sábado, 31 de março de 2012

O Brics e a necessidade de uma nova ordem mundial




*Por Umberto Martins

Comentaristas da nossa malfadada mídia burguesa, ainda fascinadas pelos encantos de um império em decadência, não se cansam de sublinhar as contradições econômicas e políticas entre os países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para sustentar que o grupo não tem unidade nem sentido objetivo para existir. Seria “muito mais uma sigla do que um grupo de países com amplos interesses comuns”, como sugere o articulista do "Estadão" Rolf Kuntz. 

É fato que os Brics surgiram como um acrônimo criado em 2011 pelo economista Jim O´Neill, chefe de pesquisa em economia global do grupo financeiro Goldman Sachs, num artigo em que reflete sobre as potencialidades de desenvolvimento de quatro países com grande território e população (Brasil, Rússia, Índia e China, a África do Sul foi incluída mais tarde). Sua transformação em grupo econômico com interesses próprios e convergentes é obra de uma sábia engenharia política que envolve Pequim, Brasília, Moscou, Nova Délhi e Pretória. 

Viúvas do neoliberalismo

As contradições apontadas pelos ideólogos e políticos conservadores, que se opõem à política externa do governo Dilma e morrem de saudades da diplomacia dos pés descalços de FHC, são reais. Não é difícil perceber, por exemplo, conflitos de interesses no comércio exterior decorrentes da feroz concorrência no setor industrial ou divergências de opinião em relação ao Conselho de Segurança da ONU. 

Sabe-se que nem tudo são flores nas relações entre as nações. Estas geralmente obedecem ao mandamento dialético de unidade e luta. Além disto, enquanto prevalecer o capitalismo o caminho do comércio, das finanças e da geopolítica estará sempre minado por infinitas contradições, especialmente em tempo de crise, e mesmo as guerras são inevitáveis. 

Mas os fatos revelam que também existem fortes interesses convergentes entre as cinco nações que justificam a unidade dos Brics e explicam sua crescente projeção como grupo político em contraposição (a cada dia mais nítida e aberta) ao decrépito G7. São coisas que as viúvas do neoliberalismo não querem enxergar. A corrente comercial no interior do bloco, responsável hoje por mais de 50% do crescimento mundial, saltou “de US$ 27 bilhões em 2002 para estimados US$ 250 bilhões em 2011", conforme notou a presidente Dilma Rousseff.

Uma ordem obsoleta

O interesse maior do grupo, que vai ficando mais claro na medida em que a história avança, consiste precisamente na necessidade de mudança da presente ordem mundial, que se fundamenta em uma realidade econômica ultrapassada, fruto de uma correlação de forças que caducou em função do desenvolvimento desigual das nações.

Tal ordem, ancorada na hegemonia dos EUA e na liderança do dólar, foi desenhada nos acordos entre potências capitalistas firmados na cidade estadunidense de Bretton Woods em 1944, num momento em que a Segunda Guerra Mundial chegava ao fim. A força da economia dos EUA era avassaladora na ocasião e sua liderança no mundo capitalista incontestável e desejada por aliados em pânico com a expansão do socialismo soviético no leste europeu.

O cenário econômico internacional sofreu profundas mudanças ao longo das últimas décadas, com o declínio do poderio econômico relativo dos Estados Unidos, Europa e Japão, e a ascensão espetacular da China (maior exportadora do mundo e grande investidora e credora mundial) e, em segundo plano, outros países considerados “emergentes”.

Crise mundial

A crise mundial do capitalismo, iniciada no final de 2007 e ainda hoje em curso, aprofundou o processo de desenvolvimento desigual, reforçando o deslocamento da produção industrial do Ocidente para o Oriente e a necessidade objetiva de uma nova ordem internacional, que já não é meramente teórica e ganha corpo e concretude nas reuniões do Brics.

