segunda-feira, 30 de maio de 2011

Estudantes ocupam as ruas do Centro de Maceió

Milhares de estudantes em manifestação contra o governo tucano

Na manhã desta sexta-feira (27/05), milhares de estudantes ocuparam o Centro de Maceió. Em passeata, faziam ressoar os gritos de FORA TÉO. Foi uma manifestação pacífica, com a presença de várias entidades estudantis.

O ato teve participação maciça de estudantes, visto que os sindicatos dos servidores públicos estaduais optaram por convocar um Ato do Movimento Unificado de todas as categorias para a próxima quarta-feira, dia 1º/06. O ato, inicialmente convocado espontaneamente por e-mails e através das redes sociais, foi liderado pelas várias entidades estudantis presentes.

Embora os sindicatos do funcionalismo não tenham participado do ato, muitos servidores estaduais, inclusive aposentados, estiveram presentes para manifestar sua insatisfação com o governo estadual.

Diretora da UNE - Claudia Petuba

Segundo a Diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE), Claudia Petuba, “Nós estudantes resolvemos sair às ruas hoje e aproveitamos para fazer um chamamento a toda a sociedade para participar do novo ato na semana que vem. A luta é dos estudantes, dos trabalhadores, de todo o povo alagoano. Ninguém suporta mais os desmando desse governo”.

A manifestação se iniciou na Praça dos Martírios, com a concentração na porta do Palácio República dos Palmares, percorreu várias ruas do Centro de Maceió, passou em frente ao Tribunal de Justiça, à Assembleia Legislativa e finalizou-se em frente ao Palácio de Cristal, sede do governo estadual. O reforço policial foi chamado, apesar de a manifestação ter caráter pacífico. A cavalaria e o Bope acompanharam toda a manifestação.

Os estudantes vieram de várias escolas e universidades, todos revoltados especialmente com o tratamento do governo estadual com a educação. A estudante da UNEAL Welingta Carla denunciou “A UNEAL hoje funciona com 40% do seu orçamento. É Universidade só no nome, porque está funcionando em situação de verdadeira precariedade em todos os setores. Esse governador está destruindo nossa Universidade!”. Para o Secretário Geral do DCE da UFAL, Hugo Cavalcante, “o caso é grave, pois Alagoas possui os piores índices de educação, violência, saúde, distribuição de renda. Os alagoanos não merecem isso, temos que ir às ruas!”.

Diretor da UBES - João Carlos

Com as caras pintadas com as cores da bandeira de Alagoas, os estudantes mostraram que estão atentos à situação política do estado. Para o diretor da UBES, João Carlos, “A juventude não é alienada, esta manifestação aqui mostra isso. Somos solidários à luta dos trabalhadores por melhorias salariais e também temos as nossas reivindicações”.

Pres. UJS - Naldo


Em frente ao Palácio, a polícia cercou os estudantes, tentando dispersar o ato. O Presidente estadual da UJS, Naldo Freitas, denuncia: “Esse é o tipo de ‘diálogo’ que o governador tem com a população, através da polícia e da violência. Mas na quarta-feira estaremos aqui novamente, a insatisfação é muito grande e vamos mostrar isso nas ruas!”.

domingo, 8 de maio de 2011

PARABÉNS Mãe!!



Hoje é dia das mães!

Mãe é algo de uma importância tão grande na vida da pessoa que as vezes encontramos dificuldade até para dimensionar os sentimentos que temos por ela. Quando estamos longe da nossa mãe sentimos exatamente a falta que ela nos faz, mesmo com as facilidades que a tecnologia nos ofereci para mantermos uma comunicação. Mas uma conversa no telefone por mais que seja de um alivio inexplicável, não supera uma bronca, uns tapas, um carinho e um abraço.

Logo quando completei dezoito anos, trilhei um caminho que milhares de jovens percorrem, saí de casa para ir morar só. Deixei a minha cidade do interior, Palmeira dos Índios, e fui pra capitá. Muitos fazem isso para estudar apenas, outros por outros motivos.

Nesse dia que faz com que a gente fique um pouco sentimental, há textos que fazem com que aquele nó na garganta apareça.

Segue a seguir um texto muito bacana do Xico Sá endereçado as mães desses filhos que como eu caíram na estrada.

Antes que eu enrole mais, PARABÉNS Maria Eliuza!

Parabéns Marcia Sarmento! outra grande mãe, que carinhosamente me "adotou".



