terça-feira, 24 de abril de 2012

O difícil encontro com as feridas da guerra – Damasco, Síria


Reproduzo aqui o relato do camarada André Tokarski, presidente nacional da UJS, que esta na Síria com uma delegação da Federação Mundial das Juventudes Democráticas (FMJD) e do Conselho Mundial da Paz (CMP):

Domingo é o primeiro dia de trabalho na semana para os sírios. O final de semana começa na sexta-feira,  como prega a tradição muçulmana (maioria na população síria), mas o hábito também foi incorporado pelos católicos e cristãos ortodoxos.

Foi no domingo também que iniciamos o primeiro dia de visitas e agendas de trabalho na Síria da delegação composta por organizações filiadas ao Conselho Mundial da Paz e à Federação Mundial das Juventudes Democráticas. 

Pontualmente as 8:30h da manhã embarcamos no ônibus na porta do Omayad Hotel (situado na Av. Brasil, no centro de Damasco) em direção à primeira atividade prevista: uma visita a soldados feridos nos conflitos que estão em recuperação no Hospital Militar de Damasco.

Fomos recebidos pelo diretor do hospital, um Comandante do Exercito da Síria. Em um auditório o militar sírio nos apresentou brevemente um panorama sobre os confrontos em curso no país. Relata que o exercito sírio não luta contra seu povo, mas sim o defende de milícias formadas por mercenários vindos principalmente do Afeganistão e do Iraque (durante a ultima guerra no Iraque 2 milhões de refugiados iraquianos migraram para a Síria). 

A maior parte dos confrontos entre o Exercito sírio e as milícias mercenárias ocorrem na região norte do país,  próximo à  fronteira com a Turquia (país com reconhecida hostilidade à Síria). 

Em Damasco não houve e não há nenhum tipo de confronto. A capital da Síria tem sido vitimada por covardes atentados terroristas com carros-bomba, que já levaram mais de 30 civis à morte. 

O Comandante do Exército destacou ainda a importância do veto imposto  por Rússia e  China  no Conselho de Segurança da ONU a qualquer tipo de intervenção militar externa em seu país, o que sem duvida, caso ocorresse, desencadearia um grande banho de sangue. Agradeceu também em especial o apoio que o governo e o povo da Síria tem recebido da diplomacia brasileira em meio a esta crise.

Até aqui, as feridas da guerra ainda não haviam sido expostas.

O contato nu e cru com as seqüelas causadas pelo conflito tivemos poucos minutos depois. Encerrada a reunião com o diretor do hospital, fomos levados a uma cerimônia militar fúnebre de três soldados mortos em confronto. O contato tão próximo com o simples caixão de madeira envolto com a bandeira da Síria causou comoção em todos nós. Feitas as homenagens os corpos foram entregues às famílias num clima de profunda tristeza. Perguntei a um militar próximo a idade dos soldados mortos, todos tinham menos de 24 anos.

De volta ao hospital nos dividimos em três grupos para visitar nos quartos os soldados feridos. No primeiro quarto encontramos dois jovens. Um deles, recebia também a visita do pai. Com a ajuda de um tradutor expressamos o nosso sentimento de solidariedade e de desejo de pronta recuperação. Dissemos também os países de origem de cada membro da delegação. 

Quando nos preparávamos para partir em direção ao próximo quarto, o pai que visitava o filho ferido, e que até então nos olhava com certa desconfiança, diz emocionado ao tradutor que agradece muito a nossa visita e pede que façamos o possível para ajudar a cessar os conflitos. Estava ali visitando o filho mais velho, um outro, mais novo, morreu em confronto há três meses.

Em outro quarto nos deparamos com um senhor de cerca de 60 anos. Perdeu parte da perna esquerda em uma troca de tiros com grupos milicianos. Estava acompanhado de sua esposa, vestida toda de preto por conta do luto, um dos filhos do casal morreu em uma emboscada a uma patrulha do Exercito em Homs (norte na Síria).

Depois do hospital visitamos a Universidade de Damasco, onde tivemos uma reunião com representantes da União Nacional dos Estudantes da Síria. A UNE deles também representa estudantes de universidades publicas e privadas e conta com a participação de diversas forças políticas. Mas o fato que quero registrar sobre a visita à universidade foi um dialogo que presenciei entre um grupo de estudantes (principalmente mulheres) e alguns membros de nossa delegação. Diziam, revoltados, que há muita mentira nos meios de comunicação sobre a Síria, principalmente por parte da Al Jazzeera, que é ligada ao regime do Quatar. Parte do grupo relata que há duas semanas participou de uma grande manifestação Damasco em repudio às ações das milícias e em apoio às medidas do governo, mas que foi noticiado pela CNN e BBC que se tratava de uma passeata de opositores de Bassar Al  Assad. 

