domingo, 8 de maio de 2011

Revista Príncípios comemora trinta anos de ideias avançadas



Com mais de oito mil páginas publicadas, a revista “Princípios” comemorou seus trinta anos rememorando o itinerário de elaboração teórica e política do pensamento marxista e progressista nesse período. Uma revista aberta, plural e de princípios definidos, segundo o editor Adalberto Monteiro. Esse rico acervo está disponibilizado em DVD. Nele se encontram reunidos quase dois mil textos produzidos por cerca de 500 colaboradores, abordando os mais diversos temas.
Adalberto Monteiro

(Mesa da solenidade, da esq. para dir.: Jamil Murad, vereador (PCdoB-SP); Pedro de Oliveira, jornalista; Cristina Soreanu Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Unifesp; Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB; João Carlos "Juruna", secretário-geral da Força Sindical; e Nivaldo Santana, vice-presidente da CTB).
Quando as colheitas são fartas, as festas se realizam. A frase de Adalberto Monteiro, presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da revista Princípios, sintetizou a comemoração dos trinta anos da revista em um ato realizado na noite de quinta-feira (5) no Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo. Falando para um auditório repleto, ele recorreu à cultura do campo para expressar a “farta colheita no âmbito das ideias” representada pela passagem do trigésimo aniversário de Princípios. Adalberto Monteiro percorreu a trajetória da revista, lembrando, de início, o papel do seu fundador, o “destacado marxista” João Amazonas, “liderança histórica da esquerda e dos comunistas brasileiros”. 


O editor de Princípios pontuou a conjuntura em que a revista nasceu, lembrando que em 1981 uma frente oposicionista preparava a ofensiva final pela democracia. Nasceu engajada na luta pela liberdade, asseverou. Para Adalberto Monteiro, nestes trinta anos de circulação ininterrupta as 112 edições de Princípios se dedicaram à elaboração de ideias para um novo Brasil. “Considero que na era da dominância do monopólio midiático, a revista tem fomentado o pensamento crítico e um olhar revolucionário sobre os temas da atualidade”, afirmou. Segundo ele, o objetivo foi oferecer uma análise dos problemas contemporâneos sob outra perspectiva, diversa daquela veiculada pela grande mídia em suas coberturas tendenciosas e superficiais.

Adalberto Monteiro revelou que a coleção de Princípios conta com mais de 8 mil páginas e seu índice remissivo demonstra o precioso rol de intelectuais, pesquisadores, jornalistas, cientistas, artistas, lideranças políticas e sociais que, ao longo do tempo, voluntariamente ofereceram e oferecem suas contribuições. “Nossa revista se autoconceitua como um periódico de ‘teoria, política e informação’ e sua temática é diversa, mas seu foco é o desenvolvimento do Brasil”, enfatizou. O editor de Princípios se estendeu no conteúdo dessa ideia central para concluir que a revista retratou as lutas pela democracia, pela afirmação da soberania nacional e pelo fim das desigualdades sociais.

Temas inerentes ao desenvolvimento

Ele passou pelos anos 1980, quando Princípios engajou-se na redemocratização do país e buscou influenciar os debates da Assembleia Nacional Constituinte, pela década seguinte, quando dedicou-se a desvendar teórica e politicamente o caráter do neoliberalismo, buscando abrir caminhos para sua superação, e pela fase atual, na qual a revista participa da elaboração de um novo projeto nacional de desenvolvimento. Adalberto Monteiro realçou a nova etapa da revista no debate de ideias nos oitos anos de governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva e nesse início do mandato de Dilma Rousseff. Para ele, a presidenta tem a desafiadora missão de fazer avançar esse processo e Princípios segue “travando o bom combate contra as ideias e os blocos políticos que tentam frear ou impedir as mudanças”. 

O editor de Princípios enumerou os temas inerentes ao desenvolvimento — o progresso econômico e social, a ampliação da democracia, a afirmação da soberania e a integração solidária com a América Latina — para enfatizar a convicção da revista de que a luta popular é a força-motriz das mudanças. “O desenvolvimento pelo qual luta é direcionado à valorização do trabalho e à elevação da qualidade de vida do povo”, destacou. Adalberto Monteiro também se deteve na crise do socialismo do início da década de 1990, ressaltando que Princípiosenfrentou o vendaval anticomunista, resgatando o legado da União Soviética à humanidade ao mesmo tempo em que examinou os erros e condicionantes que levaram à sua derrocada. “Nesse debate, contribuiu para reafirmar o socialismo em bases novas”, disse. 

