terça-feira, 19 de outubro de 2010

Oscar Niemeyer e Chico Buarque protagonizam ato pró-Dilma no Rio


Artistas e intelectuais promoveram, na noite desta segunda-feira (18), um dos mais expressivos eventos desta campanha eleitoral. Com mais de 3 mil pessoas – como o arquiteto Oscar Niemeyer e o cantor Chico Buarque –, o ato em apoio à presidenciável Dilma Rousseff, da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, lotou Teatro Oi Casagrande, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro. Manifestação similar ocorre nesta terça, no Teatro da Universidade Católica (Tuca), na PUC-SP.

Uma vez que os 926 lugares do teatro carioca, palco de lutas históricas durante a ditadura militar (1964-1985), estavam ocupados, quem não conseguiu um lugar ficou nos corredores e nas escadas. Centenas de militantes sequer conseguiram entrar no auditório e assistiram ao ato, de quase três horas, por um telão instalado do lado de fora do Casagrande.

Dentro, Dilma recebeu manifesto em defesa da dignidade reconquistada no governo Lula, da reconstrução do Estado e da soberania nacional. “É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana”, diz o texto, com mais de 10 mil assinaturas. Entre os signatários estão personalidades como a economista Maria da Conceição Tavares, o filósofo Frei Betto, a psicanalista Maria Rita Kehl e o escritor Eric Nepomuceno.

Chico Buarque, de volta à militância, e Niemeyer, aos 102 anos e de cadeira de rodas, não eram as únicas presenças de destaque. As cantoras Alcione e Margareth Menezes foram as primeiras a chegarem, a exemplo da sambista Lecy Brandão, eleita deputada estadual em 3 de outubro pelo PCdoB-SP. Zeca Pagodinho não foi, mas mandou dizer que está com Dilma. Beth Carvalho, empolgada, fez uma versão de um dos sambas mais famosos de Zeca. No lugar do refrão “Deixa a vida me levar”, improvisou “Deixa a Dilma me levar, Dilma leva eu”.

Antes da chegada de Dilma, foi transmitida ao vivo a entrevista que a candidata deu ao Jornal Nacional, da TV Globo. O público assistiu, ainda, a vídeos com declarações de voto de Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura, e Juca Ferreira, atual ministro. O dramaturgo José Celso Martinez também apareceu no telão do teatro e anunciou Dilma como “a musa desta noite antifundamentalista”.

Segundo Zé Celso, “ela vai realizar o que Oswald de Andrade queria: o matriarcado de Pindorama”. O relato emocionou o cantor e compositor Otto. “Se a gente não se emocionar, não levanta”, disse o músico pernambucano, de olhos marejados. “O mais importante para quem faz arte é que a população tenha mais subsídio.”

“De igual para igual”

“A nossa batalha é a batalha para que a construção da democracia no Brasil se consolide”, resumiu a filósofa Marilena Chauí – que denunciou os panfletos apócrifos que circulam em igrejas paulistas e que mostram Dilma a favor do aborto e do casamento entre homossexuais. Segundo a filósofa, os materiais são “obscenos tanto politicamente como religiosamente por ser contra a liberdade de crença e a laicidade do Estado”.

Chico Buarque dominou a timidez para discursar em defesa de Dilma. “Venho aqui reiterar meu apoio entusiasmado à campanha da Dilma – a essa mulher de fibra, que já passou por tudo e não tem medo de nada. Vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre. O Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai. Por isso, é respeitado e querido mundo afora, como nunca antes na história deste país”, afirmou Chico.

O ex-ministro Marcio Thomaz Bastos levou um manifesto dos advogados. Ganhou um beijo de Dilma. Já o escritor Fernando Morais bateu nas privatizações feitas pelo PSDB. “Estou com a Dilma porque sou brasileiro e quero o Brasil nas mãos dos brasileiros. Eu sou contra a privatização canibal que esses tucanos fizeram e sei o mal que o José Serra pode fazer para o Brasil.”