Para as mães dos filhos que caíram na estrada

Mãe, ainda me lembro quando tu colocaste a rede no fundo da mala, mala de couro, forrada com brim cáqui, e perguntaste, tentando sorrir no prumo da estrada: “Filho, será que na capital tem armador nas paredes?”

Naquela noite eu partiria para o Recife, que conhecia apenas de fotos e do mar de histórias trazidos pelos amigos. Lembro de uma penca de fotografias em especial, que ilustrava uma bolsa de plástico que usava para carregar meus livros e cadernos. Lá estavam as pontes do centro, casario da Aurora ao fundo, lá estava a sede da Sudene, símbolo de grandeza naquele apagar dos anos 1970, lá estava o Colosso do Arruda, o estádio do Santa...

Quando o ônibus gemeu as dores da partida, aquela zoada inesquecível que carregamos para todo o sempre, tu me olhaste firme, e eu segurei as lágrimas tão-somente para dizer que já era um homem, que era chegada a hora de ganhar o mundo, pé na estrada, o mundo estrangeiro que conhecia somente pelo rádio, meu vício desde pequeno, no rádio em que ouvia os Beatles, as resenhas e as transmissões esportivas, além de todo um sortimento de novidades daqui e de fora.

Lembro que naquele dia, mãe, ouvimos juntos o horóscopo de Omar Cardoso, na rádio Educadora do Crato (ou teria sido na Progresso de Juazeiro?). Que falava dos novos rumos do signo de Libra. Você disse: “Tá vendo, meu filho, você será muito feliz bem longe”.

A voz de Omar Cardoso e o seu mantra ecoava no juízo: “Todos os dias, sob todos os pontos de vista, vou cada vez melhor!”

Foi o dia mais curto de toda a existência. O almoço chegou correndo, a merenda da tarde passou voando... e quando dei fé estava diante da placa Crato/Recife, Viação Princesa do Agreste.

Todo choro que segurei na tua frente, mãe, foi derramado em todas as léguas seguintes. Mal chegou em Barbalha eu já estava com os dois lenços de pano –outro cuidado seu com o rebento- molhados. Em Missão Velha, uma moça bonita, uma estudante que voltava de férias, me confortou: “É para o seu bem, foi assim também comigo”.

Quando chegou em Salgueiro, além dos lenços e da camisa nova -xadrezinho da marca Guararapes-, o livro Angústia, de Graciliano Ramos, um dos motivos da minha vontade de conhecer a vida, também já estava encharcado.

E assim foi a viagem toda. Com direito a soluços, que acordaram a velhinha que ia ao meu lado, quando o ônibus chegou ao amanhecer no Recife.

Arrastei a mala pelo bairro de São José e procurei a pensão mais econômica.

Sim, mãe, tem armador de rede, escrevi na primeira carta. Naquele tempo não se usava, em famílias sem muito dinheiro, o telefone. Era tudo na base do “espero que esta te encontre com saúde”, como a gente escrevia na formalidade das missivas.

É mãe, neste teu dia, que está quase chegando a hora, quero lembrar que a coisa que mais me comoveu foi tua coragem, que eu até achava, cá entre nós, que fosse dureza além da conta d´alma. Até falei, um dia no divã, sobre o assunto, como se eu quisesse que naquela despedida o sertão virasse o teu mar de pranto.

Eis que recentemente me contaste como foi duro, que tudo não passava de um jeito para não fazer que eu desistisse de ganhar a rodagem. Aí me lembrei de uma sabedoria que citava nas cartas e bilhetes, quando eu esmorecia um pouco na sobrevivência da cidade grande: “Saudade não bota panela no fogo”. E ainda reforçava: “Saudade não cozinha feijão, coragem, filho, coragem”.

Em nome das mães de todos os meninos e meninas que partiram, dona Maria do Socorro, quero te deixar beijos e flores.

Sim, mãe, agora já sabes que somos de uma família de homens chorões, são 18h40 de um sábado, e eu choro um pouco, como fazia no fundo daquela rede colorida que puseste no fundo da mala, chorava tanto nos sótãos das pensões do Recife  que os chinelos amanheciam boiando no quarto, como se quisessem tomar o caminho de volta para casa.

Feliz aniversário camaradas Marx e Rafael



No último dia 05 de maio, quinta, foi o aniversário do grande filosofo e lutador Karl Marx, foi também o aniversário do meu amigo e camarada Rafael Cardoso. Reproduzo a seguir texto publicado por ele no seu Blog sobre o aniversário de Marx:

Há 193 anos nascia aquele que, assim como Jesus Cristo, motiva muitos a lutarem por um mundo melhor. Karl Heinrich Marx, Marx, certamente o principal filosofo da era pós Cristo, nasce em Tréveris, na época no Reino da Prússia, último de sete filhos, de origem judaica de classe média.

