sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Os comunistas não fogem à luta


Um dos principais aprendizados dos comunistas na trajetória de quase 90 anos de existência do Partido Comunista do Brasil é a de nunca esperar facilidades e jamais se curvar ante as adversidades e as dificuldades da luta.

O PCdoB não foge à luta – nunca fugiu. Enfrenta, agora, uma saraivada de ataques, mentiras e ironias que a mídia capitalista difunde na tentativa de enlamear essa história construída com dignidade e luta, de cabeça erguida, em defesa do socialismo, da democracia, dos trabalhadores e da Pátria.

Não é a primeira vez que o Partido e os comunistas são caluniados. O anticomunismo renitente de parcela das classes dominantes brasileiras – principalmente daquela parte da qual o noticiário baseado em calúnias é ventríloquo – hoje se manifesta através de mentiras e ironias. A tinta da outra violência, que foi intensa no passado e ainda está presente na luta social em que os comunistas atuam, é o sangue dos comunistas. Ele deixou a digital vermelha dos heróis do povo presos, torturados, deportados e assassinados, que marca a história brasileira de maneira indelével e sinaliza o preço pago pela ousadia de lutar contra os privilégios das classes dominantes, contra as ditaduras e contra as ameaças de dominação estrangeira em nosso país.

Os comunistas nunca baixaram a crista, não importa o preço a ser pago. Não se enganam – nunca se enganaram – quanto ao tamanho da tarefa histórica civilizatória que lhes cabe e quanto às dificuldades para lutar por ela.

As adversidades de todos os tipos enfrentadas pelos comunistas desde 1922 foram, e são, manifestações da luta de classes. As classes dominantes também usam diferentes formas de luta – ora a violência sangrenta, sempre a violência da calúnia. É um embate sem escrúpulos, cujo único objetivo é erigir obstáculos à luta do povo pela democracia, pelo desenvolvimento nacional, pela soberania da Pátria – bandeiras democráticas e populares que os comunistas se orgulham de manter erguidas bem alto.

A tarefa dos comunistas é imensa e ambiciosa: derrotar o capitalismo, cuja manifestação
mais radical, hoje, é o neoliberalismo, organizar as forças do progresso social (trabalhadores, empresários da produção e governo) e criar as condições para o início da transição a uma nova fase civilizatória, a construção do socialismo. Foi com esta bandeira que o Partido Comunista do Brasil cresceu no período neoliberal, contrariando o anúncio do “fim da história” e do fracasso do socialismo.

O PCdoB foi um dos construtores da vitória do presidente Luís Inácio Lula da Silva em 2002 e da abertura de uma nova página, promissora e progressista, na história brasileira. Assumiu suas responsabilidades perante o governo, e o trabalho do ministro Orlando Silva na pasta do Esporte é um exemplo do denodo, dedicação, responsabilidade e espírito público (republicano, como se diz) com que os comunistas assumem suas tarefas e desdobram-se em grandes esforços para fazer muito com pouco.

É uma situação nova na qual, contrariando as expectativas e vaticínios conservadores, o PCdoB cresceu, limpo e de peito aberto, vivendo hoje a melhor fase de sua longa história de noventa anos. Não ficou restrito ao gueto em que a direita espera confinar os partidos “revolucionários” que ela até pode aceitar desde que não alcancem o coração dos brasileiros.

O PCdoB não aceita ser confinado. Fala para milhões, ajuda o povo a compreender a luta política (luta de classes), a organizar-se, mobilizar-se e ser protagonista da mudança histórica que o país vive.

Daí o Partido ser transformado em alvo dos ataques da direita. Os comunistas, o PCdoB, nunca aceitaram, nem aceitam, qualquer forma de irregularidade, de mal uso do dinheiro público, de acomodação ao poder, de benefícios ilegais ou moralmente duvidosos. Não faz parte da tradição comunista compactuar com esse lodaçal, mas sim de combate-lo com vigor.