O filósofo Leonardo Boff disse que o PSDB faz políticas ricas para os ricos e políticas pobres para os pobres. “A esperança venceu o medo. Agora, a verdade vai vencer a mentira”, declarou Boff, comparando as eleições presidenciais de 2002 e 2010. “A alternativa a Dilma é obscurantismo, a repressão, o caminho do fascismo”, pontuou o sociólogo Emir Sader, referindo-se à coligação de José Serra.

Também estavam lá o cartunista Ziraldo, os atores Hugo Carvana, Osmar Prado e Paulo Betti, as cantoras Alcione, Elba Ramalho e Lia de Itamaracá, os cantores Wagner Tiso, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Diogo Nogueira, o músico Yamandu Costa, o produtor cinematográfico Luiz Carlos Barreto, os diretores de teatro como Aderbal Freire-Filho e Domingos de Oliveira, entre outras personalidades artísticas.

Do meio político, marcaram presença o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, o candidato a vice-presidente Michel Temer, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, entre outros. “O Rio é um lugar sem preconceitos, onde as vanguardas são recebidas de braços abertos pelo Cristo Redentor”, afirmou Sérgio Cabral.

Semanas para entender aquele “você”

Num contundente discurso, Dilma reconheceu nos artistas e intelectuais presentes as músicas e os livros que marcaram sua vida. “Somos a soma de gerações que vem sonhando o Brasil, como Oscar Niemeyer, sonhando de décadas mais antigas. Eu comecei a sonhar nos anos 60. Era o sonho que o Brasil tinha de mudar, não podia ser de extrema desigualdade.”

Ela recordou ter escutado Apesar de você, de Chico Buarque, quando estava na prisão. “A gente não entendeu direito quem era ‘você’”, disse Dilma, arrancando risos da plateia e do próprio compositor. “Levamos alguns dias, algumas semanas, para perceber quem era esse ‘você’...”. A música de Chico critica, de forma alegórica, a ditadura militar que estava em vigor no Brasil – e contra a qual Dilma lutou.

A candidata falou do orgulho que sente até das derrotas que sofreu. “Quem perde ganha uma grande capacidade de lutar e resistir. Disso uma geração não pode abrir mão”, afirmou Dilma. “Tenho muito orgulho das minhas derrotas, que fizeram parte da luta correta.”

Dilma evitou ataques diretos a Serra, mas não deixou de alfinetar a gestão Fernando Henrique Cardoso e o PSDB. “Recebemos o país de joelhos diante do Fundo Monetário Internacional”, disparou. “Tínhamos recebido também, misteriosamente, um país onde, depois de vender R$ 100 bilhões do patrimônio, a dívida tinha dobrado – o maior ‘milagre’ da gestão financeira dos tucanos.”

Não ser os EUA da América do Sul

Segundo Dilma, a transformação vivida pelo Brasil nos últimos oito anos quebrou o tabu segundo o qual era impossível crescer e distribuir renda. “Mudamos a trajetória deste país. Não foram mudanças pontuais. Hoje, o Estado dá subsídio direto para a população. Faz isso na casa própria e na luz elétrica”, afirmou ela, lembrando que 28 milhões de pessoas saíram da pobreza no governo Lula.

“O meu compromisso é erradicar a pobreza no Brasil. Ninguém respeita quem deixa uma parte de seu povo na miséria”, agregou. “Não queremos ser os Estados Unidos da América do Sul, onde uma grande parte da população negra está na cadeia e uma parte da população branca pobre mora em trailer e não tem acesso às condições fundamentais de sobrevivência digna.”

A petista se lembrou de Marina Silva ao citar dados a respeito da redução do desmatamento na Amazônia e no cerrado. “Temos que ter orgulho de todas as políticas de meio ambiente implantadas no Brasil, inclusive pela ministra Marina, pelo ministro [Carlos] Minc”. Minc também estava presente no encontro.

Dilma aproveitou o assunto para abordar a questão do pré-sal. “O petróleo que nós extrairmos do pré-sal é para exportar, é para garantir que haja riqueza suficiente no Brasil”, afirmou a candidata. “Manter o modelo anterior (de FHC e Serra) é privatizar o petróleo: botar o pré-sal – que é a maior riqueza de petróleo descoberta nos últimos anos – de ‘mão beijada’ para empresas privadas internacionais. É por isso que a bancada do PSDB votou contra o modelo de partilha”, afirmou.

