sábado, 29 de maio de 2010

Ipea pede taxação de capital pró-desenvolvimento

O professor Giorgio Romano, da Universidade Federal do ABC, e o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, voltaram a defender a taxação dos fluxos cambiais e a formação de um fundo para financiar o desenvolvimento.

A idéia, segundo eles, vem sendo discutida no âmbito do G20 financeiro e no FMI. Os economistas argumentam que, segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS), anualmente o fluxo de transações cambiais gira US$ 777,5 trilhões e uma alíquota de 0,005% garantiria cerca de US$ 33 bilhões anuais para ações solidárias de combate à fome e à extrema pobreza.


A idéia não é nova. O prêmio Nobel James Tobin, nos anos 70, imaginava uma taxa para, simultaneamente, limitar as especulações e as flutuações nos mercados de câmbio.


“A Taxa Tobin tem dupla função: atenuar o impacto do capital especulativo sobre a economia e gerar um fundo para financiar o desenvolvimento. Mas depende de uma cooperação multilateral, caso contrário haverá arbitragem entre países”, pondera José Carlos de Assis, economista.


Segundo Assis, países como o Brasil, “que estão sujeitos ao capital especulativo”, podem adotar a Taxa Tobin, mas salienta: “Não basta aumentar a alíquota, é preciso vincular o imposto ao desenvolvimento.”

Fonte: Monitor Mercantil

Anistia Internacional lança Relatório 2010 sobre estado de direitos humanos

Repressões, violências, discriminações, jogos de poder e impasses políticos. Essas foram apenas algumas violações de direitos humanos registradas pela Anistia Internacional no ano passado. O relatório 2010 "O Estado dos direitos humanos no mundo" -foi lançado ontem, 27, no Chile - revela os avanços e os desafios ainda encontrados no âmbito dos direitos humanos em 159 países.

 Para a Anistia, a política de alguns governos ainda prejudicam os avanços para a justiça global. Exemplo disso é quando atuam por cima da lei dos direitos humanos para proteger os aliados diante das críticas e para tomar atitudes que lhes são convenientes.

 "Muitos países queriam que outros prestassem contas somente quando isso lhes convinha politicamente e colocavam a noção de solidariedade regional acima da necessidade de atender aos direitos das vítimas de abusos. Foi o que fizeram os EUA e alguns países europeus quando usaram sua posição no Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas] para escudar Israel contra medidas enérgicas de prestação de contas por supostos crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade praticados em Gaza", revela o informe.

 Os números das injustiças não negam que 2009 foi um ano de desrespeito aos direitos humanos. De acordo com o relatório da organização, violadores ficaram impunes em pelo menos 61 países. Durante interrogatórios, pessoas de 111 países foram torturadas ou maltratadas. Pelos menos 55 países realizaram julgamentos injustos, 96 restringiram a liberdade de expressão, e 48 detiveram prisioneiros de consciência.

 Segundo o relatório, países como Brasil, Jamaica, Colômbia e México registraram centenas de mortes ilegais cometidos por forças de segurança. Estados Unidos, por sua vez, seguiu com as violações aos direitos humanos relacionadas com o combate ao terrorismo. Na África, alguns governos responderam às críticas com uso excessivo de força e mortes ilegais. Já na Europa, comunidades romanis foram discriminadas no acesso a diversos direitos.

 O documento apresenta ainda outros direitos negados a muitas comunidades, como direito à alimentação, à moradia, à educação e à saúde. Conforme o relatório, os desalojamentos forçados em 2009, por exemplo, pioraram a situação de pobreza de várias pessoas no mundo inteiro. Além disso, todos os anos, mais de 500 mil mulheres morrem de complicações relacionadas à gravidez, mortes que, muitas vezes, poderiam ser evitadas.

 Vale ressaltar que o documento da Anistia não apresenta somente registros ruins ocorridos ao longo do ano passado. A organização destaca também avanços, como a prisão do presidente das Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FLRC), Ignace Murwanashyaka, e os julgamentos de ex-mandatários sul-americanos.