A tradição comunista, de Astrojildo Pereira, Luís Carlos Prestes, João Amazonas e das legiões de comunistas que estes nomes históricos representam, jamais aceitou qualquer facilidade ou desvio. Não é para isso que o PCdoB existe e mobiliza a vanguarda dos trabalhadores, mas para lutar pelo progresso social, por um novo avanço civilizatório, pelos interesses populares, dos trabalhadores, da democracia e da Pátria. O PCdoB é – sempre foi – um partido de luta, que não se intimida ante as adversidades. “Já enfrentamos ditaduras e detratores como esse há 90 anos. Isso não nos intimida”, indigna-se o presidente nacional Renato Rabelo. “O PCdoB não tem medo. É da história do PCdoB a luta pela verdade”, diz a deputada comunista deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC). O PCdoB não aceita calúnias, diz o senador comunista Inácio Arruda (PCdoB-CE). “Nós estamos prestes a completar 90 anos de idade porque topamos comprar e enfrentar todas as batalhas no campo político e ideológico”, disse com orgulho.

Na mídia capitalista, conservadora e neoliberal, há os que dizem que o Partido é “fora de moda”; outros alegam que é pequeno ante suas responsabilidades no governo (entre elas o Ministério do Esporte).

Nada disso é estranho: causaria espanto se, ao contrário, estes ventríloquos conservadores concordassem com o Partido e elogiassem sua política e suas atitudes. Algo estaria errado com o Partido se alcançasse alguma forma de complacência no campo conservador.

É preciso insistir: trata-se da luta de classes, da qual o Partido e os comunistas não fogem, e na qual lutam com todas suas forças contra o conservadorismo e a nostalgia fascista mal disfarçada destes pregoeiros da “modernidade” neoliberal.

Os comunistas têm um programa claro para a verdadeira modernidade do Brasil e de seu povo. Querem o desenvolvimento nacional e a transição para o socialismo. Querem o futuro, e não o passado; enfrentam os desafios contemporâneos no campo onde eles se colocam e lutam pelo bem estar do povo, pela democracia e pelo socialismo, e contra todas as manifestações do imperialismo. São alvos de ataques indignos e mentirosos justamente por não se omitirem – nunca foram omissos – mas se empenharem com vigor nesta luta que é a velha e permanente luta de classes. Venceremos!

20/10/2011
Editorial do Portal Vermelho

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Recomendo: Chico de Assis - Poesia


Gente,

Com um novo visual o Blog do poeta e ator, Chico de Assis, esta cada vez melhor!

O visual novo, a poesia e as belas palavras de sempre tornam obrigatório o acesso dos amantes da poesia à página na internet do grande Chico de Assis.


Aproveito para reproduzir aqui o “Mundo do Menino Impossível” de Jorge de Lima por Chico de Assis:

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Ficha Técnica:
Intérprete - Chico de Assis
Direção - Marco Aurélio, Rubens Pablo Suassuna
Produção - M.A. Produções
Edição - Rubens Pablo Suassuna, Gildeon Santos (ZaZo)

Os homens de bem apoiam Orlando contra as calúnias da Veja


As calúnias lançadas contra o ministro do Esporte Orlando Silva e contra seu partido, o PCdoB, por uma revista ignóbil publicada na capital paulista, é o melhor exemplo da necessidade, da imposição, de uma legislação para regular a mídia e democratizar os meios de comunicação. Dando voz a um bandido processado pela justiça, a revista Veja iniciou um linchamento público do ministro e seu partido a partir de acusações feitas pelo autor das calúnias como forma de tergiversar o crime cometido por ele próprio, a apropriação de recursos obtidos em convênios assinados com o ministério do Esporte em 2006 e 2008, sem a menor preocupação em tornar realidade os compromissos assumidos.

Não há pessoa de boa fé que possa dar crédito a um acusador – o policial militar João Dias Ferreira – que lança mentiras, e é acolhido por uma revista que se apresenta como séria, justamente em retaliação contra a atitude correta tomada pelo ministério do Esporte, de acioná-lo policialmente e judicialmente por não cumprir os convênios assinados com o programa Segundo Tempo e embolsar os valores correspondentes. E contra quem correm na justiça onze processos criminais. O Ministério do Esporte exige que o caluniador devolva mais de R$ 3 milhões dos quais se apropriou.

O caluniador alega, sem provas, que há um conluio para desviar dinheiro público no Ministério do Esporte, e aumenta a mentira para atingir o Partido Comunista do Brasil dizendo que eram recursos destinados ao partido.