O público que ficou do lado de fora do teatro permaneceu até o fim do evento para aplaudir a candidata de perto. Mesmo sob chuva, o grupo gritou “Olê, olê, olê, olá / Dilma, Dilma” na saída da presidenciável . Dilma, emocionada, recebeu beijos e abraços no trajeto do palco até o carro, diante da multidão que a acompanhava. A atividade deu um ânimo imensurável à sua candidatura.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

"Desinformação não serve à democracia", diz Marilena Chauí


Marilena Chauí pensa que a velha mídia está nos seus estertores. A filósofa e professora da Universidade de São Paulo (USP) entende que o surgimento da internet, o crescimento das alternativas e as atuais eleições delineiam o fim de um modelo.

Veja abaixo vídeo ato de pró-Dilma Rousseff (PT), na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro da capital paulista, no qual Marilena Chauí afirma que a eleição não pode ser pautada pela velha mídia e nem ser transformada em um plebiscito sobre o aborto. Ela também destaca o mapa da votação de José Serra no primeiro turno e concluiu que o tucano teve o apoio do latifúndio, que ataca o meio ambiente e impede a reforma agrária.


A professora, que deixou de escrever e de falar para a velha mídia por não concordar com a postura de vários desses veículos, entende que a imprensa tem papel fundamental para a ausência de debate de temas-chave nas atuais eleições, alimentando questões que favorecem à candidatura de José Serra (PSDB).

Ela considera que não é possível falar de democracia quando se tem o poder da comunicação concentrado em poucas famílias, sem que a sociedade tenha a possibilidade de contestação. Após ato pró-Dilma Rousseff (PT), na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro da capital paulista, a filósofa manifestou à Rede Brasil Atual que os ruralistas e a classe média urbana são os setores que alimentam o ódio a Lula.

Marilena Chauí aponta, sempre em meio a muitos gestos e a uma fala enfática, que o presidente jamais será perdoado. O motivo? Combateu a desigualdade no país.

Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista.

Rede Brasil Atual: O único ponto aparente de consenso entre os institutos de pesquisa é quanto à aprovação do governo Lula. Que grupos estão entre os 4% da população que consideram ruim ou péssimo o desempenho do presidente?

Marilena Chauí:
É um mistério para mim. Tudo que tenho ouvido, sobretudo no rádio, em entrevistas sobre os mais diversos temas, vai tudo muito bem. Os setores que eu imaginaria que diriam que o governo ruim não são. Surpreendentemente.

Mas há dois setores que são "pega pra capar". Um é evidentemente a agroindústria, mas é assim desde o primeiro governo Lula. Eles formam esse mundo ruralista que o DEM representa. Não são nem adversários, são inimigos. Inimigos de classe.

O segundo setor é a classe média urbana, que está apavorada com a diminuição da desigualdade social e que apostou todas suas fichas na ideia de ascensão social e de recusa de qualquer possibilidade de cair na classe trabalhadora. Ao ver o contrário, que a classe trabalhadora ascende socialmente e que há uma distribuição efetiva de renda, se apavorou porque perdeu seu próprio diferencial. E seu medo, que era de cair na classe trabalhadora, mudou. Foram invadidos pela classe trabalhadora.

Rede Brasil Atual: Os trabalhadores têm reconquistado direitos e, com isso, setores do empresariado reclamam que há risco de perda de competitividade pelo mercado brasileiro.

Marilena Chauí:
Isso é uma conversa para a campanha eleitoral. É coisa da Folha, do Estadão, do Globo, da Veja, não é para levar a sério. E se você for lá e pedir para provar (que perderia competitividade), vão dizer que não falaram, que foi fruto das circunstâncias. Eles sabem que é uma piada isso que estão dizendo, não tem qualquer consistência.

Rede Brasil Atual: A senhora passou por uma situação parecida à da psicanalista Maria Rita Kehl, agora dispensada pelo Estadão por ter elogiado o governo Lula...