No regresso ao hotel, após um dia inteiro circulando pela cidade, o clima entre nós era de indignação e perplexidade. O contraste entre os feridos e mortos que vimos no hospital com a normalidade da vida em Damasco (lojas abertas, universidades funcionando, ruas cheias e movimentadas) deixa evidente que o conflito na Síria é uma ação orquestrada por grupos mercenários armados, incentivados por minorias ultra-sectárias islâmicas que de forma oportunista e  vergonhosa contam com o apoio da União Européia e dos EUA.



domingo, 22 de abril de 2012

Apoio dos comunistas a países irmãos!



A Comissão Política Nacional (CPN) do Partido Comunista do Brasil (PcdoB) se reuniu nesta última quinta feira (19), dentre as discussões foram aprovadas três resoluções que ao meu ver possuem um significado importante e demonstram o internacionalismo proletário exercido pelo partido. Elas tratam sobre a nacionalização do petróleo na Argentina, a liderança de Chávez nas eleições presidenciais da Venezuela, a proclamação do Estado da Palestina pela Organização das Nações Unidas (ONU) e a soberania da Síria e Irã.

Os três documentos produzidos devem ser divulgados e utilizados como orientação pela militância comunista na luta pela paz e contra as guerras imperialistas. São eles:

Sobre a nacionalização da YPF da Argentina



A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil congratula-se com o governo da Presidenta Cristina Kirchner pela justa e oportuna iniciativa de nacionalizar sua Yacimientos Petroliferos Fiscales, a YPF.

Ressaltamos que, com este gesto, a Nação argentina recupera seu principal instrumento para o exercício da soberania na área petrolífera, que é exatamente a YPF, a primeira estatal criada no mundo, pela Argentina.


O Brasil está com Chávez. O PCdoB está com Chávez!

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) se regozija pela liderança do presidente Hugo Chávez na campanha pela reeleição nas eleições presidenciais de sete de outubro de 2012 e faz votos de que o nosso povo irmão da Venezuela se defina pela continuidade do processo de mudanças em curso no país. Ao mesmo tempo, felicitamos o presidente venezuelano pelos progressos na recuperação de sua saúde.

Uma nova vitória do presidente Chávez em outubro aprofundará o caminho revolucionário e a perspectiva de construção do socialismo na Venezuela; manterá a ativa postura venezuelana em defesa da integração latino-americana e caribenha e de uma nova ordem internacional; ajudará a frear as pressões imperialistas sobre nosso continente.

A vitória do candidato opositor, conhecido provocador por ocasião da tentativa de golpe de Estado de 2002, ao contrário, geraria toda sorte de retrocessos e revanchismo de classe para com os trabalhadores e o povo venezuelano e alinharia o país ao imperialismo estadunidense. Nada mais artificial é a tentativa deste senhor de propor um “modelo brasileiro” para a Venezuela, farsa que suas posições direitistas e na verdade, pró-estadunidenses, tratarão de negar.

Nessa direção, apoiamos o governo brasileiro da presidenta Dilma em sua aliança estratégica com a República Bolivariana da Venezuela, e conclamamos ao alargamento dos múltiplos projetos de cooperação em andamento entre o Brasil e a Venezuela. E nos somamos à iniciativa “O Brasil está com Chávez”, deflagrada recentemente pelas forças democráticas e progressistas brasileiras.

O Brasil e o PCdoB estão com Chávez para uma grande vitória em sete de outubro!


Promover no Brasil a solidariedade ativa aos povos da Síria, Irã e Palestina

A situação no Oriente Médio é cada vez mais tensa e não se pode descartar conflitos maiores e guerras regionais. Nos últimos meses deu-se uma escalada de agressões e ameaças contra a Síria e o Irã, e intensificou-se a repressão contra o povo palestino.

O povo e o governo da Síria resistem a um intenso ataque de grupos oposicionistas mercenários, armados pelos EUA, pela Turquia e pelas monarquias reacionários do Golfo Pérsico. A despeito da guerra de informações travadas sobre o que acontece na Síria, a resistência patriótica e antiimperialista síria vêm conseguindo controlar a situação em seu país.