O conjunto de mentiras vem sendo desmascarado por Orlando Silva e pelo PCdoB desde o sábado, dia 15, quando o panfleto da editora Abril chegou às bancas de jornal. As denúncias, acusou o ministro, “foram feitas por bandido". Orlando Silva repudia “veementemente as falsidades publicadas. Esse é o ponto de partida, porque é inaceitável que mentiras cuja fonte são bandidos, criminosos, tenham a repercussão que tiveram”. E tomou imediatamente as medidas inadiáveis num caso escabroso como este: pediu que os órgãos investigatórios do governo (Polícia Federal, Ministério Público Federal e Controladoria Geral da União) entrassem no caso para restabelecer a verdade. Abriu todos seus sigilos (bancário, telefônico e fiscal) e pediu para ser ouvido pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República para “demonstrar a farsa publicada na revista Veja”, além de insistir em comparecer a uma audiência pública na Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos. A audiência ocorreu na tarde de hoje (dia 18) e dela ele “saiu maior do que entrou”, como opinaram vários parlamentares, nem todos da base de apoio ao governo, impressionados com a firmeza e qualidade de argumentação do ministro e com a consistência dos dados apresentados que atestam a lisura com que o ministério gerencia seus programas, controla seu desenvolvimento e fiscaliza a aplicação do dinheiro público.

Quem ganha com as acusações falsas acolhidas pelo mau jornalismo da revista Veja? Pode-se pensar em algumas hipóteses. A mais visível é a compulsão em promover ataques de baixo nível contra o governo da presidente Dilma Rousseff. Mal as calúnias chegaram às bancas, levantou-se o coro direitista e conservador entoando ladainhas como “mais um”, pedindo a demissão do ministro alegando a lisura da investigação, apontando para “dificuldades” do governo, prenunciando mais uma crise no capítulo da “faxina”. A pronta reação do governo, iniciada pela própria Dilma Rousseff, não deu aval a estes pregoeiros da crise.

Há também a intensão clara de atacar o PCdoB que vive, nestes últimos anos, um dos melhores momentos de sua longa e profícua história de 90 anos a serviço do socialismo, da democracia, dos trabalhadores e da Pátria. História que a calúnia tenta enxovalhar mas sem êxito, pois se defronta com o sentimento nacional que valoriza o partido e sua trajetória, como ficou claro pelo depoimento de vários parlamentares durante a audiência em que o ministro desmontou a farsa e na reação de muita gente contra as mentiras publicadas pela revista.

Estas hipóteses frequentam o campo político e traduzem a luta de classes em baixo nível praticada pelos conservadores e pela direita que, incapazes de enfrentar o governo federal e o Partido Comunista do Brasil no campo das ideias e das propostas, tentam arrastá-los para o charco em que convivem e no qual se debatem

Charco ilustrado pela outra hipótese que emerge neste caso. É no mínimo curioso pensar que esta acusação surge exatamente no momento em que o governo brasileiro enfrenta a pretensão descabida da FIFA de eliminar a meia-entrada para jovens e idosos na Copa do Mundo de 2014, permitir o consumo de bebidas alcóolicas durante os jogos, e pede o endurecimento da lei contra a pirataria para proteger seus interesses na venda de quinquilharias ligadas àquele evento esportivo.

A atitude da presidente Dilma Rousseff foi de recusa firme contra esta intromissão da FIFA na soberania brasileira, deixando claro que a lei precisa ser cumprida, e será. E o ministro Orlando Silva é o executor dessa política, não apenas por ser membro do governo, mas por convicção pessoal, política e patriótica.

A defesa do governo e do ministro Orlando Silva significa a defesa da transparência e honestidade na aplicação dos recursos públicos. A calúnia contra o ministro foi a forma canhestra de vingança de um desclassificado que é réu em um processo iniciado pelo Ministério justamente por ter embolsado dinheiro público e não cumprir as obrigações estipuladas pelo convênio que assinou.

O criminoso tenta se vingar da autoridade que cumpre a lei. Defender o governo e o ministro tem, assim, o sentido republicano de colocar o interesse público acima de tudo e exigir que a lei seja cumprida. Defender o ministro e o governo significa também lutar contra a imprensa de baixo nível, caluniosa e irresponsável, e fixar o princípio de que o serviço público prestado pelos meios de comunicação é difundir a verdade e não a mentira. Exigir o cumprimento do princípio democrático de que todos são responsáveis por seus atos e palavras e pela preservação intransigente da honra e da integridade das pessoas, que não podem ficar à mercê das calúnias acolhidas por veículos de comunicação que desinformam e usam a luta contra a corrupção como um biombo frágil para esconder interesses que não podem confessar.