Marilena Chauí:
Não foi parecida porque não fui demitida. Eu disse a eles que me recusava a escrever lá. Tanto no Estado quanto na Folha. Tomei a iniciativa de dizer a eles que não teriam minha colaboração.

Quando li o artigo da Maria Rita Kehl, pensei mesmo que poderia dar algum problema. Como é que o Estadão deixou o artigo sair? Era de se esperar que houvesse uma censura prévia.

Agora, se você tomar o que aconteceu nos últimos oito ou nove anos, vai ver que houve uma peneirada e uma parte das pessoas de esquerda simplesmente desistiu de qualquer relação com a mídia. Outras tiveram relação esporádica em momentos muito pontuais em que era preciso se expressar publicamente.

Houve, em um primeiro momento, um deslocamento das pessoas de esquerda para o Estadão, mas um deslocamento que não tinha como durar porque o jornal não tinha como abrigar esse tipo de pensamento.

Desapareceu para valer qualquer pretensão da mídia até mesmo de se oferecer sob uma perspectiva liberal. E sob uma perspectiva democrática. É formidável que no momento em que dizem que nós, do PT, ameaçamos a liberdade de imprensa, eles demitam a Maria Rita.

O que acho, com o segundo turno das eleições de Lula e as eleições da Dilma, é que há um estilo de mídia que está nos seus estertores. O fato de que haja internet e mídia alternativa que se espalha pelo Brasil inteiro muda completamente o padrão.

Passa-se de jornais que tinham função de noticiar para jornais que têm a função de opinar, o que é um contrassenso. A busca pela notícia faz com que não se vá mais em direção ao jornal, vá se buscar em outros lugares.

Rede Brasil Atual: Em períodos eleitorais, tem sido recorrente a associação entre mídia e partidos políticos. Qual a implicação disso na tentativa de consolidação da democracia?

Marilena Chauí:
Isso é o que atrapalha a democracia do ponto de vista da liberdade do pensamento e de expressão. O que caracteriza uma sociedade democrática é o direito de produzir informação e de receber informação, de modo que possa circular, ser transformada. O que se tem é a ausência da informação, a manipulação da opinião e a mentira.

Acabo de ver em um site a resposta do Marco Aurélio Garcia (um dos coordenadores de campanha de Dilma) à manchete da Folha. Como é que a Folha dá manchete falando que Dilma vai tirar a questão do aborto do programa de governo se essa questão não está no programa? É dito qualquer coisa.

Desapareceu o compromisso mínimo com a verdade, o compromisso mínimo com a informação. É uma coisa de partido, puramente ideológica, perversa, de produção da mentira. Isso me lembra muito um ensaio que Hannah Arendt escreveu na época da Guerra do Vietnã. Ela comentava as mentiras que a TV, o rádio e os jornais apresentavam. Apresentavam a vitória no Vietnã, até o instante em que a mentira encontrou um limite tal nos próprios fatos que a verdade teve que aparecer. Ela chamou isso de crise da República, que é quando tem a mentira no lugar da informação. Ou seja, a desinformação. Isso não serve para a democracia.

Rede Brasil Atual: O governo Lula teve, internamente, a convivência de polos opostos. Talvez tenha sido o primeiro a ter, por exemplo, Ministério de Desenvolvimento Agrário voltado a agricultura familiar e dialogando com o MST e o Ministério da Agricultura, voltado para o agronegócio. O governo e o presidente se saíram bem na tarefa de fazer opostos conviverem?

Marilena Chauí: Sim. E isso é um talento peculiar que o presidente Lula tem, de ser um negociador nato. Como uma boa parte do trabalho do governo foi feita pela Casa Civil, podemos dizer que Dilma Rousseff tem a capacidade de fazer esse trânsito e essa negociação.

Rede Brasil Atual : Mas como explicar as reações provocadas?

Marilena Chauí:
Duas coisas são muito importantes com relação ao atual governo. A primeira é que o governo Lula jamais será perdoado por ter enfrentado a questão da desigualdade social. Lula enfrentou a partir da própria figura dele. O fato de você ter um presidente operário, que tem o curso primário (Lula tem o ensino médio completo), significou a ruína da ideologia burguesa.