5 de maio de 1818. Jesus traz aos homens a palavra e a idéia de salvação a partir da veneração de seu “pai”, Deus, já Marx propõe à humanidade uma alternativa ao capitalismo, através do socialismo cientifico, combustível para a construção do Comunismo. Tanto um quanto o outro lutaram para que não houvesse exploração do homem pelo homem.

Ambos viajam pelo tempo, com seus pensamentos cada vez mais vivos e mais jovens, todos os dias as obras de Marx servem para oferecer um horizonte para a salvação na terra a milhões de pessoas. Seria muito grosseiro comparar a solidez do Vaticano à firmeza dos povos chineses, cubanos, coreanos e venezuelanos, entre outros, na defesa de seus avanços e liberdades, isso porque diferentemente do Cristianismo o Socialismo não é um conjunto de dogmas.

É uma ciência viva que se renova e sempre continua atual, não espera o apocalipse, constrói condições objetivas para uma radical transformação social, que altere a correlação de forças hegemônicas na sociedade. Não são apóstolos e nem pastores os defensores do pensamento de Marx, são pessoas comuns, cristãos ou não, que defendem com veemência o socialismo para o reino dos homens.

Feliz aniversário camarada Marx, que o pensamento mais avançado continue sempre vivo!

Revista Príncípios comemora trinta anos de ideias avançadas



Com mais de oito mil páginas publicadas, a revista “Princípios” comemorou seus trinta anos rememorando o itinerário de elaboração teórica e política do pensamento marxista e progressista nesse período. Uma revista aberta, plural e de princípios definidos, segundo o editor Adalberto Monteiro. Esse rico acervo está disponibilizado em DVD. Nele se encontram reunidos quase dois mil textos produzidos por cerca de 500 colaboradores, abordando os mais diversos temas.
Adalberto Monteiro

(Mesa da solenidade, da esq. para dir.: Jamil Murad, vereador (PCdoB-SP); Pedro de Oliveira, jornalista; Cristina Soreanu Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Unifesp; Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB; João Carlos "Juruna", secretário-geral da Força Sindical; e Nivaldo Santana, vice-presidente da CTB).
Quando as colheitas são fartas, as festas se realizam. A frase de Adalberto Monteiro, presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da revista Princípios, sintetizou a comemoração dos trinta anos da revista em um ato realizado na noite de quinta-feira (5) no Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo. Falando para um auditório repleto, ele recorreu à cultura do campo para expressar a “farta colheita no âmbito das ideias” representada pela passagem do trigésimo aniversário de Princípios. Adalberto Monteiro percorreu a trajetória da revista, lembrando, de início, o papel do seu fundador, o “destacado marxista” João Amazonas, “liderança histórica da esquerda e dos comunistas brasileiros”. 


O editor de Princípios pontuou a conjuntura em que a revista nasceu, lembrando que em 1981 uma frente oposicionista preparava a ofensiva final pela democracia. Nasceu engajada na luta pela liberdade, asseverou. Para Adalberto Monteiro, nestes trinta anos de circulação ininterrupta as 112 edições de Princípios se dedicaram à elaboração de ideias para um novo Brasil. “Considero que na era da dominância do monopólio midiático, a revista tem fomentado o pensamento crítico e um olhar revolucionário sobre os temas da atualidade”, afirmou. Segundo ele, o objetivo foi oferecer uma análise dos problemas contemporâneos sob outra perspectiva, diversa daquela veiculada pela grande mídia em suas coberturas tendenciosas e superficiais.

Adalberto Monteiro revelou que a coleção de Princípios conta com mais de 8 mil páginas e seu índice remissivo demonstra o precioso rol de intelectuais, pesquisadores, jornalistas, cientistas, artistas, lideranças políticas e sociais que, ao longo do tempo, voluntariamente ofereceram e oferecem suas contribuições. “Nossa revista se autoconceitua como um periódico de ‘teoria, política e informação’ e sua temática é diversa, mas seu foco é o desenvolvimento do Brasil”, enfatizou. O editor de Princípios se estendeu no conteúdo dessa ideia central para concluir que a revista retratou as lutas pela democracia, pela afirmação da soberania nacional e pelo fim das desigualdades sociais.

