sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Movimento Revolta do Buzu nas ruas de Salvador


Estudantes protestam na capital baiana contra os aumentos abusivos na tarifa dos ônibus.

 “Vamos botar João para fora, os estudantes já decidiram: João, pior Prefeito do Brasil!”. Esse e outros tantos gritos de luta, força e motivação foram entoados pela cidade de Salvador por dois dias consecutivos. O ano de 2011, que para quem acredita é o ano de Mãe Ogum – trazendo ano de realizações, organização e sucesso -, começa o seu primeiro dia útil com cerca de 400 estudantes paralisando o trânsito na Rótula do Abacaxi até a Estação Iguatemi, protestando contra o aumento da tarifa dos ônibus da cidade de R$ 2,30 para R$ 2,50. Intitulado Revolta do Buzu 2011, o movimento organizado por estudantes de diversas entidades como a UNE, UBES, ABES, CUCA e UEB está mobilizando a população soteropolitana a não mais aceitar os absurdos do mandato do nosso até então prefeito João Henrique.

No dia 3 de Janeiro, o Movimento paralisou por 40 minutos a Estação da Lapa e de lá seguiram no que chamamos de Passe Livre (entrar pela porta da frente do ônibus e não pagar a passagem) para a Rótula do Abacaxi. Por quatro horas e meia, nova paralisação tomou conta da Rotula até a Estação Iguatemi onde também fizeram o Passe Livre para toda a população que estava ao aguardo dos ônibus. No segundo dia do movimento, 4/01, as atividades se repetiram.

Os estudantes apresentaram uma pauta de reinvidicações:

- Redução da Tarifa para 2,30 e congelamento desta por mais 2 anos;
- Reativação do Conselho Municipal de Transporte com participação paritária da Sociedade Civil;
- Aumento e regulamentação dos postos de recarga e fim da taxa de revalidação SalvadorCard;
- Transformação da Estação da Lapa em Transbordo;
- Transporte Público 24 Horas.

A agenda da Revolta do Buzu segue agitada durante essa semana:

Quinta-feira - 06/01 - 12h - Praça da Inglaterra
Ato público com passe-livre
Assembléia aberta logo depois (rediscussão da carta ao prefeito como ponto de pauta)
Sexta-feira - 07/01 - 13h - Campo Grande à Prefeitura.
Ato público

Abaixo, segue o manifesto publicado pelo Movimento.

Aos estudantes e à população de Salvador

Estudantes de Salvador, reunidos em fóruns de mídias sociais na internet e organizados em reuniões presenciais realizadas desde o dia 29 de dezembro vêm a público se posicionar sobre os seguintes fatos:

1- João Henrique Barradas Carneiro, Prefeito de Salvador, nunca cumpriu o compromisso firmado pelo poder público municipal em 2003 de reativar o Conselho Municipal de Transporte com participação paritária entre sociedade civil, Câmara Municipal e Prefeitura. Este Conselho seria responsável pelo debate da tarifa, entre outros temas relacionados à mobilidade urbana.

2- Novamente, o prefeito escolhe o período das férias de verão nas redes pública e particular de ensino, pois sabe que as/os estudantes não aceitam o reajuste sem a devida discussão da relação entre custo e qualidade do transporte de Salvador e do impacto que o reajuste tem sobre as condições de vida das famílias que o utilizam. O prefeito, assim, utiliza-se de um artifício covarde, acreditando ingenuamente que o recesso escolar impedirá as mobilizações estudantis;

3- A falta de coragem de João Henrique e o desrespeito ao voto de confiança dado pela população de Salvador nos anos de 2004 e 2008, o fez afastar-se da responsabilidade de decretar o aumento da tarifa dos ônibus, delegando a árdua tarefa ao Secretário Municipal de Transportes e Infraestrutura Euvaldo Jorge. Este, por sua vez, fez o que o chefe não teve a hombridade de assumir: aumentou valor da tarifa para R$ 2,50 a partir de 00h do dia 02/01/2011. Mesmo com todos os artifícios de João Henrique para se esconder, as/os
estudantes ainda veem os dedos do prefeito nos atos que levaram ao eajuste da tarifa. E junto a essas digitais escorregadias, a perícia identifica a marca inconfundível da submissão do poder público municipal aos empresários do transporte urbano. Uma prefeitura que desde seu primeiro mandato, iniciado em 2005, vem priorizando as grandes empresas de  transporte, e esquecendo-se da população trabalhadora, estudantil, que passa horas e mais horas amontoados dentro de uma frota precarizada e reduzida de ônibus, que são desconfortáveis e inseguros.

A capital baiana é uma referência de resistência e luta. Historicamente, obtivemos inúmeras vitórias fruto das mobilizações. Quando se fala de mobilização contra o aumento da tarifa de ônibus em Salvador, todos se lembram da histórica “Revolta do Buzu” em 2003. A cidade foi constantemente paralisada durante mais de um mês, e esse movimento foi capaz de colocar nas ruas mais de 40 mil pessoas, espalhadas pela cidade. Esse movimento foi o ponta de lança de várias mobilizações contrárias a essa política autoritária e antipopular desta prefeitura, que aumentou sucessivamente a tarifa ao longo de sua gestão, como em 2007, 2009, e 2010. Agora, em 2011, é hora de dar um basta a essa política que limita o direito da população soteropolitana à cidade.

Se a passagem ficou cara, os/as estudantes, os/as trabalhadores/as, e toda a sociedade, mesmo em férias, não vão deixar barato. Não vamos ficar de braços cruzados. Estamos nas ruas!

Movimento “Revolta do Buzu 2011”

Por Hellen Cristhyan, Coordª do CUCA da UNE/BA e Coordª de Universidades Públicas da UJS

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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.

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