Todos os critérios da ideologia burguesa para ocupar este posto (Presidência da República), que é ser da elite financeira, ter formação universitária, falar línguas estrangeiras, ter desempenho de gourmet... Enfim, foi descomposta uma série de atrativos que compõem a figura que a burguesia compôs para ocupar a Presidência. Ponto por ponto.

A burguesia brasileira e a classe média protofascista nunca vão perdoar isso ter acontecido. Imagine como eles se sentem. Houve (Nelson) Mandela, Lula, (Barack) Obama, (Hugo) Chávez. É muita coisa para a cabeça deles. É insuportável. É a sensação de fim de mundo.

Tudo que fosse possível fazer para destruir esse governo foi feito. Por que não caiu? Não caiu porque foi capaz de operar a negociação entre os polos contrários. Isso é uma novidade no caso do Brasil porque, normalmente, opera-se por exclusão. O que o governo fez foi operar por entendimento. E a possibilidade de corrigir uma coisa pela outra.

Agora, há milhares de problemas que o próximo governo vai ter de enfrentar. Não podemos cobrar de nós mesmos que façamos em oito ou em 16 anos o que não foi feito em 500. Mas quando se olha o que já foi feito, leva-se um susto. A redução da desigualdade, a inclusão no campo dos direitos de milhões de pessoas, o Luz para Todos, a casa (Minha Casa, Minha Vida), o Bolsa-Família, a (geração de empregos com) carteira assinada... É uma coisa nunca feita no Brasil.

Rede Brasil Atual: A sra. faz uma avaliação muito positiva do governo. Por que essas medidas não ocorreram antes?

Marilena Chauí:
Alguém tinha de vir das classes trabalhadoras para dizer o que precisa fazer no Brasil. Os governos anteriores sequer levavam em conta que isso existia. O máximo que existia era o incômodo de ver essa gente pela rua, embaixo da ponte, fazendo greve, no ponto de ônibus, caindo pelas tabelas na condução pública. Era uma coisa assim que incomodava - (diziam:) "é meio feio, né? É antiestético". O máximo de reação que a presença de classes populares causava era por serem antiestéticos. É a primeira vez que essa classe foi levada a sério.

Eles vão estrebuchar, vão gritar, vão xingar. Vão pintar a saracura, como diria minha mãe. Mas é isso aí. Deixa pintar a saracura que nós ficamos em pé.


Fonte: www.vermelho.org.br
Com Rede Brasil Atual
quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Manifesto das juventudes com Dilma


Em reunião, juventudes partidárias firmaram manifesto apoiando Dilma Rousseff. Confira o documento:

O primeiro turno da eleição presidencial mostrou uma grande disposição do povo brasileiro de dar seguimento as mudanças que o Governo Lula iniciou no Brasil.

A juventude protagonizou as principais mudanças históricas ocorridas no Brasil, como os caras-pintadas e as duas eleições de Lula, e nesta eleição não tem sido diferente. Os brasileiros com idade entre 16 e 35 anos representam 40% do eleitorado, e tiveram um papel fundamental neste primeiro turno, votando massivamente para o Brasil seguir mudando e para construir uma nova cultura política no país.

Agora, neste segundo turno, está nas mãos dos jovens o Brasil que nós queremos. Se voltamos para os anos em que a juventude não era levada a sério, ou se damos continuidade a este que é o governo das oportunidades para todos.

E neste momento, não podemos vacilar!

O que está em jogo neste segundo turno são dois projetos de Brasil:

De um lado, o projeto neoliberal que diminuiu a soberania nacional, vendeu o patrimônio brasileiro, sucateou a universidade pública, proibiu a criação das escolas técnicas federais e aumentou o desemprego entre os jovens. Com eles, a juventude nunca esteve tão marginalizada.