Temas inerentes ao desenvolvimento

Ele passou pelos anos 1980, quando Princípios engajou-se na redemocratização do país e buscou influenciar os debates da Assembleia Nacional Constituinte, pela década seguinte, quando dedicou-se a desvendar teórica e politicamente o caráter do neoliberalismo, buscando abrir caminhos para sua superação, e pela fase atual, na qual a revista participa da elaboração de um novo projeto nacional de desenvolvimento. Adalberto Monteiro realçou a nova etapa da revista no debate de ideias nos oitos anos de governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva e nesse início do mandato de Dilma Rousseff. Para ele, a presidenta tem a desafiadora missão de fazer avançar esse processo e Princípios segue “travando o bom combate contra as ideias e os blocos políticos que tentam frear ou impedir as mudanças”. 

O editor de Princípios enumerou os temas inerentes ao desenvolvimento — o progresso econômico e social, a ampliação da democracia, a afirmação da soberania e a integração solidária com a América Latina — para enfatizar a convicção da revista de que a luta popular é a força-motriz das mudanças. “O desenvolvimento pelo qual luta é direcionado à valorização do trabalho e à elevação da qualidade de vida do povo”, destacou. Adalberto Monteiro também se deteve na crise do socialismo do início da década de 1990, ressaltando que Princípiosenfrentou o vendaval anticomunista, resgatando o legado da União Soviética à humanidade ao mesmo tempo em que examinou os erros e condicionantes que levaram à sua derrocada. “Nesse debate, contribuiu para reafirmar o socialismo em bases novas”, disse. 

Adalberto Monteiro também falou sobre o capitalismo contemporâneo, tema que tem merecido “um meticuloso trabalho”. Falou ainda a respeito das guerras imperialistas, destacando que Princípios tem publicado “libelos em defesa da paz”. “A luta dos povos contra o imperialismo e pelo direito ao desenvolvimento e à autodeterminação tem sido outro tema frequente – destacado, inclusive, na edição que aborda as recentes revoltas ocorridas nos países árabes”, afirmou.

Fase atual exige ainda melhorias

Esse painel de temas, que espelha a “fertilidade das ideias que dissemina”, disse, é o segredo da longevidade de Princípios — um contraste com publicações com esse mesmo perfil que no geral têm vida breve. Outra explicação, segundo Adalberto Monteiro, é que a revista é uma obra coletiva. Ele registrou, “sempre com o risco de algum esquecimento”, a participação pioneira de Ronald Freitas, o responsável por suas primeiras edições; a colaboração permanente do jornalista Bernardo Joffiliy — a quem Princípios deve o nome —; o papel de José Reinaldo de Carvalho, um dos primeiros editores (hoje editor do Portal Vermelho); a renovação editorial e gráfica promovida por Rogério Lustosa; o desafio enfrentado por Olival Freire — que recebeu a tarefa de substituir Rogério Lustosa, morto precocemente — e a equipe por ele constituída (os jornalista José Carlos Ruy e Pedro Oliveira, e Edvar Bonotto, que foi secretário de redação por um largo período e que também faleceu precocemente).

Adalberto Monteiro relembrou a trajetória de editor, iniciada em 2002. “Recorri ao que chamamos de ‘sabedoria do coletivo’”, disse. Registrou as colaborações direitas de Pedro de Oliveira, José Carlos Ruy, Edvar Bonotto, Augusto Buonicore, Sérgio Barroso, Elias Jabbour e Fábio Palácio, estendendo os agradecimentos a Carolina Maria Ruy, que foi secretária de redação; Ana Paula Bueno, atual secretária de redação; Maria Lucília Ruy, revisora; Laércio D’Ângelo Ribeiro, autor do atual projeto gráfico e diagramador; e Flávio Nigro, o capista. Saudou o novo editor-executivo de Princípios, Claudio Gonzalez, e os colaboradores em geral. Fez uma menção especial a Divo Guisoni, que dirigiu por muito tempo a editora Anita Garibaldi — responsável pela publicação da revista —, saudando suas substitutas, Ana Paula Bernardes e Zandra de Fátima Baptista.

Adalberto Monteiro também fez um registro especial do incentivo e apoio do presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Renato Rabelo. E finalizou dizendo quePrincípios busca renovar-se em cada edição, enfrentando o desafio “de ser um veículo cada vez melhor, capaz de responder aos problemas políticos e teóricos com base no marxismo e com a colaboração de outras correntes do pensamento avançado”. “A fase atual exige ainda melhorias relacionadas à circulação e à divulgação”, disse. “Nosso sonho é fazer de Princípiosum instrumento ascendentemente dinâmico. Convidamos a todos os amigos e colaboradores para se juntarem a nós na realização dessa tarefa”, concluiu.

