segunda-feira, 4 de abril de 2011

“O movimento estudantil é uma grande escola de como fazer política.” (Naldo Freitas)


Reproduzo a seguir entrevista que concedi ao estudante de jornalismo da UFAL, Paulo Veraz, que conheci já algum tempo quando estudávamos no IFAL (na época ainda CEFET). Confira na integra aqui, ou no seu Blog:


Lindinaldo Freitas é presidente da UJS-AL
 e ex-diretor da UBES

Há dois anos conheci um jovem idealista chamado Naldo Freitas, cujo sonho de mudar a realidade em que vive o levou a militar, tão cedo, no movimento estudantil e na luta partidária. Como resultado de suas lutas, o rapaz já galgou ser um dos diretores da UBES e atualmente preside a UJS, entidade ligada ao PCdoB. E mantem um blog nas horas vagas. Na entrevista dada ao blog, Naldo responde as polêmicas sobre ambas entidades e fala sobre sua experiência político-partidária e o contexto alagoano. Mesmo sem perder aquele brilho nos olhos de quem quer melhorar o lugar onde vive.


1 – Como Naldo se auto-define?

Uma pessoa tranquila, calma, as vezes até tímida, mas acima de tudo inquieta com as injustiças sociais, apaixonado pelo estudo, seja do marxismo-leninismo, da ciência em geral, da realidade do Brasil, enfim adoro estudar. Mas adoro ainda mais transformar a realidade, por isso me defino como militante das causas populares, como alguém que se dedica para construir uma nova realidade, um novo Brasil.


2 – Você fez parte da Diretoria da UBES em Alagoas. Como é, exatamente, a atuação política dessa entidade?

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas possui 63 anos de existência, durante esse período esteve presente em todos momentos decisivos da historia do país lutando sempre pela democracia, em defesa da soberania nacional e por uma educação pública de qualidade para todos. A UBES, enquanto entidade máxima de representação dos estudantes da educação básica do país, atua em conjunto com as entidades estaduais, municipais e os grêmio estudantis nas escolas. Essa rede do movimento estudantil garante que as lutas dos estudantes não fiquem isoladas nas escolas, e dessa forma confere a UBES um papel de lutar por bandeiras nacionais, sempre tendo como norte a educação publica de qualidade e o sentimento patriota: de lutar por uma nação soberana e justa socialmente.


3 – Você também é militante do Partido Comunista do Brasil. O que o levou a, mesmo tão jovem, filiar-se a um partido político?

Olha, eu me filiei ao partido logo quando completei 17 anos. Acredito que foi a vontade de mudar as coisas, eu comecei a ajudar no grêmio da escola, conheci um “tal” de Karl Marx e seus escritos me ajudaram a entender melhor o porquê que existe tanta desigualdade... aí não teve jeito, comecei a participar de atividades e conhecer a União da Juventude Socialista, a UJS, e paralelo a isso fui conhecendo o Partido Comunista do Brasil. Eu acho que todos nós procuramos uma razão pra nossa vida, isso é até filosófico mesmo, e participar de um partido politico é ter clara qual é essa razão.


4 – Por que há uma ligação tão forte entre movimento estudantil e juventudes partidárias?

O movimento estudantil é uma grande escola de como fazer política. A juventude brasileira está hoje na grande maioria nos bancos das escolas e das faculdades, logo esse é o principal espaço de atuação das juventudes partidárias.


5 – Existem muitas críticas sobre a “dominação” da UBES pela UJS. Por que a UJS se mantêm tanto tempo no comando da entidade?

A UJS é a maior organização de juventude política do país. A UBES realizou agora no inicio do ano em janeiro o seu 1º Encontro Nacional de Grêmios, a UJS foi a juventude que dirigia a grande maioria dos mais de mil grêmios que participaram, ou seja, nós dirigimos não só a UBES mais a maioria dos grêmios, das uniões municipais e das uniões estaduais. Nós conseguimos isso porque temos uma orientação política justa, porque nos mantemos ligados a juventude e a defesa de suas interesses, não é por acaso que somos a juventude que possui o maior tempo de existência ininterrupta da história do país.


6 – Historicamente, o PT tem se associado aos grandes movimentos sociais no Brasil, incluindo a UBES. Desde que chegou ao governo, em 2003, entretanto, a postura do partido sobre alguns temas mudou substancialmente. Entretanto, não houve nenhuma crítica por parte da entidade. Porque a UBES não faz oposição ao PT?

Olha, primeiro não é verdade que não houve nenhuma critica ao governo, nos fizemos varias criticas ao governo Lula e estamos fazendo ao governo da presidente Dilma Roussef, exemplo disso é a nossa jornada de lutas que se iniciou na semana passada onde um dos pontos é o corte de verbas que o governo fez no orçamento e em especial o corte na educação, nós saímos do encontro de grêmios com uma resolução onde nos colocamos contrários a proposta do governo de criar o PRONATEC, que na nossa opinião não representa avanço algum para o ensino técnico. Agora o que nós não fazemos é ser inconsequentes e virar “bucha de canhão” de setores que sempre atacaram a educação publica e defendem uma linha privatista. Nós não aceitamos ser usados por ninguém. E sabemos que a alternativa ao projeto atual de desenvolvimento que está afrente do governo é a volta da direita brasileira, das ideias neoliberais. E temos muita clareza que o governo é o governo, e que o papel da UBES é lutar pelos estudantes e pressionar o governo por uma educação pública de qualidade.


7 – Qual o papel do Movimento Estudantil na formação política da juventude?