E de outro, o Brasil das oportunidades. O Brasil dos jovens no ensino superior, com as novas universidades federais, o Reuni e o Prouni; o Brasil dos jovens com qualificação e acesso ao mundo do trabalho, com as novas escolas técnicas, os milhões de empregos gerados e o Projovem; o Brasil do Pré-Sal, da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Com Lula e Dilma, a juventude protagoniza o desenvolvimento do país.

Agora, vamos construir uma grande mobilização, mostrando o quanto esta eleição é importante para o presente e o futuro da nossa geração.

Em cada escola, cada universidade, cada praça, cada local de moradia e trabalho, a juventude vai dar o tom do segundo turno, com muitas atividades, ocupando as ruas do Brasil. Vamos realizar muitas panfletagens, caminhadas nos grandes centros urbanos, montar comitês e produzir debates nas universidades e escolas, montar bancas de divulgação nas principais praças das cidades.

Na internet, vamos movimentar as redes sociais, com um debate qualificado, sem baixarias, apresentando tudo que o Governo Lula fez para mudar a vida do jovem brasileiro para melhor, e tudo que Dilma fará para que tudo isto siga acontecendo e que tenhamos muito mais!

Vamos conquistar os votos daqueles que sabem que os demo-tucanos não representam o caminho para um Brasil melhor, mais justo, soberano e sustentável.

Vamos conquistar os votos daqueles que sonham com o Brasil melhor a cada dia, que Lula começou e Dilma vai continuar e fazer muito mais!

Agora é Dilma Presidente, para o Brasil seguir mudando com a força do povo e da juventude!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Entrevista: O Mundo Atrás das Grades


Reproduzo aqui entrevista feita a mim por Mariana Moura, estudante de Comunicação Social, que na construção do seu TCC com o titulo: “O MUNDO ATRÁS DAS GRADES: AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA JUVENTUDE E O SISTEMA PRISIONAL EM ALAGOAS” me procurou com as questões que seguem abaixo:


Naldo Freitas, 20, estudante, diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES)

1 - Você dirige a maior entidade estudantil secundarista. Como se estabelece a relação da UBES com os movimentos sociais e qual a importância dos movimentos sociais de juventude?

Naldo – A nossa relação com o conjunto dos Movimentos Sociais se dá na luta, na construção de plataformas conjuntas e na defesa de bandeiras comuns, a UBES chegou agora aos 62 anos de existência tendo protagonizado momentos da história do Brasil sempre ao lado dos demais Movimentos Sociais. Fazemos parte da CMS, Coordenação dos Movimentos Sociais, organismo que consegue reunir os mais variados movimentos em torno de bandeiras comuns, sempre na defesa da democracia e da soberania nacional. Os movimentos de juventude sempre tiveram e tem um papel de destaque pela sua rebeldia e ousadia, e em especial, o movimento estudantil tem uma grande capacidade de construir a unidade no conjunto dos movimentos em torno de lutas amplas, sempre em defesa do Brasil.
        
          2 - A UBES é parte da liderança do movimento contra a redução da maioridade penal no Brasil. Por quê?

N - Nós achamos que a juventude não precisa de cadeias, mas sim de escolas. Existem setores conservadores no nosso país que vêem a juventude como um problema e por isso querem controlá-la e marginalizá-la, nós achamos que a juventude é solução e por isso envéz de condená-la, é preciso que se aposte mais na juventude, dando educação de qualidade e condições para práticas esportivas, acesso ao lazer e a cultura e oportunidades de inserção no mercado de trabalho.

     3 - A maior parte dos homens que cumprem pena, são jovens. Essa é uma realidade brasileira alarmante. Em que sentido, trabalhar as PPJ’s pode mudar esse quadro?

N – Olha, a juventude é o segmento que mais comete e sofre violência no Brasil, somos mais de 50 milhões, hoje, muitos desses jovens não tem acesso a uma educação de qualidade e mesmo com o Brasil crescendo ainda não conseguimos incluir todos no mercado de trabalho, então você tem aí um grande contingente de pessoas que tendem ao crime. O que falta exatamente a essas pessoas são políticas publicas que as atinjam, que possam dar condições de melhoria de vida a elas, por isso é fundamental que se trabalhe com políticas publicas especificas para esse segmento, que tem suas peculiaridades e carece de uma ação forte do Estado na perspectiva da garantia das condições para o desenvolvimento pleno das pessoas.