Contra a Veja, contra a mídia caluniadora, Orlando Silva tem o respeito de seu partido, de seus camaradas, dos homens de bem e daqueles que querem, de fato, varrer do cenário público práticas corruptas e mentirosas que a sociedade brasileira condena e não aceita mais. "Estou confiante para que a verdade seja reestabelecida, não é possível que um criminoso se converta numa fonte de verdade", disse o ministro. Ele tem razão, e a parte do país que quer a democracia, o progresso, o bem estar do povo e a luta política limpa e às claras, está com ele!

18/10/2011
Editorial do Portal Vermelho
terça-feira, 11 de outubro de 2011

Vem aí: Raul Seixas - O Início, o Fim e o Meio


Finalmente! Quem gosta (como eu) das músicas de Raul Seixas sabe que já estava mais do que na hora de um longa que resgatasse a vida desse ídolo e pai do Rock em nosso país.

Pois é, no dia 17 desse mês será lançado no festival do Rio o filme “Raul Seixas – O Início, o Fim e o Meio” do conceituado diretor Walter Carvalho, ele mesmo! O diretor de “Janela da Alma” e “Cazuza”.

Bom, enquanto o filme não chega por aqui, vamos de Trailer:

Ocupar Wall Street é avanço da luta popular nos EUA


Os protestos populares contra a crise econômica, a ganância da especulação financeira e o servilismo dos governos ante o grande capital e os banqueiros desembarcaram em Nova York (EUA) em 17 de setembro, ganhando visibilidade depois da “ajuda” da polícia local que, em 1º de outubro, prendeu 700 manifestantes, acendendo o pavio nacional da indignação.

Desde então, o movimento Ocupem Wall Street espalhou-se pelos EUA e fortaleceu a reação popular anticapitalista que se espalha pelo mundo.

É cedo ainda para se saber a extensão e profundidade do movimento e qual o rumo político que pode tomar. Mas uma verdade fica patente e é reconhecida inclusive pelos adversários direitistas da luta popular, políticos republicanos defensores dos magnatas de Wall Street: esta verdade é o sentimento anticapitalista que aflora naquelas manifestações. No dia 1º de outubro, o cartaz de uma manifestante foi uma clara indicação nesse sentido: “Capitalismo é crime organizado”, dizia sem rodeios. Outros cartazes diziam: “façam postos de trabalho e não cortes”, “cobrem imposto de Wall Street”, e outras reivindicações do mesmo teor.

As bandeiras de luta dos manifestantes, que ganharam a adesão e o apoio de vários sindicatos e entidades do movimento social, conclamam à união popular contra a crise e as ações do governo que protegem os especuladores financeiros e os banqueiros.

Proposto por uma organização chamada Occupy Wall Street (Ocupem Wall Street), que se define como um movimento de resistência, sem lideranças, que representa os “99% que não vão mais tolerar a ganância e a corrupção dos 1%”, o manifesto que sintetiza os objetivos do protesto pede a permanência, crescimento e organização do movimento; que os trabalhadores façam greves, ocupem seus locais de trabalho e os organizem democraticamente; que os desempregados se apresentem como voluntários para ensinar os demais sobre suas habilidades; a realização de assembleias populares nas praças e cidades; a ocupação de prédios, terrenos e propriedades abandonados pelos especuladores para serem locais de organização popular.

Ele revela o propósito do movimento: organizar os trabalhadores para a luta contra a ganância capitalista. O número de sindicatos que aderem é crescente. Só em Nova York foram quinze, entre eles o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes (TWU – Transport Workers Union) e o Sindicato dos Professores (United Federation of Teachers). Na semana passada, a poderosa e controversa AFL-CIO (a principal central sindical dos EUA) manifestou sua simpatia e apoio. É um leque que abarca metalúrgicos, metroviários, enfermeiras, aposentados, desempregados, etc. E entidades do movimento social como a Coalizão dos Sem Teto, que reúne aqueles que foram expulsos de suas casas por não poder pagar as prestações, em virtude da crise econômica.

