quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Editorial Princípios: Crise capitalista volta a se agravar, mas o Brasil pode resistir e até avançar

Gente, as últimas batalhas têm consumido muito do meu tempo, e como continuo sem computador (recorrendo como agora as “lan houses da vida”) tem ficado cada vez mais difícil alimentar meu Blog. Mas como todo militante da UJS acredito que #VaidaCerto, então para compensar um pouco o tempo perdido trago nessa postagem o editorial da revista de formação teórica e política, Princípios, que sempre nos trás uma boa defesa do Brasil e do socialismo.

Logo, postarei algumas reflexões e textos próprios. O Blog seguirá firme!


Editorial da revista Princípios, edição 115, outubro-novembro 2011

Por Adalberto Monteiro

Em outubro de 2008, foi a pique o Lehman Brothers, grande banco de investimentos dos EUA. Este fato simbolizou o início da primeira fase aguda da grande crise do capitalismo que teve como estopim o estouro da bolha imobiliária estadunidense, ocorrida em 2007.

Como se sabe, houve uma onda de quebradeiras (bancos, seguradoras, grandes empresas produtivas etc.) nos EUA e na Europa, cujo auge foi 2009, quando a economia mundial teve uma queda de 2,1%. Os países da chamada periferia do capitalismo, notadamente China, Índia, Rússia, Brasil e outros, apesar de atingidos, enfrentaram com êxito os efeitos deste abalo sísmico. A causa desse terremoto, ainda em movimento, tem como elemento desencadeador, a “ditadura” do mercado, do capital especulativo, sobre as dinâmicas das economias e das finanças das nações e dos Estados.

Em 2010, houve uma tíbia recuperação da atividade econômica. Foi o bastante para os ideólogos neoliberais apregoarem que já soprava a aragem da bonança.

Mas, o relatório semestral do Fundo Monetário Internacional (FMI), de setembro último, tem um título que por si só atesta o quanto eram embuste e miragem aquelas idílicas previsões: Reduzindo o crescimento, Aumentando os riscos (o grifo é nosso). Para o FMI, em 2011, o crescimento global não passará de 4%. Os países do chamado “primeiro mundo”, as grandes potências capitalistas, irão marcar passo na estagnação. Os EUA e um coletivo nominado de economias avançadas terão um desempenho medíocre, com um crescimento raquítico de 1,5% e 1,6%, respectivamente. Já os emergentes devem crescer 6,4%, segundo ainda o FMI. A China socialista, embora haja dúvidas e especulações sobre seu fôlego, continuará, neste ano, sendo o pulmão da economia mundial, com 9,5% de PIB positivo. Para o Brasil, se estima um aumento do PIB de 3,8%, embora as previsões internas já acusem 3,5% ou até menos. Tudo somado demonstra que a crise teve uma recaída e que ela não tem data para determinar.

O neoliberalismo, apesar do fracasso, recrudesce no centro capitalista. As promessas de alguma regulamentação do mercado financeiro até aqui não passaram de palavras. Até agosto último, os tesouros e bancos centrais de todo o mundo já gastaram mais de 12,4 trilhões de dólares para socorrer bancos e outras instituições financeiras. Nestes três últimos meses do ano, a Europa deve injetar somas fabulosas para salvar bancos combalidos.

Como é da natureza do capitalismo, o ônus da crise é lançado sobre os ombros dos trabalhadores e se eleva o saque sobre os demais países. Segundo acusa a Organização Mundial do Trabalho (OIT), há 200 milhões de desempregados no conjunto das nações e, desde 2008, 20 milhões de postos de trabalho foram cortados. A penúria e o sofrimento impostos ao povo são imensuráveis.

Contra isso, em várias regiões do globo o povo se levanta. Exemplos disso são os movimentos “Ocupe Wall Street” e o dos “Indignados”. O primeiro se espalhou por muitas cidades dos Estados Unidos e, o segundo, na Europa. Embora ecléticos, as vozes se unem em gritos de protesto contra o capitalismo e as mazelas de sua crise. Já na América Latina, se mantém e até se amplia o leque de países governados por forças democráticas.

Acelera-se a decadência relativa do imperialismo estadunidense e se fortalecem outros polos de poder, com destaque para o crescente papel geopolítico da China socialista. Isso encerra riscos, ameaças, porque nenhuma potência cede sua hegemonia de forma pacífica, sobretudo, quando um dos principais trunfos que lhe resta é seu poderio bélico.

De qualquer modo, neste quadro complexo e instável, quando o conservadorismo se robustece para tentar conter o declínio da potência hegemônica, os dogmas neoliberais são uma vez mais desmoralizados e o povo se levanta em defesa dos seus direitos, aparecem neste cenário contraditório janelas de oportunidades para avanços democráticos e progressistas.

O Brasil vai atravessar um oceano tempestuoso, mas tem plenas condições para abrir uma destas “janelas”. Pode não apenas sustentar o crescimento de sua economia, mas avançar seu projeto nacional de desenvolvimento. A presidenta Dilma Rousseff demonstra determinação em defender a economia nacional e os direitos dos trabalhadores. Sua anunciada decisão de promover uma contínua redução dos juros indica um rumo certo para o país singrar as águas revoltas.

Adalberto Monteiro
Editor da Revista Princípios

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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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