4 - Você dirige uma entidade que, por princípio, debate acerca da educação no Brasil. Como a dificuldade ao acesso à educação contribui para a criminalidade juvenil? Quais as discussões pertinentes devem ser pautadas? Como as PPJ’s lidam com a educação como forma de emancipação humana?

N – O Jovem que não tem acesso a educação, a escolarização, praticamente não tem perspectiva de melhoria de vida, ele não está nem em programas como o Bolsa-familia. O que leva principalmente um jovem ao crime é a falta de perspectiva de futuro, se o estado não dá oportunidades para o jovem se desenvolver, ele está marginalizando esse jovem, entregando-o ao mundo do crime. Eu acho que o que deve ser pautado é como não marginalizar a juventude, e isso não tem segredo, é garantir educação de qualidade à todos, é ampliar o ensino superior, é dar oportunidades de enprego à juventude e condições de profissionalização, e isso se faz com políticas publicas concretas. Essas políticas precisam estar relacionadas com a Educação, acho que um bom exemplo de política nesse sentido é o Projovem, pois ele além de dar uma formação profissional tembém dá uma formação geral ao estudante, na tentativa de também suprir o ensino fundamental para aqueles que não tiveram acesso, mas acho que é preciso ir além disso. Nós podemos formar muitos jovens e os incluirmos no mercado de trabalho, mas se formarmos apenas “apertadores de parafuso”, não estaremos conseguindo superar os entraves que o nosso país tem, é preciso que ao passo que vamos dando oportunidade de trabalho à juventude também estejamos formando cidadãos capazes de serem agentes transformadores da sociedade.

     5 - Seria possível o Projovem expandir aos jovens internos da Casa de Detenção?

N – Acho que sim, afinal nós temos um grande contingente de jovens que estão no sistema penitenciário, mas acho que não no mesmo formato, hoje os presídios e as casas para jovens menores são verdadeiras universidades do crime, é preciso pensar uma mudança maior no sistema penitenciário, o Projovem por si só não resolverá.

     6 - No ano passado, foi convocada a Conferência de Educação. A UBES esteve travando esse debate em seus espaços. Você, como dirigente da entidade assumiu o desafio de discutir educação no estado de Alagoas. Muitas deliberações foram tomadas na etapa nacional. Há possibilidades de se falar em educação para prisioneiros?

N - Hoje, eu acho que nós não temos muitos avanços nesse sentido, nós temos que observar também que muitas pessoas que estão presas ainda não foram nem julgadas. Acredito que dar condições de escolarização para pessoas que não tiveram acesso e continuidade aos estudos é um dever do estado para com todos, mesmo aqueles que foram punidos sendo excluidos da sociedade, essa deve ser uma grande tarefa para se construir um novo tipo de detenção. É preciso também ter claro que não pode ser qualquer tipo de ensino ofertado aos presos, não se resolve simplesmente isso ofertando educação de jovens e adultos nos presídios, o contexto é outro, não da para achar que é o mesmo publico alvo do EJA, é preciso um sistema que possa compreender as limitações e a diversidade de conhecimentos existentes nos presídios.

    7 -  Pode-se afirmar que os jovens seguem na criminalidade por falta de oportunidades, desde educação a trabalho? Como se daria a implementação das PPJ’S?