Participação de Cristina Soreanu Pecequilo

Cristina Soreanu Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), representando os professores e pesquisadores colaboradores dePrincípios, falou em seguida. Fez uma imagem do corpo de executores e colaboradores da revista associada a uma família que deseja um futuro progressista para o Brasil. Para ela, a revista pode se sentir honrada por ter ajudado na elaboração de ideias que conduzem o país para uma situação melhor. A professora comentou a importância de os brasileiros redescobrirem o orgulho de pertencer a este país e enfatizou a necessidade do debate sobre o que pretendem ser, como nação, no futuro. Para ela, existe um processo de desconstrução de imagens e projetos com a finalidade de impedir o avancço do Brasil.


A professora também comentou o papel das ideias que caracterizam o interesse nacional para a construção do país. Registrou o caráter amplo, plural e democrático de Princípios, realçando diferentes aspectos dos temas abordados — principalmente os que contestam a atual hegemonia mundial. Cristina Soreanu Pecequilo recordou que viveu de perto a experiência da queda do Muro de Berlim, acontecimento que estudou e deu a ela a convicção de que o socialismo renasce renovado, destinado a seguir em frente. 


Intervenção de Renato Rabelo

Renato Rabelo, o presidente nacional do PCdoB, ocupou a tribuna em seguida, inciando sua intervenção com uma menção ao significado dos trinta anos de Princípios. “Não é qualquer coisa”, disse. Para ele, esse longo período não pode ser subestimado devido à sua contribuição à construção de ideias para um projeto de país avançado. Renato Rabelo sugeriu que o ato fosse desdobrado, levado para outras regiões como registro da importância do legado da revista. Segundo ele, a esquerda e as forças progressistas em geral precisam vincar um pensamento, formulado com base na teoria insubstituível do marxismo e das contribuições de Lênin.

O fato de Princípios ser uma revista ampla e plural, ressaltou, dá a ela um viés democrático na elaboração de ideias, que muitas vezes vêm de setores não comunistas. Seria pretensão achar que só os comunistas têm propostas e contribuições para o avanço do país, disse. Para Renato Rabelo, não existem grandes transformações sociais para a edificação de uma nação avançada, moderna e igualitária sem um pensamento progressista. Sem essa formulação avançada, destacou, as transformações são tênues, temporárias e conjunturais. A construção de um novo Brasil, de uma sociedade superior, socialista, precisa da ciência social moldada pela realidade brasileira. E Princípios tem dado grandes contribuições nesse sentido, disse.

Renato Rabelo realçou o papel da revista na abordagem de temas candentes, imediatos, mas, disse, não ficou por aí — foi uma espécie de bússola que orientou os caminhos percorridos pelo pensamento progressista. Para ele, Princípios deve se esforçar para ampliar ainda mais seu escopo editorial na busca da construção do arcabouço teórico do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento. Essa tarefa exige a participação de todas as áreas do pensamento avançado, como a ciência, a cultura, a política e a economia. A meta, disse, é alcançar a sociedade socialista brasileira. Sugeriu, diante dos desafios que se apresentam, que a revista encurte sua periodicidade, passando a ser mensal (Princípios começou trimestral e atualmente é bimestral).

Saudação de Leci Brandão

Ele também percorreu a trajetória da revista, comentando seu papel em cada fase dos embates teóricos e políticos pelos quais o país passou nesses trinta anos, e enfatizou a reafirmação do socialismo quando caiu o Muro de Berlim. Renato Rabelo recordou as “apostasias” dos que “trocaram de camisa” e saíram correndo sem saber exatamente o que o que havia acontecido para reforçar a importância de uma compressão profunda da teoria. E destacou a contribuição decisiva de Princípios nesse sentido. Para ele, o ideal socialista continua cada vez mais vivo e enfatizou o papel dos trabalhadores como força motriz do processo de transformação social.

Segundo Renato Rabelo, a convicção de que os trabalhadores — a maioria da sociedade, a parte que produz as riquezas — são a base dos avanços sociais é cada mais forte. Alicerçada em princípios progressistas, essa base sustenta o processo de mudanças profundas, disse. Para ele, não existem transformações sociais substantivas sem um processo revolucionário. A forma, destacou, não está dada, depende de fatores que se apresentam em cada realidade. Pode ser, disse, até mesmo relativamente pacífica. O certo é que não será na “maciota”. O essencial, afirmou, é a base teórica, para a qual Princípios tem dado grande contribuição. 