As bases econômicas da hegemonia imperialista dos EUA ruíram, de modo que a velha e caduca ordem proveniente de Bretton Woods é sustentada hoje pela hegemonia ideológica, assegurada pelos monopólios midiáticos, e pela supremacia militar dos EUA e da Otan, que por enquanto é incontestável. A crise, a instabilidade financeira e monetária, o tsunami monetário e o caos fiscal nos países ricos, sobretudo na União Europeia, são sinais inequívocos de falência.

Unidade contra os “ricos”

Realçar as divergências e os conflitos reais ou imaginários no interior do Brics é hoje um osso de ofício da ideologia dominante e reflete especialmente os interesses dos EUA e do G7 em conservar a atual ordem e suas instituições. 

A última (quarta) reunião dos Brics, realizada na Índia, avançou nesta direção ao propor iniciativas que apontam para o fim da hegemonia do dólar como moeda mundial, com acordos que preconizam relações comerciais e financeiras baseadas nas moedas dos países que compõem o grupo, a criação de um banco de desenvolvimento (em contraposição ao Banco Mundial), a revisão do sistema de cotas do FMI e Bird e a condenação dos desequilíbrios globais engendrados pela política econômica dos “países ricos”, com destaque para o tsunami monetário criticado por Dilma. 

Ao lado do crescimento das relações econômicas, a necessidade de transição a uma nova ordem mundial explica e justifica a unidade do grupo originado por um acrônimo que começou a ganhar forma, identidade e realidade política em 2009, quando realizou sua primeira reunião na cidade russa de Ekaterinburgo. O jogo mal começou.

*é jornalista

domingo, 25 de março de 2012

Os 90 anos do PCdoB e os comunistas das Alagoas



O Brasil esta em festa com as comemorações dos noventa anos do Partido Comunista do Brasil. Em todos os estados se realizam atividades, festas e atos para lembrar a bela história dos comunistas e reafirmar a convicção dos mesmos na construção do socialismo.

Os motivos para comemorar são muitos, o PCdoB se mantém firme como partido das causas mais avançadas, consegue aumentar sua influência em todos os espaços, cresce sua militância e desponta como uma força política capaz de assumir grandes desafios, como o faz no ministério dos esportes no governo da presidenta Dilma.

Em Alagoas os comunistas também têm muito o que comemorar. Primeiro pela história do partido que também é muito bela em nosso estado, grandes dirigentes e personalidades do partido atuaram ou saíram daqui. Para ser breve destaco alguns, como Octávio Brandão da geração dos fundadores, o Graciliano Ramos, e dirigentes atuais do partido como Aldo Rebelo e Eduardo Bomfim. São vários os comunistas alagoanos que cumprem tarefas em outros estados ou no próprio Comitê Central.

Temos que comemorar também pelo momento político que o partido vive em Alagoas, marcado pela retomada do crescimento das fileiras partidárias, pela entrada de personalidades da sociedade, de lideranças populares e da intelectualidade progressista. Pela retomada organizativa do partido, pela constituição de novos comitês municipais e reavivamento do trabalho em comitês importantes como é o caso de Maceió e Arapiraca.

Depois de alguns anos em certa estagnação o PCdoB tem se fortalecido em Alagoas, devemos observar esse fenômeno entendendo que isso foi fruto de acertos cometidos na política seguidos de avanços na organização e estruturação partidária. Deve-se observar que essa retomada no crescimento partidário se confirma após a 15° Conferência Estadual em 2009, onde o dirigente do partido, Eduardo Bomfim, assumiu a presidência estadual e a Comissão Política Estadual se fortaleceu como espaço de formulação e direção da política do partido.

Digo que essa retomada se confirma após a conferência de 2009 porque antes o partido passou por um momento de afirmação política e ideológica. Após um processo de reorganização depois da tentativa de liquidacionismos, o partido se firmou como Partido Comunista, não se descaracterizou e iniciou um processo de reorganização. Nesse processo o partido tentou crescer, mas com a política sem estar em sintonia com a organização partidária, teve um crescimento em que a lei dialética em que quantidade gera qualidade funcionou de forma não esperada pelos comunistas.