A crise econômica nos EUA, que eclodiu em 2007 e se aprofundou em 2009, vai ganhando os contornos da terceira maior crise do capitalismo desde o século 19. Ela é o resultado de décadas de desregulamentação dos mercados financeiros, que tirou todos os freios à especulação, de cortes de impostos dos ricos, de precarização das relações de trabalho e redução dos direitos sociais.

O resultado dramático é visível nos números do empobrecimento crescente, que é a contrapartida do enriquecimento inédito e escandaloso de uma minoria – os 1% ao qual se refere o manifesto do Ocupem Wall Street.

Os dados oficiais são inequívocos. O desemprego bate nos 10% dos trabalhadores e a miséria atinge 46 milhões, que sobrevivem abaixo da linha da pobreza. Tudo isso transparece em cenas de desalento, perdas de moradias, multiplicação de moradores de rua e de pessoas que muitas vezes não têm nada para comer.

No lado oposto, o dos privilegiados, a soma da riqueza dos 400 maiores milionários equivale à de mais da metade da população, 180 milhões de estadunidenses. Isto é, cada um daqueles felizardos tem a riqueza somada de 450 mil pessoas “comuns”. E, mesmo na crise, seu patrimônio tem crescido.

Embora ainda não usem a palavra “socialismo”, os manifestantes estadunidenses vão deixando claro seu descrédito em relação sistema capitalista dominante e em sua capacidade (esgotada há muito tempo) de propor soluções para os problemas da humanidade. Nesse sentido, eles apontam para o futuro – eles são, de fato, a modernidade que muita gente atribui, por outras e equívocas razões, aos EUA.

10/10/2011

Editorial do Portal Vermelho
domingo, 9 de outubro de 2011

Hasta Siempre Comandante Che Guevara!


Há 44 anos, no dia 09 de outubro de 1967 no pequeno povoado boliviano de La Higuera, tombava o líder revolucionário latino-americano Ernesto Che Guevara.

Sua obra, ação e disciplina revolucionária é até hoje lembrada. O comandante Guevara foi um exemplo e inconteste líder de todos que sonham com um mundo justo e com a superação de todo tipo de exploração, em especial, a do homem pelo homem.

Como esse dia não pode passar batido (e realmente não passa). Presto, aqui no Blog, minha singela homenagem ao CHE, com a canção “Hasta Siempre Comandante Che Guevara” do grupo “Buena Vista Social Club” da heroica Cuba.

sábado, 8 de outubro de 2011

A coisa mais importante do mundo



A intelectual e ativista canadense fez um discurso histórico à Assembleia Geral do movimento Ocupar Wall Street.

