quinta-feira, 7 de julho de 2011

Luciano Rezende: “Agora, vou cuidar de mim”


Reproduzo aqui excelente artigo do camarada Luciano Rezende, preciso nas palavras, concreto no conteúdo ideológico e muito importante para aqueles que se dedicam à construção de uma sociedade justa socialmente, mesmo diante dos obstáculos do dia-a-dia.

Por Luciano Rezende*

Não é raro nos depararmos com algum antigo militante socialista que tenha perdido a convicção em seus ideais. A vida segue e é natural que, uns ou outros, queiram dar prosseguimento à suas lutas em outras trincheiras. O Partido Comunista avança em torno de um processo permanente de oxigenação, que Marx, em suas cartas a Lassale, considerava ser uma “depuração” normal.

A alegação ideológica deve ser respeitada, e não é demérito para ninguém vir a passar por um momento de desânimo ou mesmo de perda de perspectivas revolucionárias. Podem retornar até mais robustecidos, como é o caso de vários camaradas.

O que não é aceitável é a justificativa de alguns que, motivados por n fatores, abandonam a luta cotidiana por uma sociedade mais progressista, alegando terem perdido muito tempo com o Partido. Querer um tempo para cuidar de si próprio, como se a militância houvesse subtraído suas vidas, é uma grande injustiça.

Decerto, a ofensiva ideológica do modo de vida capitalista é bárbara em torno de valores individualistas e pessoais. Mas é inadmissível aceitar a escusa da “perda” de tempo com algo tão digno e altivo como a militância nas fileiras do Partido.

Todos que militamos na esquerda já passamos por momentos de refluxos. Perdemos eleições e desanimamos. Sofremos reveses e fraquejamos. Erramos em escolhas. Decepcionamo-nos com companheiros e decepcionamos a outros tantos. Tudo isso nos torna mais forte, desejoso de superar nossas lacunas e debilidades e, sobretudo, nos forma melhor como seres humanos. Nada pode ser mais gratificante e digno de orgulho que o trabalho militante abnegado em favor de uma causa coletiva, social.

Por isso mesmo, todas as provações que passam a juventude socialista no Brasil, como noites em claro em reuniões, fome e falta de dinheiro para a condução, carência de tempo para estudar as provas mais difíceis na escola ou universidade, o exíguo tempo com a família e amigos, são exigências de uma escolha que é cotidiana e revolucionária. Pode-se trocar tudo isso por uma vida mais cheia de acalantos e aconchegos, mas vazia e oca de sentido.

O que dizer de nossos irmãos revolucionários em outros cantos do planeta que além de “perder” o tempo com sua militância política perdem a própria vida em torno da defesa da paz, da autonomia de seus países e por direitos elementares?
Todos têm o direito de fazer opções e decidir por outro rumo na vida, mas ao fazer, devem escolher a porta da frente e sair com a dignidade de quem já doou muito de seu valioso tempo à causa operária.

Cuidando de mim, cuido do Partido, pois somos um só. Aos vacilantes, um poema de Neruda, na esperança de nos reencontrarmos na mesma frente de batalha num futuro próximo.

A meu Partido

Me deste a fraternidade para o que não conheço.
Me acrescentaste a força de todos os que vivem.
Me tornaste a dar a pátria como em um nascimento.
Me deste a liberdade que não tem o solitário.
Me ensinaste a acender a bondade, como o fogo.
Me deste a retidão que necessita a árvore.
Me ensinaste a ver a unidade e a diferença dos
homens.
Me mostraste como a dor de um ser morreu na
vitória de todos.
Me ensinaste a dormir nas camas duras de meus
irmãos.
Me fizeste construir sobre a realidade como
sobre uma rocha.
Me fizeste adversário do malvado e muro do
frenético.
Me fizeste ver a claridade do mundo e a
possibilidade da alegria.
Me fizeste indestrutível porque contigo não
termino em mim mesmo. (Grifo meu).


* Engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia e doutorando em Genética. Professor do Instituto Federal do Alagoas.

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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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