O movimento estudantil joga um grande papel na formação política dos jovens, especialmente no fortalecimento das ideias contestadoras, do senso critico, do sentimento de solidariedade entre as pessoas e do associativismo entre os indivíduos na sociedade. Como eu já disse, o ME é uma grande escola de como fazer política, na verdade ele é a primeira escola, é onde aprendemos que nem toda política é suja, que política é algo bom, basta termos como objetivo melhorar a vida das pessoas.


8 – A maioria dos políticos não é jovem. Existem, inclusive, restrições de idade para concorrer em determinados cargos. Isso afasta a juventude de uma atuação política?

Acho que sim, mas não só isso. O sistema político atual é muito conservador e personalista, é preciso fortalecer as ideias, fortalecer os partidos políticos. É importante que a sociedade renove os seus representantes políticos, mas faça isso renovando as ideias também, para que não aconteça como nas ultimas eleições onde alguns ditos jovens foram eleitos, porem não representam nada de novo, são filhos, netos, sobrinhos de velhos figurões e representam na verdade velhas oligarquias do estado.


9 – O PCdoB passa por um momento de preparação para as eleições de 2012. Hoje, o partido não tem nenhum cargo eletivo de destaque no Estado. Como oferecer uma alternativa política concreta nessas condições?

O partido tem jogado um importante papel nos espaços que ocupa atualmente, seja na Câmara de Vereadores de Maceió com o vereador Marcelo Malta, seja na prefeitura e na vice prefeitura de Satuba e Marechal Deodoro respectivamente. Em outros estados como é o caso de Pernambuco o partido está a três administrações afrente de Olinda e dirige também a prefeitura da melhor capital para se viver do país, Aracaju. Sem falar no papel que desempenha no ministério dos esportes, vale lembrar que o partido está a frente do ministério desde que o mesmo foi criado em 2005 e de lá pra cá muita coisa mudou na área, basta citar que seremos sede das Olimpíadas e da Copa do Mundo de 2014. O partido é sem duvidas uma alternativa política para o povo alagoano e expressa isso pelo trabalho que desenvolve e pela historia que tem no estado, é um partido respeitado e que possui em suas fileiras lideranças que suas historias de vida e luta se confundem com a própria história do partido, como é o caso de Eduardo Bomfim, Alba Correia, Maria Yvone Loureiro... enfim, vários camaradas que se dedicam a luta do povo.


10 – Você também tem um blog onde divulga temas da UBES e do Partido. Como vê a participação da Internet na politização da juventude?

A internet, principalmente através dos blogs, joga hoje um papel muito importante. A grande mídia no nosso país e no nosso estado tem dono e reproduz os interesses de seus donos. A internet é um espaço aberto, democrático, que também reproduz esses interesses, mas que também é um espaço para a mídia alternativa, uma verdadeira trincheira na luta pela democratização dos meios de comunicação. É o espaço onde o jovem não precisa ouvir o que a Globo diz como a única verdade, ele pode procurar outras fontes e ter acesso a diversos pontos de vista sobre o mesmo assunto. Um exemplo concreto é esta própria entrevista, como você e eu poderíamos divulgar nossas opiniões para tantas pessoas sem a internet, seria praticamente impossível.


11 – Recentemente, você postou em seu blog uma notícia do Portal Vermelho que dava apoio ao deputado Olavo Calheiros. Em 2010, o candidato a senador do PCdoB, Eduardo Bomfim, dividiu o palanque com o senador Renan Calheiros. Você acredita que a associação a figuras políticas tradicionais, como os irmãos Calheiros condiz com causa socialista?

O PCdoB atua tendo como norte o seu programa socialista e defendemos a necessidade de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento que supere os atrasos seculares do nosso país, transformando o Brasil em uma nação soberana e socialmente justa. É com este norte que o partido define sua ação tática, que na última eleição passava pela derrota do projeto neoliberal nas eleições para presidente e para o governo do estado. Conseguimos eleger a Dilma, porém em Alagoas o tucano Téo Vilela foi reeleito. É importante se ter claro que aliança eleitoral representa a configuração de um campo político em uma batalha para derrotar outro campo político, ou seja, não significa nem que o PMDB aderiu ao projeto socialista nas eleições passadas e nem que o PCdoB aderiu ao projeto do PMDB. Significa que uma frente de diversos partidos se formou para derrotar o projeto neoliberal aqui em Alagoas. É natural que essa batalha continue, que forças políticas comprometidas com o desenvolvimento nacional lutem contra a política neoliberal do governo Téo Vilela, e nesse sentido, essas forças são aliadas dos comunistas aqui em Alagoas.


12 – O que precisa mudar na política em Alagoas?

Vixi... muita coisa viu... vamos fazer uma observação bem rápida: o governador do estado, Téo Vilela, é usineiro, logo o poder executivo está na mão dos usineiros, certo? Bom, o presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Toledo, também é usineiro, logo o legislativo também está na mão dos caras, sem falar em vários outros usineiros e agregados que ocupam espaço de poder no estado e todos são da cooperativa dos usineiros, que funciona como um grande partido político no estado. A oligarquia da cana de açúcar possui o poder econômico e o poder político do estado. Se nós mudarmos isso e conseguirmos aumentar a participação popular, se mais representantes do povo forem eleitos, com certeza teremos mudado muita coisa.


Mensagem final:

Quero agradecer ao Paulo Veraz pelo convite e pela paciência. Quero também convidar a todos para conhecerem espaços na internet como o Portal Vermelho, estou enviando alguns links que acho importantes, onde podemos ter acesso a diversas informações e pontos de vista que faz contraponto a hegemonia da grande mídia. E acredito que espaços como estes são importantes para compreendermos melhor a política do nosso estado e do país, para entendermos melhor a realidade da juventude e tentarmos construir alternativas de mudança.

Abraço a todos!

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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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