Por Naomi Klein

Tradução e nota introdutória de Idelber Avelar


Naomi Klein é hoje uma das principais intelectuais e militantes anticapitalistas do planeta. Jovem (nasceu em 1970), apaixonada, corajosa, de brilhante trânsito por uma série de disciplinas e potente domínio da retórica, ela já se destacara como figura central nos protestos de 1999 contra a financeirização do mundo. Em 2000, lançou No Logo, uma crítica das multinacionais e do seu uso do trabalho escravo. Mas foi seu terceiro livro, A Doutrina do Choque: A Ascensão do Capitalismo do Desastre, que a elevou à condição de uma das principais intelectuais de esquerda do mundo. Com capítulos sobre os EUA, a Inglaterra de Thatcher, o Chile de Pinochet, o Iraque pós-invasão, a África do Sul, a Polônia, a Rússia e os tigres asiáticos, Klein demonstra como o capitalismo contemporâneo funciona à base da produção de desgraças, apropriando-se delas para o contínuo saqueio e privatização da riqueza pública. De família judia, Klein participou, em 2009, durante o massacre israelense a Gaza, da campanha “Desinvestimento, Sanções e Boicote” (BDS) contra Israel. Num discurso em Ramalá, pediu perdão aos palestinos por não ter se juntado antes à campanha BDS.
Nesta quinta-feira, 06 de outubro, Naomi Klein compareceu, convidada, à Assembleia Geral de Nova York. A amplificação foi banida pela polícia. Não havia microfones. Num inesquecível gesto, a multidão mais próxima a Klein repetia suas frases, para que os mais distantes pudessem ouvir e, por sua vez, repeti-las também. Era o "microfone humano". O memorável discurso de Klein foi assistido por dezenas de milhares de pessoas via internet. A Fórum publica o texto em português em primeira mão. É um comovente documento da luta de nosso tempo.
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Eu amo vocês.
E eu não digo isso só para que centenas de pessoas gritem de volta “eu também te amo”, apesar de que isso é, obviamente, um bônus do microfone humano. Diga aos outros o que você gostaria que eles dissessem a você, só que bem mais alto.
Ontem, um dos oradores na manifestação dos trabalhadores disse: “Nós nos encontramos uns aos outros”. Esse sentimento captura a beleza do que está sendo criado aqui. Um espaço aberto (e uma ideia tão grande que não pode ser contida por espaço nenhum) para que todas as pessoas que querem um mundo melhor se encontrem umas às outras. Sentimos muita gratidão.
Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise econômica, isso está acontecendo no mundo todo.
Só existe uma coisa que pode bloquear essa tática e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão tomando as ruas, de Madison a Madri, para dizer: “Não. Nós não vamos pagar pela sua crise”.
Esse slogan começou na Itália em 2008. Ricocheteou para Grécia, França, Irlanda e finalmente chegou a esta milha quadrada onde a crise começou.
“Por que eles estão protestando?”, perguntam-se os confusos comentaristas da TV. Enquanto isso, o mundo pergunta: “por que vocês demoraram tanto? A gente estava querendo saber quando vocês iam aparecer.” E, acima de tudo, o mundo diz: “bem-vindos”.
Muitos já estabeleceram paralelos entre o Ocupar Wall Street e os assim chamados protestos anti-globalização que conquistaram a atenção do mundo em Seattle, em 1999. Foi a última vez que um movimento descentralizado, global e juvenil fez mira direta no poder das corporações. Tenho orgulho de ter sido parte do que chamamos “o movimento dos movimentos”.
Mas também há diferenças importantes. Por exemplo, nós escolhemos as cúpulas como alvos: a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o G-8. As cúpulas são transitórias por natureza, só duram uma semana. Isso fazia com que nós fôssemos transitórios também. Aparecíamos, éramos manchete no mundo todo, depois desaparecíamos. E na histeria hiper-patriótica e nacionalista que se seguiu aos ataques de 11 de setembro, foi fácil nos varrer completamente, pelo menos na América do Norte.
O Ocupar Wall Street, por outro lado, escolheu um alvo fixo. E vocês não estabeleceram nenhuma data final para sua presença aqui. Isso é sábio. Só quando permanecemos podemos assentar raízes. Isso é fundamental. É um fato da era da informação que muitos movimentos surgem como lindas flores e morrem rapidamente. E isso ocorre porque eles não têm raízes. Não têm planos de longo prazo para se sustentar. Quando vem a tempestade, eles são alagados.
Ser horizontal e democrático é maravilhoso. Mas esses princípios são compatíveis com o trabalho duro de construir e instituições que sejam sólidas o suficiente para aguentar as tempestades que virão. Tenho muita fé que isso acontecerá.
Há outra coisa que este movimento está fazendo certo. Vocês se comprometeram com a não-violência. Vocês se recusaram a entregar à mídia as imagens de vitrines quebradas e brigas de rua que ela, mídia, tão desesperadamente deseja. E essa tremenda disciplina significou, uma e outra vez, que a história foi a brutalidade desgraçada e gratuita da polícia, da qual vimos mais exemplos na noite passada. Enquanto isso, o apoio a este movimento só cresce. Mais sabedoria.
Mas a grande diferença que uma década faz é que, em 1999, encarávamos o capitalismo no cume de um boom econômico alucinado. O desemprego era baixo, as ações subiam. A mídia estava bêbada com o dinheiro fácil. Naquela época, tudo era empreendimento, não fechamento.
Nós apontávamos que a desregulamentação por trás da loucura cobraria um preço. Que ela danificava os padrões laborais. Que ela danificava os padrões ambientais. Que as corporações eram mais fortes que os governos e que isso danificava nossas democracias. Mas, para ser honesta com vocês, enquanto os bons tempos estavam rolando, a luta contra um sistema econômico baseado na ganância era algo difícil de se vender, pelo menos nos países ricos.
Dez anos depois, parece que já não há países ricos. Só há um bando de gente rica. Gente que ficou rica saqueando a riqueza pública e esgotando os recursos naturais ao redor do mundo.
A questão é que hoje todos são capazes de ver que o sistema é profundamente injusto e está cada vez mais fora de controle. A cobiça sem limites detona a economia global. E está detonando o mundo natural também. Estamos sobrepescando nos nossos oceanos, poluindo nossas águas com fraturas hidráulicas e perfuração profunda, adotando as formas mais sujas de energia do planeta, como as areias betuminosas de Alberta. A atmosfera não dá conta de absorver a quantidade de carbono que lançamos nela, o que cria um aquecimento perigoso. A nova normalidade são os desastres em série: econômicos e ecológicos.
Estes são os fatos da realidade. Eles são tão nítidos, tão óbvios, que é muito mais fácil conectar-se com o público agora do que era em 1999, e daí construir o movimento rapidamente.
Sabemos, ou pelo menos pressentimos, que o mundo está de cabeça para baixo: nós nos comportamos como se o finito – os combustíveis fósseis e o espaço atmosférico que absorve suas emissões – não tivesse fim. E nos comportamos como se existissem limites inamovíveis e estritos para o que é, na realidade, abundante – os recursos financeiros para construir o tipo de sociedade de que precisamos.
A tarefa de nosso tempo é dar a volta nesse parafuso: apresentar o desafio à falsa tese da escassez. Insistir que temos como construir uma sociedade decente, inclusiva – e ao mesmo tempo respeitar os limites do que a Terra consegue aguentar.
A mudança climática significa que temos um prazo para fazer isso. Desta vez nosso movimento não pode se distrair, se dividir, se queimar ou ser levado pelos acontecimentos. Desta vez temos que dar certo. E não estou falando de regular os bancos e taxar os ricos, embora isso seja importante.
Estou falando de mudar os valores que governam nossa sociedade. Essa mudança é difícil de encaixar numa única reivindicação digerível para a mídia, e é difícil descobrir como realizá-la. Mas ela não é menos urgente por ser difícil.
É isso o que vejo acontecendo nesta praça. Na forma em que vocês se alimentam uns aos outros, se aquecem uns aos outros, compartilham informação livremente e fornecem assistência médica, aulas de meditação e treinamento na militância. O meu cartaz favorito aqui é o que diz “eu me importo com você”. Numa cultura que treina as pessoas para que evitem o olhar das outras, para dizer “deixe que morram”, esse cartaz é uma afirmação profundamente radical.
Algumas ideias finais. Nesta grande luta, eis aqui algumas coisas que não importam:
Nossas roupas.
Se apertamos as mãos ou fazemos sinais de paz.
Se podemos encaixar nossos sonhos de um mundo melhor numa manchete da mídia.