 "Na América do Sul, diversos julgamentos de ex-chefes de Estado por violações de direitos humanos transcorreram com base no direito nacional e, no Peru, o ex-presidente Alberto Fujimori foi sentenciado a 25 anos de prisão por violações graves dos direitos humanos cometidas em 1991", relembra.

 Mais informações sobre o informe em: http://thereport.amnesty.org/es

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Há oito anos o Brasil perdia o camarada João Amazonas


Há oito anos, no dia 27 de maio, o Brasil e o PCdoB perdiam o camarada João Amazonas. Aos 90 anos, parava de bater o coração daquele que foi o cérebro e a alma do Partido Comunista do Brasil ao longo de quatro décadas, desde que, ao lado de camaradas como Maurício Grabois, Pedro Pomar, Carlos Danielli e outros bravos dirigentes e militantes comunistas, reorganizou o PCdoB depois da grande cisão ocorrida no partido fundado em 1922.
Por José Reinaldo Carvalho*
Amazonas ingressou nas fileiras do Partido Comunista do Brasil em 1935, atraído para a luta revolucionária depois de ter participado em Belém do Pará num comício da Aliança Nacional Libertadora, organização de frente única, com caráter popular, patriótico e antifascista.
Em 1943, participou da Conferência Nacional realizada na Serra da Mantiqueira, entre São Paulo e Minas, que assumiu a incumbência de reestruturar o Partido após a prisão do seu núcleo dirigente pela polícia política do fascismo estadonovista comandada por Felinto Muller, um dos piores facínoras da história do Brasil no século 20.
Acesse na página da Fundação Maurício Grabois especial e vídeo sobre João Amazonas
Durante a democratização do país, em 1946, Amazonas foi eleito deputado pelo Rio de Janeiro. Ao lado de Prestes, Grabois, Jorge Amado e outros 11 valorosos camaradas, teve atuação destacada na Assembléia Nacional Constituinte, distiguindo-se pelos discursos que proferia em defesa da classe operária. Foi um dos fundadores do MUT – Movimento de Unidade dos Trabalhadores, contra o peleguismo atrelado ao governo e ao então PTB. O MUT desempenhou papel de proa na greve geral de 1953.

Durante a ditadura militar com o movimento democrático compelido à mais estrita clandestinidade, Amazonas dirigiu a flexão tática partidária no sentido da organização da resistência armada. Com Grabois e Arroyo, encabeçou a Guerrilha do Araguaia, um dos feitos mais heróicos da história do Partido.

Amazonas foi também o formulador da tática ampla, combativa e flexível do Partido de acumulação estratégica de forças, que consistia em realizar ações de massas combativas e estruturar a frente ampla para combater e derrotar a ditadura. União dos brasileiros para salvar o país da ditadura e do imperialismo, conquistar a liberdade política, alcançar a democracia popular, pelo caminho das bandeiras democráticas – pelo fim dos atos e leis de exceção, pela anistia ampla, geral e irrestrita, pela Assembléia Nacional Constituinte – foram formulações precisas que armaram o Partido, os aliados democratas e patriotas e o povo nos embates contra o regime ditatorial e de traição à pátria que vigorou entre 1964 e 1985.

Amazonas participou com entusiasmo patriótico e democrático da campanha pelas eleições diretas. Percorreu o país com as lideranças do velho MDB, dos trabalhistas, nomeadamente Leonel Brizola, e com Lula nas grandes jornadas cívicas da campanha pelas eleições diretas para presidente da República, que passou à história como a campanha pelas Diretas Já! Derrotada a campanha por uma maioria artificial no Congresso Nacional, o dirigente comunista não hesitou em participar do movimento pela eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, a última eleição indireta do país, em 1985.

O camarada João foi um incansável lutador por uma Constituição que salvaguardasse os princípios democráticos e a soberania nacional. Dedicou o melhor das suas energias e de seu precioso tempo, entre 1987 e 1988, a dialogar e debater com os constituintes, dentre os quais uma combativa bancada de cinco comunistas, contribuindo assim para formulações justas na redação da Carta Magna do país.

