eixos principais da agenda econômica apresentada pelos grandes meios de comunicação. O aparente consenso entre os economistas que por vezes são entrevistados pelos âncoras dos principais noticiários, sempre reforçam a necessidade de se poupar mais, aumentar a taxa de juros e enfim, implementar por completo a política macroeconômica neoliberal.

A concentração dos meios de comunicação em massa nas mãos de poucas famílias é um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento nacional com perspectiva de uma política econômica expansiva, desenvolvimentista. Não só isso, é um entrave para a democracia brasileira. Os “donos” da mídia no Brasil tem sua origem e consciência de classe bem definida, atuam politicamente e utilizam dos meios de comunicação como poderosíssimo aparelho de Estado a serviço dos interesses do capital financeiro.

Não por acaso a mídia brasileira esbraveja tanto quando se reduz a taxa básica de juro e realiza forte campanha e pressão para que a mesma volte a subir, especialmente se valendo do “perigo da volta do crescimento da inflação” e da perda do controle da mesma. De fato, a taxa de juros é um importante instrumento de controle da inflação, mas quando esta é de demanda, e as principais variáveis da inflação do último período estão relacionadas à oferta. A verdade é que a taxa básica de juros é o instrumento do principal programa, não oficial, de transferência de renda do país: o pagamento de juros dos títulos da união, o pagamento da divida interna e externa. Essa tem sido uma das principais questões de fundo deste debate, a qual os âncoras das televisões e os editoriais dos grandes jornais do país fazem questão de esquecer, ou simplesmente de não informar.


É urgente e necessário avançar nos esforços para mudança da orientação da política macroeconômica, a lógica de se gerar lucros e acumular capital sem se investir na produção precisa ser quebrada. O nacional-desenvolvimentismo que impulsionou a modernização e desenvolvimento do país até o fim da década de 70, o qual os apologistas do neoliberalismo repugnam, precisa ser retomado com nova perspectiva. Retomar o desenvolvimento como parte de um projeto nacional, que enfrente a questão da taxa de câmbio na defesa da indústria nacional, que dê ao Brasil uma nova arrancada, não só na economia, mais no sentido da construção de uma nação forte, soberana, com maior poder de decisão de seu povo e aprofundamento de sua democracia.

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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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