Adalberto Monteiro também falou sobre o capitalismo contemporâneo, tema que tem merecido “um meticuloso trabalho”. Falou ainda a respeito das guerras imperialistas, destacando que Princípios tem publicado “libelos em defesa da paz”. “A luta dos povos contra o imperialismo e pelo direito ao desenvolvimento e à autodeterminação tem sido outro tema frequente – destacado, inclusive, na edição que aborda as recentes revoltas ocorridas nos países árabes”, afirmou.

Fase atual exige ainda melhorias

Esse painel de temas, que espelha a “fertilidade das ideias que dissemina”, disse, é o segredo da longevidade de Princípios — um contraste com publicações com esse mesmo perfil que no geral têm vida breve. Outra explicação, segundo Adalberto Monteiro, é que a revista é uma obra coletiva. Ele registrou, “sempre com o risco de algum esquecimento”, a participação pioneira de Ronald Freitas, o responsável por suas primeiras edições; a colaboração permanente do jornalista Bernardo Joffiliy — a quem Princípios deve o nome —; o papel de José Reinaldo de Carvalho, um dos primeiros editores (hoje editor do Portal Vermelho); a renovação editorial e gráfica promovida por Rogério Lustosa; o desafio enfrentado por Olival Freire — que recebeu a tarefa de substituir Rogério Lustosa, morto precocemente — e a equipe por ele constituída (os jornalista José Carlos Ruy e Pedro Oliveira, e Edvar Bonotto, que foi secretário de redação por um largo período e que também faleceu precocemente).

Adalberto Monteiro relembrou a trajetória de editor, iniciada em 2002. “Recorri ao que chamamos de ‘sabedoria do coletivo’”, disse. Registrou as colaborações direitas de Pedro de Oliveira, José Carlos Ruy, Edvar Bonotto, Augusto Buonicore, Sérgio Barroso, Elias Jabbour e Fábio Palácio, estendendo os agradecimentos a Carolina Maria Ruy, que foi secretária de redação; Ana Paula Bueno, atual secretária de redação; Maria Lucília Ruy, revisora; Laércio D’Ângelo Ribeiro, autor do atual projeto gráfico e diagramador; e Flávio Nigro, o capista. Saudou o novo editor-executivo de Princípios, Claudio Gonzalez, e os colaboradores em geral. Fez uma menção especial a Divo Guisoni, que dirigiu por muito tempo a editora Anita Garibaldi — responsável pela publicação da revista —, saudando suas substitutas, Ana Paula Bernardes e Zandra de Fátima Baptista.

Adalberto Monteiro também fez um registro especial do incentivo e apoio do presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Renato Rabelo. E finalizou dizendo quePrincípios busca renovar-se em cada edição, enfrentando o desafio “de ser um veículo cada vez melhor, capaz de responder aos problemas políticos e teóricos com base no marxismo e com a colaboração de outras correntes do pensamento avançado”. “A fase atual exige ainda melhorias relacionadas à circulação e à divulgação”, disse. “Nosso sonho é fazer de Princípiosum instrumento ascendentemente dinâmico. Convidamos a todos os amigos e colaboradores para se juntarem a nós na realização dessa tarefa”, concluiu.

Participação de Cristina Soreanu Pecequilo

Cristina Soreanu Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), representando os professores e pesquisadores colaboradores dePrincípios, falou em seguida. Fez uma imagem do corpo de executores e colaboradores da revista associada a uma família que deseja um futuro progressista para o Brasil. Para ela, a revista pode se sentir honrada por ter ajudado na elaboração de ideias que conduzem o país para uma situação melhor. A professora comentou a importância de os brasileiros redescobrirem o orgulho de pertencer a este país e enfatizou a necessidade do debate sobre o que pretendem ser, como nação, no futuro. Para ela, existe um processo de desconstrução de imagens e projetos com a finalidade de impedir o avancço do Brasil.