Em 1989, João Amazonas, ao lado de Lula, foi pioneiro da criação da Frente Brasil Popular. Em muitas manifestações públicas, Lula revelou que nos momentos difíceis daquela campanha, apenas ele próprio e Amazonas acreditavam num desfecho positivo. Tal como em 1989, Amazonas acompanhou o então candidato nas campanhas de 1994 e 1998. Poucos dias antes de sua morte, em 2002, recebeu na sede do Partido uma delegação do Partido dos Trabalhadores, com Lula à frente, que viera solicitar formalmente o apoio do PCdoB à candidatura que poucos meses depois triunfava nas urnas, abrindo uma nova página na vida política brasileira. Sua contribuição foi decisiva. Lutou por um novo Brasil até o último suspiro.

O camarada Amazonas tinha profundas convicções revolucionárias e era plenamente consciente, pelos conhecimentos teóricos e a experiência que adquiriu, de que a encruzilhada histórica do Brasil só seria superada com a ruptura revolucionária com o sistema político-jurídico e econômico-social das classes dominantes, baseado na dominação imperialista, no capitalismo monopolista e financeiro e no latifúndio. Opinava que a saída de fundo para o Brasil abrir caminho ao progresso social, à verdadeira democracia e à independência nacional é o socialismo.

Internacionalista, solidário, defendeu o movimento comunista e foi um incentivador incansável da atividade internacional dos comunistas brasileiros.

Dialético, atento aos solavancos e ziguezagues da história, compreendeu que o poder não se conquista nem o socialismo se constrói em linha reta. Muito menos copiando modelos ou repetindo formulações historicamente datadas. Legou-nos as ideias criadoras do Programa Socialista, de 1995, em que se baseia o Programa aprovado no 12° Congresso, no ano passado. Deixou no partido a marca indelével de uma tática e uma estratégia de acumulação revolucionária de forças, de unidade do povo brasileiro, tendo por rumo a libertação nacional, a emancipação social e o socialismo.

Sua maior herança é o Partido Comunista de quadros e de massas, de firmes princípios marxistas-leninistas, instrumento indispensável para levar adiante a luta do povo brasileiro, partido que a geração atual de militantes e dirigentes tem o dever de preservar, consolidar e desenvolver, sempre patriótico, sempre revolucionário, sempre internacionalista, sempre comunista, independentemente das circunstâncias e das conjunturas.

*
José Reinaldo Carvalho é Secretário Nacional de Comunicação do PCdoB

Um Plano Nacional do Primeiro Emprego

Precisamos começar a elaborar nossa estratégia nacional pelo primeiro emprego, um conjunto de ações e órgãos que possam repensar a maneira com a qual a juventude se relaciona com o mundo do trabalho. Não existe um órgão de pesquisas e projetos do governo federal voltados para este segmento. É claro que a criação da Secretaria Nacional da Juventude e o Conselho Nacional de Juventude significam um avanço importantíssimo, porém, estes órgãos não cumprem este papel. O que existe, na verdade, é um emaranhado de ações dispersas pelos diversos ministérios desconectados uns dos outros. Fragmentadas, estas ações têm um impacto menor na realidade difícil da juventude brasileira.


Acredito que o primeiro passo seja a criação de um serviço de informações e monitoramento da inserção ocupacional dos jovens. O CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) é órgão que mede a relação emprego/desemprego, mas acho que poderia cumprir um papel mais abrangente, não se limitando apenas a verificar quem tem ou não emprego no Brasil. Ele poderia ser este órgão de acompanhamento, o CAGED-Jovem.


Em segundo lugar, casado ao CAGED-Jovem e por ele sendo orientado, um plano nacional de formação profissional. Nos últimos seis anos, o governo federal construiu mais escolas técnicas do que se construiu em um século de história no Brasil. Portanto, poderíamos utilizar a própria estrutura destas escolas e seus professores para este plano nacional de formação. Fora isso, temos também o sistema “S” (SENAI, SEBRAI e etc) que já forma milhares de pessoas com muita qualidade - porém, o sistema “S” deve ser público.