N - Sim, que outra oportunidade de largar o crime ele terá? Sem a garantia de condições dignas de sobreviver, a única forma de deixar o crime que um jovem tem é a morte, e eu acho que morrer não é oportunidade para ninguém. É preciso ter claro também que nem toda PPJ é boa, se uma política não é bem elaborada, se não dá respostas aos problemas centrais, ela dificilmente terá bons resultados e cumprirá o seu papel, por isso a Política Nacional de Juventude executada hoje, é pautada por reinvidicações e propostas da propria juventude, que foi ouvida pelo poder público atraves da 1° Conferência Nacional de juventude que aconteceu em 2008, além disso, o orgão executor dessa política, a Secretaria Nacional de Juventude, não trabalha só, foi criado em 2005 o Conselho Nacional de Juventude para fiscalizar, formular e contribuir com a execução das PPJ’s. Temos tido avanços importantes no último periodo como a aprovação da “PEC da Juventude” e está tramitando no Congresso Nacional o estatuto da juventude, mas como dá para perceber, as PPJ’s ainda são novas, a SNJ foi criada à apenas 5 anos, existêm ainda poucas secretarias municipais e conselhos de juventude, em Alagoas mesmo nem existe secretaria estadual, ainda temos muito que avançar, e com a PEC e a aprovação do estatuto, acho que inauguraremos uma nova página nas Políticas Publicas de Juventude no Brasil.

    8 - O olhar da sociedade sobre essa juventude ainda é carregado de mitos e preconceitos. No entanto, é uma preocupação social, uma vez que os piores índices de violência e drogas registram jovens como principais atores. Por que a juventude merece políticas públicas específicas?

N – Nós somos hoje, ¼ da população do país, somos a metade dos desempregados e temos os piores indices de violência, só por esses motivos já acredito que os jovens precisam de políticas especificas, mas ainda tem mais, o jovem está passando por uma tragétoria onde ele está definindo como será sua vida: é a profissão que vai seguir; é a saída da casa dos país; são as primeiras paixões; é o surgimento das responsabilidades, em fim, diversas coisas acontecem nesse período e o jovem tem que ser encarado como um ser social, como alguem que pode trabalhar, que interfere seja economicamente, seja socialmente no país e que precisa de políticas voltadas para suas demandas próprias, e não como alguem que está passando por uma fase apenas.

     9 - Como está a discussão das PPJ’s no estado de Alagoas? Há iniciativas do governo em relação à implementação?

N – No atual governo do PSDB, pouco se caminhou na construção das PPJ’s, não existe uma Secretaria Estadual de Juventude, há apenas uma superintendência vinculada a Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos, há também um projeto de lei na Assembléia Legislativa que cria o Conselho Estadual de Juventude, mas está parado, não há interesse da base do governo tucano em aprová-lo. O governo do estado não conseguiu inclusive aproveitar as políticas de juventude do governo federal, os Projovens que tem dado certo, que tem crescido, estão sob responsabilidade dos municipios. Por parte do governo do estado se avançou em materia de PPJ praticamente o mesmo que se avançou nos anos noventa no governo de FHC, nada!

     10 - Quanto à implementação das PPJ’s, qual o papel do Poder Público e qual o papel da sociedade civil organizada?

N – O poder público tem fundamentalmente o papel de executar as políticas públicas e também de formulá-las em conjunto com a sociedade civil organizada, daí instrumentos como os Conselhos de Juventude e a Conferência Nacional de Juventude, que será inclusive realizada novamente agora em 2011, cabe a sociedade civil organizada participar da construção dessas políticas, prôpor novos rumos, fiscalizar e cobrar, exercer pressão no poder público para que as PPJ’s possam cumprir seu papel.
 
1   11 - O que é ser jovem no Brasil? Como é ser jovem em Alagoas, o estado com o maior índice de criminalidade entre jovens?

N – Independente do lugar onde se vive ser jovem não é muito fácil, é um período da nossa vida que tem muita coisa boa, mas também tem muita dor de cabeça, é o periodo em que mais conseguimos aprender, e não estou falando da escola ou da faculdade, estou falando da vida mesmo. Ser jovem no Brasil é algo entusiasmante, pois mesmo com muitos problemas que precisam ser superados, o Brasil é um país que tem dado certo, que tem melhorado, é o país do presente e que tem tudo pra ser ainda mais no futuro. Ser jovem em Alagoas mostra bem pra gente como tudo é dialético, ao tempo que ser jovem no Brasil é entusiasmante, é desanimador ver o país melhorando e Alagoas ficando para trás, mas essa contradição é boa também, porque nos da mais vontade de tirar o nosso estado do atraso e ver ele se desenvolvendo, distribuindo renda e se tornando um lugar mais seguro e melhor para viver!

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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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