A professora também comentou o papel das ideias que caracterizam o interesse nacional para a construção do país. Registrou o caráter amplo, plural e democrático de Princípios, realçando diferentes aspectos dos temas abordados — principalmente os que contestam a atual hegemonia mundial. Cristina Soreanu Pecequilo recordou que viveu de perto a experiência da queda do Muro de Berlim, acontecimento que estudou e deu a ela a convicção de que o socialismo renasce renovado, destinado a seguir em frente. 


Intervenção de Renato Rabelo

Renato Rabelo, o presidente nacional do PCdoB, ocupou a tribuna em seguida, inciando sua intervenção com uma menção ao significado dos trinta anos de Princípios. “Não é qualquer coisa”, disse. Para ele, esse longo período não pode ser subestimado devido à sua contribuição à construção de ideias para um projeto de país avançado. Renato Rabelo sugeriu que o ato fosse desdobrado, levado para outras regiões como registro da importância do legado da revista. Segundo ele, a esquerda e as forças progressistas em geral precisam vincar um pensamento, formulado com base na teoria insubstituível do marxismo e das contribuições de Lênin.

O fato de Princípios ser uma revista ampla e plural, ressaltou, dá a ela um viés democrático na elaboração de ideias, que muitas vezes vêm de setores não comunistas. Seria pretensão achar que só os comunistas têm propostas e contribuições para o avanço do país, disse. Para Renato Rabelo, não existem grandes transformações sociais para a edificação de uma nação avançada, moderna e igualitária sem um pensamento progressista. Sem essa formulação avançada, destacou, as transformações são tênues, temporárias e conjunturais. A construção de um novo Brasil, de uma sociedade superior, socialista, precisa da ciência social moldada pela realidade brasileira. E Princípios tem dado grandes contribuições nesse sentido, disse.

Renato Rabelo realçou o papel da revista na abordagem de temas candentes, imediatos, mas, disse, não ficou por aí — foi uma espécie de bússola que orientou os caminhos percorridos pelo pensamento progressista. Para ele, Princípios deve se esforçar para ampliar ainda mais seu escopo editorial na busca da construção do arcabouço teórico do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento. Essa tarefa exige a participação de todas as áreas do pensamento avançado, como a ciência, a cultura, a política e a economia. A meta, disse, é alcançar a sociedade socialista brasileira. Sugeriu, diante dos desafios que se apresentam, que a revista encurte sua periodicidade, passando a ser mensal (Princípios começou trimestral e atualmente é bimestral).

Saudação de Leci Brandão

Ele também percorreu a trajetória da revista, comentando seu papel em cada fase dos embates teóricos e políticos pelos quais o país passou nesses trinta anos, e enfatizou a reafirmação do socialismo quando caiu o Muro de Berlim. Renato Rabelo recordou as “apostasias” dos que “trocaram de camisa” e saíram correndo sem saber exatamente o que o que havia acontecido para reforçar a importância de uma compressão profunda da teoria. E destacou a contribuição decisiva de Princípios nesse sentido. Para ele, o ideal socialista continua cada vez mais vivo e enfatizou o papel dos trabalhadores como força motriz do processo de transformação social.

Segundo Renato Rabelo, a convicção de que os trabalhadores — a maioria da sociedade, a parte que produz as riquezas — são a base dos avanços sociais é cada mais forte. Alicerçada em princípios progressistas, essa base sustenta o processo de mudanças profundas, disse. Para ele, não existem transformações sociais substantivas sem um processo revolucionário. A forma, destacou, não está dada, depende de fatores que se apresentam em cada realidade. Pode ser, disse, até mesmo relativamente pacífica. O certo é que não será na “maciota”. O essencial, afirmou, é a base teórica, para a qual Princípios tem dado grande contribuição. 

Encerrando o evento, a cantora e deputada estadual paulista pelo PCdoB Leci Brandão fez uma saudação, relembrando, em rápidas palavras, o processo de sua filiação ao Partido e sua eleição, finalizando a intervenção com uma referência a Princípios como  publicação indispensável para se contrapor ao pensamento conservador da mídia. “Princípios é fundamental para refletir as bandeiras da esquerda”, concluiu. Também participaram da mesa do evento, como convidados, o vereador paulistano Jamil Murad (PCdoB), o jornalista Pedro de Oliveira, o representante da Força Sindical João Carlos "Juruna" e o representante da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nivaldo Santana. Em seguida, os presentes brindaram o evento com um animado coquetel, tendo como trilha sonora a participação do quarteto de cordas “Piteri”.

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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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