Bom, após a 15º conferência o partido inicia uma nova fase onde o projeto eleitoral de 2010 jogou papel para a retomada do crescimento que se seguiria. Os acertos na política, como sempre, jogaram o partido para frente. Inserido na luta política o PCdoB conseguiu ampliar sua influencia na sociedade e se reafirmou ainda mais como força política ativa e como alternativa para o povo.

A 16º Conferência Estadual em 2011 representou um momento onde podemos observar como a justa orientação política em conjunto com a organização pode potencializar o crescimento do partido, dessa vez a lei dialética funcionou como esperavam os comunistas, o partido cresceu em militância e fortaleceu os fóruns partidários, com estruturas definidas que funcionam.

Crescemos nossa influência em diversos espaços, aumentamos nossa militância na juventude e entre os trabalhadores, em especial os rurais. Sem falar que com o início da construção do projeto eleitoral de 2012 do partido ainda em 2011, nós teremos mais de 300 candidatos a vereador, sendo diversas chapas próprias inclusive a da capital.

O partido conseguiu avançar também na sua formulação teórica, diante do nosso Programa Socialista e do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, os comunistas alagoanos elaboraram e aprovaram na sua conferência as linhas gerais para um Novo Projeto de Desenvolvimento para Alagoas. A militância do PCdoB-AL carrega consigo não só o Programa Socialista mais também a cartilha “Alagoas – os grandes desafios”.

O PCdoB realizou uma grande renovação em seus espaços de direção no estado durante os últimos anos, garantindo a presença das mais variadas gerações de comunistas nos espaços de direção e sem abrir mão da experiência dos camaradas já testados na luta. Essa renovação se dá em relação aos jovens etariamente falando, como é o caso de Claudia Petuba, 2º vice-presidente estadual, de Mirelly Câmara, Presidente do partido em Maceió, e de mim também que faço parte da Comissão Política. Mas ela se dá também aos jovens em relação ao tempo de militância partidária, vários novos camaradas entraram no Comitê Estadual e são eles que compõem na maioria os Comitês Municipais.

O ano de 2012 começou à pouco e sabemos que temos grandes desafios a superar ainda nesse ano, os esforços feitos podem dar ao partido nessas eleições um grande salto, aumentando ainda mais a sua influencia e conquistando mais jovens, trabalhadores e mulheres para as fileiras partidárias.

Comemorar 90 anos de história e manter a mesma disposição, de fato não é pra qualquer um, o PCdoB faz isso porque mantém bem alta a luta pela democracia, soberania nacional e pelo socialismo. Sempre estivemos ao lado dos trabalhadores e a favor das mudanças. Vivemos um bom momento no Brasil e em Alagoas, mais sabemos que ainda precisamos avançar muito para cumprirmos os nossos objetivos, é com a certeza de que estamos no caminho certo e a convicção de que venceremos que prosseguimos lutando em defesa dos trabalhadores e por uma nação soberana, pelo Brasil socialista!

PCdoB: 90 anos de luta pelo socialismo!



O dia 25 de março é carregado de um simbolismo muito grande para história da luta dos trabalhadores brasileiros, foi justamente nesse dia, há 90 anos que a classe trabalhadora deu um importante passo na sua compreensão enquanto classe, através da fundação do Partido Comunista do Brasil.


Eram nove delegados, na maioria jovens, que representavam menos de uma centena de militantes. O que esses homens fizeram há noventa anos na cidade de Niterói foi de uma importância tão grande, que contar a história de nosso país sem considerar as consequências desse feito é no mínimo usar de má-fé. 