Encerrando o evento, a cantora e deputada estadual paulista pelo PCdoB Leci Brandão fez uma saudação, relembrando, em rápidas palavras, o processo de sua filiação ao Partido e sua eleição, finalizando a intervenção com uma referência a Princípios como  publicação indispensável para se contrapor ao pensamento conservador da mídia. “Princípios é fundamental para refletir as bandeiras da esquerda”, concluiu. Também participaram da mesa do evento, como convidados, o vereador paulistano Jamil Murad (PCdoB), o jornalista Pedro de Oliveira, o representante da Força Sindical João Carlos "Juruna" e o representante da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nivaldo Santana. Em seguida, os presentes brindaram o evento com um animado coquetel, tendo como trilha sonora a participação do quarteto de cordas “Piteri”.

STF reconhece união homoafetiva


Decisão do Supremo por unanimidade é histórica e representa grande vitória contra a intolerância.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgarem as Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4277 e da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132, reconheceram a união estável para casais do mesmo sexo. As ações foram ajuizadas na Corte, respectivamente, pela Procuradoria-Geral da República e pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O julgamento começou na tarde de da última quarta-feira (4), quando o relator das ações, ministro Ayres Britto, votou no sentido de dar interpretação conforme a Constituição Federal para excluir qualquer significado do artigo 1.723, do Código Civil, que impeça o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.


O ministro Ayres Britto argumentou que o artigo 3º, inciso IV, da CF veda qualquer discriminação em virtude de sexo, raça, cor e que, nesse sentido, ninguém pode ser diminuído ou discriminado em função de sua preferência sexual. “O sexo das pessoas, salvo disposição contrária, não se presta para desigualação jurídica”, observou o ministro, para concluir que qualquer depreciação da união estável homoafetiva colide, portanto, com o inciso IV do artigo 3º da CF. 

Os ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Cezar Peluso, bem como as ministras Cármen Lúcia Antunes Rocha e Ellen Gracie acompanharam o entendimento do ministro Ayres Britto, pela procedência das ações e com efeito vinculante, no sentido de dar interpretação conforme a Constituição Federal para excluir qualquer significado do artigo 1.723, do Código Civil, que impeça o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.

Na sessão de quarta-feira, antes do relator, falaram os autores das duas ações – o procurador-geral da República e o governador do Estado do Rio de Janeiro, por meio de seu representante –, o advogado-geral da União e advogados de diversas entidades, admitidas como amici curiae (amigos da Corte).

Ações - A ADI 4277 foi protocolada na Corte inicialmente como ADPF 178. A ação buscou a declaração de reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Pediu, também, que os mesmos direitos e deveres dos companheiros nas uniões estáveis fossem estendidos aos companheiros nas uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Já na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132, o governo do Estado do Rio de Janeiro (RJ) alegou que o não reconhecimento da união homoafetiva contraria preceitos fundamentais como igualdade, liberdade (da qual decorre a autonomia da vontade) e o princípio da dignidade da pessoa humana, todos da Constituição Federal. Com esse argumento, pediu que o STF aplicasse o regime jurídico das uniões estáveis, previsto no artigo 1.723 do Código Civil, às uniões homoafetivas de funcionários públicos civis do Rio de Janeiro.


Fidel Castro comenta o assassinato de Osama Bin Laden


Aqueles que se ocupam desses temas sabem que, em 11 de setembro de 2001, nosso povo se solidarizou com o dos Estados Unidos e deu a modesta cooperação que podíamos oferecer no campo da saúde às vítimas do brutal atentado às Torres Gêmeas de Nova York.

Por Fidel Castro


Oferecemos também de imediato as pistas aéreas de nosso país para os aviões norte-americanos que não tiveram onde aterrissar, dado o caos reinante nas primeiras horas depois daquele golpe.

É conhecida a posição histórica da Revolução Cubana que se opôs sempre às ações que puseram em perigo a vida de civis.

Partidários decididos da luta armada contra a tirania batistiana, éramos, por outro lado, opostos por princípio a todo ato terrorista que conduzisse à morte de pessoas inocentes. Tal conduta, mantida ao longo de mais de meio século, nos dá o direito de expressar um ponto de vista sobre o delicado tema.

No ato público de massas efetuado na Cidade do Esporte expressei naquele dia a convicção de que o terrorismo internacional jamais se resolveria mediante a violência e a guerra.