E eis aqui algumas coisas que, sim, importam:
Nossa coragem.
Nossa bússola moral.
Como tratamos uns aos outros.
Estamos encarando uma luta contra as forças econômicas e políticas mais poderosas do planeta. Isso é assustador. E na medida em que este movimento crescer, de força em força, ficará mais assustador. Estejam sempre conscientes de que haverá a tentação de adotar alvos menores – como, digamos, a pessoa sentada ao seu lado nesta reunião. Afinal de contas, essa será uma batalha mais fácil de ser vencida.
Não cedam a essa tentação. Não estou dizendo que vocês não devam apontar quando o outro fizer algo errado. Mas, desta vez, vamos nos tratar uns aos outros como pessoas que planejam trabalhar lado a lado durante muitos anos. Porque a tarefa que se apresenta para nós exige nada menos que isso.
Tratemos este momento lindo como a coisa mais importante do mundo. Porque ele é. De verdade, ele é. Mesmo.

Histórias que marcam os 30 anos rebeldes de reconstrução da Ubes



Reproduzo a seguir vídeo produzido pela TV Cuca, que rememora os 30 anos que se sucederam no Brasil após a reconstrução da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, a Ubes, em 1981. Em destaque, o "Fora Collor", momento auge da trajetória desses meninos e meninas, que seguem até os dias de hoje irradiando as aspirações de novas gerações de brasileiros.

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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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