A maioria das pessoas não sabe, mas cada trabalhador com carteira assinada paga para que este sistema exista e, quando o próprio trabalhador busca mais formação, tem que pagar caríssimo pelos cursos oferecidos. O ministério da educação obteve uma vitória nesta questão e garantiu gratuidade para um milhão de jovens em poucos anos. Portanto, devemos incluir o sistema "S" neste plano de formação da juventude.


Prefiro tratar separadamente a terceira ação, pois, é a principal ação desta estratégia nacional do primeiro emprego, devido a sua magnitude e seus impactos diretos na juventude. Como havíamos dito anteriormente, para quebrarmos o ciclo vicioso do jovem que precisa trabalhar e para de estudar por conta de seu trabalho, seria necessário adiar a sua entrada no mercado de trabalho. Mas, diferente da criança, o jovem tem necessidades de outro tipo. A juventude não procura trabalho somente porque precisa ajudar sua família ou porque gosta de trabalhar. Como sabemos, a maioria dos jovens ocupa lugares de baixa qualificação, portanto, não gosta necessariamente do que faz, mas só o faz porque necessita e suas necessidades vão além de apoio à família.


O jovem trabalha porque quer ser independente, fazer as coisas que gosta, comprar roupa, sair com os amigos e etc. Proibí-lo de trabalhar não adiantaria absolutamente nada. É preciso que se realize um programa de transferência de renda básica para os jovens e, simultaneamente, o jovem poderia participar de atividades socialmente úteis para a cidade.


Gostaria, por último, de fazer uma simulação com vocês do impacto positivo que esta renda básica poderia trazer para a sociedade como um todo. Sabemos que a juventude é a que mais mata e morre no Brasil. No Rio de Janeiro, estes números são alarmantes - assim como são alarmantes o número de jovens que abandonam a escola por conta do trabalho. Acredito que o primeiro impacto seria o de trazer, aos poucos, de volta para os bancos das salas de aulas os mais de 5 milhões de jovens que estão fora do ensino médio e impedir que mais jovens o abandonem,  pressionando o Estado brasileiro a resolver uma outra questão grave: a falta de professores. Para se ter uma ideia, precisamos contratar 510 mil professores, abrir 140 mil turmas e construir 47 mil salas de aula para suprir a demanda.


O segundo impacto, acredito, seria na segurança pública - uma maneira eficiente de combater a marginalidade juvenil.


Façamos uma conta para o Estado do Rio de Janeiro, onde residem cerca de 1,1 milhões jovens entre 15 e 18 anos. Se realizássemos uma linha de financiamento de metade desses jovens - ou seja, os 550 mil jovens mais pobres, recebendo uma bolsa de 400 reais, o Estado investiria 220 mi por mês e, 2,6 bi por ano. Como diria meu amigo Fernando Henrique Borgonovi, isso é dinheiro de pinga para o que pode proporcionar de benefícios a todo o Estado. Somente para as Olimpíadas serão investidos cerca de 36 bi de recursos públicos, investimento direto da União, do estado e do Município. O Brasil continuará a crescer cerca de 5 a 6% nos próximos anos e o estado do Rio será um dos que mais crescerá, devido não só aos investimentos dos grandes eventos esportivos, mas com os vultosos recursos dos royalties atuais e dos que ainda estão por vir com o pré-sal.


Tentei nestes dois pequenos textos expressar uma opinião que é muito vasta e polêmica. Espero ter conseguido em certa medida esquentar este debate, principalmente agora que estamos realizando o 15º congresso da UJS e, acredito, ser esta uma grande bandeira para os jovens socialistas e progressistas do Brasil. Deixo a dica para quem quiser pesquisar mais: leiam o livro do professor Marcio Pochman, "A batalha pelo primeiro emprego".


Um grande abraço a todos e todas. Saudações socialistas!


Ismael Cardoso foi presidente da UBES e é membro da direção nacional da UJS.

Busca

Perfil

Minha foto
Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
Tecnologia do Blogger.

Seguidores