sábado, 25 de junho de 2011

Participação da Juventude: Redes Sociais ou Partidos Políticos?


Depois de um bom tempo sem escrever por aqui... Segue um texto próprio:


Em recente pesquisa do Projeto Sonho Brasileiro podemos observar um cenário otimista no seio da juventude. A pesquisa entrevistou 1784 jovens entre 18 e 24 anos de 173 cidades, em 23 estados. Ela revela que 87% dos jovens acham que o Brasil é importante no mundo de hoje, que 89% têm orgulho de serem brasileiros e que 76% acham que o país esta mudando para melhor.

Ela também revela que a juventude está interessada no futuro e que não acredita que o país será salvo por um “messias”. Os jovens em sua maioria estão mais conectados com discursos coletivos que individualistas e acreditam terem papel na transformação da sociedade. A entrevista mostra ainda que 71% dos jovens consideram a internet e as redes sociais como uma forma de fazer política e 59% não possui preferência partidária.

Na verdade, a pesquisa mostra o quão é complexa a nossa juventude. O sentimento de autoestima enquanto povo é em muito reflexo do novo ciclo político e econômico em que estamos vivendo. Apesar do sentimento otimista e da vontade de mudar o país e o mundo, podemos observar na pesquisa o quanto as políticas multiculturais fizeram e fazem mal a nossa nação. A vontade de mudança e a idéia de que é importante se organizar é associada a idéia de que é se envolvendo em lutas específicas que se mudará a sociedade. Assim, fica claro o objetivo de negar os partidos políticos e a necessidade de unidade do povo em defesa dos interesses nacionais.

É importante identificarmos como algo extremamente positivo a vontade de participar da juventude expressa na pesquisa, mas não podemos incorrer no erro de acreditar que novas formas de organização política precisam surgir, já que hoje os partidos não conseguem aglutinar toda essa juventude. Essas idéias, que no final das contas tentam negar a própria política e creditam à internet e as redes sociais o potencial de serem a tal nova forma de organização, só serve aos interesses daqueles que querem manter a realidade como está e temem o engajamento consciente da juventude na luta política.

A aversão dos jovens aos partidos precisa ser entendida como uma aversão a como a política é feita hoje, não aos partidos em seu sentido real. A juventude repudia a corrupção, repudia o patrimonialismo, quer viver em um mundo melhor e entende que é preciso participar das decisões na sociedade, mesmo com a permanente campanha dos grandes meios de comunicação, representantes de uma elite que joga contra o Brasil, que tenta criar a idéia de que participar da política não é bom, que é melhor se preocupar consigo mesmo.

A internet, e em especial as redes sociais, são um importante instrumento de comunicação e interação entre as pessoas. Elas não são carregadas de conteúdo ideológico, são ferramentas que servem a luta de classes que movimenta a sociedade, podendo assumir um caráter progressista ou conservador, é a mesma idéia do telefone: depende do que é dito. O que possui um enorme potencial de mobilização são as causas pelas quais se luta, as redes sociais facilitam a capacidade de divulgação dessas bandeiras de luta, democratizando a comunicação.

Cabe aos partidos políticos, enquanto representantes de interesses de determinadas classes sociais, inserir-se na luta política de acordo com seu programa. Esse papel nenhuma outra organização consegue cumprir, pois os partidos são constituídos diante de necessidades históricas, demandadas pelas condições objetivas do desenvolvimento das forças produtivas de determinada sociedade. O problema é que no atual sistema político, existem muitos partidos que não cumpre a necessidade histórica alguma e por isso nem programa político possuem.

A problemática em questão nos traz a um debate necessário: a reforma política. É preciso garantir de fato uma reforma que fortaleça os partidos e seus programas, para isso não tenho dúvida que mudanças nas regras eleitorais são fundamentais, como a adoção de lista preordenada fechada nas eleições proporcionais, financiamento público de campanha e a garantia do direito as coligações. Bom, esse debate sobre a reforma é merecedor de no mínimo outro artigo. O fundamental é entendermos em que batalha estamos e tomarmos cuidado com certas idéias novas, que em muitas vezes são carregadas de conservadorismo, ou como diz a canção, neste caso: “o novo já nasce velho”.


Um comentário:

  1. É isso aí, a juventude ta chegando com muita garra e vai mostrar que com atitude e determinação o jovem pode mudar a realidade do nosso país.

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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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