O Partido Comunista surge com a união de grupos comunistas que começaram a se organizar no Brasil no início do século XX, instigados com as notícias da revolução russa de 1917. A maioria desses homens eram anarquistas no início, mas com a revolução russa e a chegada da notícia que foi um tal de Partido Comunista que a liderou, homens como Astrojildo Pereira puderam perceber os limites do anarquismo e a necessidade da classe trabalhadora entrar na luta política através de seu partido, o Partido Comunista. 

Os 90 anos do PCdoB são marcados pela luta em defesa dos trabalhadores, da liberdade, da democracia, da soberania nacional e do socialismo. Nesses 90 anos se enfrentou brutais perseguições, torturas, gigantesca propaganda anticomunista, delatores e desvios de esquerda ou de direita. Mas uma coisa é comum nesses noventa anos, o Partido sempre encontrou acolhimento entre os trabalhadores e o povo, justamente porque ele é a força política que leva ao mais alto nível as lutas pela conquista dos mais profundos anseios do povo. 

Na passagem dos 90 anos, a Comissão Política Nacional do PCdoBdivulgou um manifesto ao povo brasileiro, nele se mostra como a história do partido se confundi com a própria história do país. No manifesto, são apresentadas as gerações de comunistas que dedicaram o que tinham de melhor ao partido, bem como apresenta três personalidades que vincaram seus nomes na luta dos comunistas. São eles: Astrojildo Pereira, da geração dos fundadores, que colocou o partido na luta política; Luis Carlos Preste, que liderou o partido até 1960; e João Amazonas que entrou no partido em 1935 e liderou a geração que o reorganizou em 1962 até a eleição de Lula em 2002. 

A coragem dos fundadores do partido, que lá em 1922 ergueram a bandeira da revolução e ajudaram a organizar a classe operaria, bem como a coragem e convicção ideológica de combatentes como João Amazonas, Maurício Grabois e Pedro Pomar que enfrentaram o desvio oportunista de direita dentro do partido e mantiveram a bandeira da revolução em pé, são exemplos que fazem com que a atual geração se mantenha convicta e que levante essa bandeira cada vez mais alto. 

O PCdoB é hoje um dos partidos que mais cresce, possui grande influência entre a juventude e os trabalhadores. É um partido contemporâneo, antenado com o seu tempo e mantém sua identidade comunista, é um partido marxista-leninista, revolucionário. Ao completar 90 anos comemora não só a sua bela história de heroísmos e luta, mais comemora também o fato de hoje esta vivendo o seu melhor tempo, em breve será um partido de meio milhão de filiados e possui um Programa Socialista para o Brasil. 

A história do PCdoB confirma sua tradição de lutas e objetivos revolucionários, o credencia como uma das principais instituições políticas desse país. E é o seu atual Programa Socialista que o coloca como a força política capaz de conduzir os trabalhadores rumo à transformação da sociedade, é o programa do PCdoB que o credencia como força capaz de levar o Brasil à uma nação soberana, forte e socialista! 

A atual geração de comunistas, liderada por Renato Rabelo, consciente dos desafios impostos no mundo de hoje, das pressões contra a existência de um partido como o PCdoB, encontra nas gerações passadas e na orientação justa do atual programa a força necessária para junto com o povo construir um Brasil justo e soberano, um Brasil socialista! 

Viva o PCdoB! 

Viva o Brasil! 

Viva o Socialismo! 

sexta-feira, 23 de março de 2012

PCdoB-AL na TV!

Olá!

Depois de um bom tempo volto a postar algo por aqui. Na verdade estou fazendo alguns testes de modelos de Blog depois que o meu antigo acabou "se destruindo".

Bom, reproduzo aqui no Blog o vídeo do PCdoB-AL que esta sendo veiculado nos meios de comunicação, trata-se da inserção do Partido. Quero antes do aniversário de 90 anos do PCdoB, domingo, retomar este espaço, fazendo dele uma trincheira na luta de ideias.

Por enquanto, curtam o vídeo:

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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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