Bin Laden foi, certamente, durante anos, amigo dos Estados Unidos, que o treinou militarmente, e adversário da URSS e do socialismo, mas qualquer que fossem os atos atribuídos a ele, o assassinato de um ser humano desarmado e acompanhado de familiares constitui um fato repugnante. Aparentemente foi isso que fez o governo da nação mais poderosa de todos os tempos.

O discurso elaborado com esmero por Obama para anunciar a morte de Bin Laden afirma: “…sabemos que as piores imagens são aquelas que foram invisíveis para o mundo. O lugar vazio na mesa. As crianças que se viram forçadas a crescer sem sua mãe ou seu pai. Os pais que nunca voltarão a sentir o abraço de um filho. Cerca de 3 mil cidadãos se foram para longe de nós, deixando um enorme buraco em nossos corações”.

Esse parágrafo encerra uma dramática verdade, mas não pode impedir que as pessoas honestas recordem as guerras injustas desencadeadas pelos Estados Unidos no Iraque e Afeganistão, as centenas de milhares de crianças que se viram forçadas a crescer sem sua mãe ou seu pai e os pais que nunca voltariam a sentir o abraço de um filho.

Milhões de cidadãos se foram para longe de seus povos no Iraque, Afeganistão, Vietnã, Laos, Cambodja, Cuba e outros muitos países do mundo.

Da mente de centenas de milhões de pessoas não se apagaram tampouco as horríveis imagens de seres humanos que em Guantânamo, território ocupado de Cuba, desfilam silenciosamente, submetidos durante meses e inclusive anos a insuportáveis e enlouquecedoras torturas; são pessoas sequestradas e transportadas a prisões secretas com a cumplicidade hipócrita de sociedades supostamente civilizadas.

Obama não tem como ocultar que Osama foi executado na presença de seus filhos e esposas, agora em poder das autoridades do Paquistão, um país muçulmano de quase 200 milhões de habitantes, cujas leis foram violadas, sua dignidade nacional ofendida, e suas tradições religiosas ultrajadas.

Como impedirá agora que as mulheres e os filhos da pessoa executada sem lei nem julgamento expliquem o ocorrido, e as imagens sejam transmitidas ao mundo?

Em 28 de janeiro de 2002, o jornalista da CBS Dan Rather difundiu por meio dessa emissora de televisão que em 10 de setembro de 2001, um dia antes dos atentados ao World Trade Center e ao Pentágono, Osama Bin Laden foi submetido a uma hemodiálise do rim em um hospital militar do Paquistão. Não estava em condições de esconder-se nem de proteger-se em cavernas profundas.

Assassiná-lo e enviá-lo às profundezas do mar demonstram medo e insegurança, convertem-no em um personagem muito mais perigoso.

A própria opinião pública dos Estados Unidos, depois da euforia inicial, terminará criticando os métodos que, longe de proteger os cidadãos, terminam multiplicando os sentimentos de ódio e vingança contra eles.

Fidel Castro Ruz
4 de maio de 2011
20 h 34 

Fonte: Cubadebate
Tradução da Redação do Vermelho

Altamiro Borges: Osama Bin Laden, uma invenção dos EUA


Na madrugada desta segunda-feira, o presidente dos EUA anunciou, em tom eufórico, a morte de Osama Bin Laden, líder da rede Al Qaeda, acusada de ser a responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. “Digo às famílias que perderam seus parentes que a justiça foi feita”, afirmou Barack Obama em cadeia nacional de rádio e televisão. 

Por Altamiro Borges


Bin Laden teria sido executado por soldados estadunidenses num esconderijo em Abottabad, a 115 quilômetros de Islamabad, capital do Paquistão. Autoridades locais informaram à agência de notícias Reuters que a operação foi resultado “de uma parceria entre a CIA, o serviço secreto dos EUA, e as tropas paquistanesas”. O corpo do líder da Al Qaeda foi retido pelos EUA.

Euforia de Obama e da mídia colonizada

Segundo o noticiário internacional, logo após o pronunciamento milhares de pessoas foram festejar em frente à Casa Branca, aos gritos de “obrigado, Obama” e “USA”. O presidente dos EUA, vítima de uma acentuada queda de popularidade, pode respirar mais aliviado. Já os estadunidenses, vítimas da crise econômica e do desemprego, puderam externar o patriotismo do império.

