segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O que está em jogo






Dias assim valem por anos, diz o manifesto do PCdoB à nação¹. Não se trata apenas de uma assertiva histórica, todos têm sentido a dramaticidade dos acontecimentos em torno da atual crise, mas a dimensão maior dessa frase é que sentiremos por muito tempo os impactos da luta que hora é travada.

O país se divide em dois campos distintos, não há espaço para tergiversações. Ou se defende a democracia conquistada e a nação ou o golpismo irresponsável das forças que sempre boicotaram o desenvolvimento nacional e a acessão social da imensa maioria do povo.

O momento não é outro se não de luta, da necessária mobilização de todos para batalha que ocorre no parlamento, nas ruas e na disputa de ideias no seio do povo.

Estão equivocados os que buscam procurar sinais de igualdade entre as forças neoliberais/golpistas e o projeto em curso para como consequência defender que o país e seu povo não tem o que ganhar ou perder nessa peleja. Trata-se de miopia não enxergar o que está em jogo!

O elemento golpista consciente dessa batalha não se limita às representações partidárias da oposição. O golpe em curso é planejado e seus principais formuladores possuem endereço físico e poderosíssimo arsenal midiático. As salas de redação articulam politicamente os seus interesses enquanto classe.

Eles tentam há muito, encontrar uma estratégia que possa pôr a cabo o golpe. Não transmitem apenas a notícia, muitas vezes fabricam-nas e procuram formular a melhor tática que unifique as representações partidárias e demais forças vinculadas aos seus interesses, que são em essência os do grande capital financeiro internacional e do imperialismo.

Na atual quadra de crise internacional do capitalismo, de aprofundamento das contradições internacionais, geopolíticas é colocada em marcha uma ofensiva pelo controle total dos destinos das principais nações e regiões do mundo. Por isso não aceitam a derrota nas urnas e exploram as limitações do ciclo político progressista no Brasil e na América do Sul.

A vitória dos golpistas não afetará apenas o Partido dos Trabalhadores e as forças de esquerda no país, será trágica para os interesses nacionais e as conquistas sociais e democráticas advindas da redemocratização com a Constituição de 1988. A essência do golpismo é reorientar o papel geopolítico do país, nos realinhar com os EUA e esvaziar os BRICS, fragmentar a nação e nos impor totalmente a agenda econômica neoliberal. O golpe não é contra a Dilma, é contra o Brasil!

As táticas utilizadas para execução dos chamados golpes suaves, como o que se pretende no Brasil, são de conhecimento público. Foram difundidas pelo mundo através das doutrinas de pensadores como Gene Sharp e sua revolução não violenta.

O professor cubano Raúl Capote que foi por anos agente duplo infiltrado na CIA denunciou ao mundo os métodos utilizados pelo serviço de inteligência dos Estados Unidos para derrubar governos em todo o mundo. Em entrevista recente, ele afirmou que “a ideia da guerra não violenta consiste em ir solapando os pilares de um governo até que ele imploda. O objetivo não é fazer com que um governo renuncie. Se isso acontecer, o projeto fracassou. A ideia é que o governo imploda e que isso cause caos. Com o país em caos, é possível recorrer a meios mais extremos”².

Raúl Capote também denuncia como diversas fundações e ONG’s são utilizadas para execução desses planos e a intrínseca relação do serviço de inteligência americano com os grandes meios de comunicação.

Deve nos chamar a atenção, a constituição de diversos movimentos e grupos de direita no Brasil com profunda relação com grupos estrangeiros. A título de exemplo, o Estudantes Pela Liberdade – EPL, presente em inúmeras universidades do país, representa no Brasil o Students for Liberty que por sua vez está presente em países de diversos continentes. Com o aparente objetivo de formar lideranças estudantis, defensoras do mais radical liberalismo econômico, esse grupo oferta treinamentos para seus membros nos EUA, Alemanha e França através das Fundações Atlas Network e Friedrich Naumann³. Há aqui mais que semelhanças entre os famosos Chicago Boys do golpe no Chile de 1973 e os casos denunciados por Raúl Capote.

O golpe que está em curso precisa ser rechaçado energicamente. Nessa hora, precisamos ter claro quem são os verdadeiros inimigos. É preciso aglutinar todos os democratas que repudiem a afronta à vontade popular manifestada nas urnas em 2014 e defendam a nação. É hora de lutar pelo Brasil!




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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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