Na mídia colonizada, a euforia também é enorme – como se a execução de Bin Laden superasse os traumas dos EUA, metidos em uma prolongada recessão e enfiados em desgastantes frentes de guerra. Em êxtase, muitos comentaristas deixaram, inclusive, de lembrar que Osama Bin Laden foi uma invenção do próprio império, nas suas ações imperialistas pelo mundo.

De aliado a inimigo dos EUA

Para um jornalismo mais sério e menos servil bastaria consultar até a revista “Aventuras na História”, publicada pela Editora Abril. Na reportagem intitulada “De aliado a inimigo nº 1: Bin Laden”, Carolina Pulici lembra que o “perigoso terrorista” – “um abastado jovem muçulmano, educado junto à realeza da Arábia Saudita” –, foi uma criação dos EUA no sombrio período da “guerra fria”.

A sinistra relação teve início no final dos anos 1970, no Afeganistão. Para derrubar o governo nacionalista deste país estratégico, que contava com o apoio da União Soviética, os EUA financiaram e treinaram um grupo de rebeldes. “Sob a justificativa de que era preciso conter a expansão soviética no Terceiro Mundo, o presidente Ronald Reagan propôs armar os rebeldes afegãos, que chamou de freedom fighters (ou guerreiros da liberdade)”. Bin Laden passou a ser o principal amigo dos EUA no conflito.

Feitiço contra o feiticeiro

Com a derrubada do governo afegão e a derrota dos soviéticos, porém, a sua guerra santa, “jihad”, voltou-se contra as ambições do imperialismo estadunidense na região. A invasão do Iraque em 1990 e a instalação de uma base militar na Arábia Saudita, em 1991, agravam os conflitos entre os antigos aliados. Bin Laden “passou a financiar e dar apoio logístico aos mais variados movimentos de insurgência islâmica e declarou que expulsaria os americanos com as próprias mãos do território sagrado do Islã”.

É desta fase a organização da Al Qaeda (“a base”), uma rede de seguidores espalhados pelo mundo dispostos à “guerra santa” contra os EUA. Em fevereiro de 1993, o grupo explode um carro-bomba no subsolo do World Trade Center, em Nova York, matando seis pessoas. Em outubro, ataca a embaixada ianque na Somália, matando 18. Após uma série de atentados, a Al Qaeda promove sua ação mais audaciosa, com os ataques às torres gêmeas de Nova York e ao Pentágono, em 11 de setembro de 2001.

Agente da CIA?

Estas ações terroristas nunca contaram com apoio das forças anti-imperialistas. Fidel Castro, líder da revolução cubana e crítico das políticas belicistas e expansionistas dos EUA, prestou solidariedade imediata às vítimas dos atentados de 11 de setembro. Em reportagem do jornal britânico The Guardian, em junho passado, ele chegou a dizer que Bin Laden fazia o jogo dos EUA: 

“Toda vez que Bush ia agitar o medo em seus discursos, Bin Laden aparecia, ameaçando as pessoas com uma história sobre o que ia fazer... Quem mostrou que ele é, na verdade, agente da CIA, foi o Wikileaks, que provou com documentos”. Quase dez anos após os atentados de 11 de setembro, Osama Bin Laden – expressão do “feitiço que virou contra o feiticeiro” – agora é executado no Paquistão.

Semana agitada



Essa semana que passou foi muito agitada. O 52° congresso da UNE tá bombando, muitas eleições nas faculdades acontecendo. Sem falar, nos "fatos" históricos que também aconteceram, a morte do Osama.

Tenho passado por um período complicado, marcado por pouco tempo e somado com a decisão do meu computador que não quer mais funcionar. Bom, aproveitando do domingo e do pc da casa da minha irmã estou dando uma atualizada no Blog.

Como já faz certo tempo que eu não posto nada por aqui, exatamente 15 dias. Irei colocar algumas matérias e artigos importantes sobre a morte do Osama Bin Laden; sobre a decisão importante do STF de reconhecer a união homoafetiva; sobre a batalha do 52° Congresso da UNE; Sobre o dia 05 de maio (aniversário de Marx e de grandes amigos); e claro né sobre o dia das mães!

Mas antes! Preciso deixar aqui uma dica de Blog muito boa. Um casal muito legal, dois grandes lutadores e pra melhorar ainda o negoço um é pernambucano e a outra alagoana, dois grandes comunistas, o Ossi e a Mirelly, decidiram criar e criaram um Blog. o nome é "baião de dois". Muito bacana, confiram: http://blogbaiaodedois.blogspot.com/

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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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