O Irã sofre crescentes pressões e forte bloqueio econômico dos EUA e da União Européia, e mesmo diante de sérias ameaças de ataque aéreo por parte de EUA e Israel, o Irã não desiste de sua decisão soberana de prosseguir em seu programa nuclear para fins pacíficos.
 
É nesse cenário que aparecem novos sinais de contestação real dos interesses imperialistas dos EUA e seus aliados da OTAN. Surgem aos poucos novos pólos objetivamente contra-hegemônicos, a exemplo da Rússia e da China, que vem afirmando os direitos de soberania da Síria e rechaçando a tese de substituição da soberania do povo sírio por “ingerência humanitária”.

Desde que a Rússia e a China exerceram o corajoso veto a uma resolução contra a Síria apresentada pelos EUA no Conselho de Segurança da ONU em fevereiro passado, uma nova situação foi sendo criada na região e particularmente com relação ao conflito na Síria. Se por um lado o chamado Conselho Nacional Sírio não controla uma parte do território sírio, não tem unidade e nem apoio popular suficiente, por outro se a resolução proposta pelos EUA fosse aprovada pela ONU, a OTAN atacaria fortemente a Síria e poderia ocorrer algo similar ao que ocorreu na Líbia. Por enquanto esses planos de guerra aberta e frontal foram contidos.

As reformas que tem sido feitas na Síria são importantes. A nova Constituição, cujo referendo popular atingiu a aprovação de mais de 85%, tem a marca da pluralidade ideológica. Aos oito partidos existentes, que integram a Frente Nacional Patriótica, vários outros estão sendo legalizados, a maioria de oposição. E participarão de eleições no próximo mês de maio.

Fazer reformas democráticas e ampliar a participação popular na Síria ou em qualquer país árabe nunca foram os objetivos dos EUA, da Turquia e das monarquias da Arábia Saudita e Catar. No caso das monarquias do Golfo, que reprimem duramente protestos populares em seus países, não há sequer parlamentos funcionando. O grande objetivo mesmo destes verdadeiros inimigos do povo sírio é desencadear uma guerra sectária generalizada em solo sírio, instalar um estado islâmico, abolir o Estado laico, e substituir o atual regime sírio por outro pró-imperialista, confiável aos EUA e a Israel.

Nesse contexto, uma agressão externa aberta contra a Síria ainda é possível, e crescem as ameaças à soberania iraniana. O programa nuclear do Irã é o pretexto para a possível agressão imperialista. Os iranianos têm direito de seguir seu programa nuclear, semelhante ao do Brasil, para fins pacíficos, em áreas como energia e medicina. Várias agências de inteligência e segurança, inclusive dos EUA, atestam que não há fabricação de bomba nuclear alguma no Irã.

Em meio a esses conflitos na região, continua a luta pela implantação do Estado da Palestina, para que a ONU admita e proclame a Palestina como seu 194º Estado-membro. E, não por acaso, a Síria e o Irã apoiam com toda a firmeza a causa palestina.

Diante da atual situação no Oriente Médio, a Comissão Política Nacional do PCdoB, reunida no dia 19 de abril de 2102, decide conclamar a sua militância a uma solidariedade ativa, nas ruas, nos parlamentos brasileiros, na mídia alternativa e onde for possível, a manifestar nossa posição pela paz e contra as guerras imperialistas:

1.            Reafirmarmos nosso apoio ao povo e ao governo da Síria em sua luta pela independência e soberania nacional, pela sua integridade territorial e contra a ingerência imperialista. Apoiamos as reformas democráticas e progressistas em curso na Síria, e uma solução pacífica para o conflito.

2.            Defendemos a soberania e o direito do povo iraniano de desenvolver seu programa nuclear para fins pacíficos.

3.            E lutamos pela aprovação urgente, no âmbito da ONU, do Estado da Palestina.

Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil – PCdoB


sábado, 21 de abril de 2012

Um programa de fato

Uma reflexão sobre o dia de hoje:
O dia 21 de abril traz à lembrança de nossa sociedade duas datas importantes na historia: é o dia do enforcamento e esquartejamento de Tiradentes e o aniversário da atual capital da república, a cidade de Brasília.

Esses acontecimentos, além de importantes no processo de construção e fortalecimento da nossa nação, possuem um forte simbolismo do Brasil que queremos. A luta de Tiradentes e dos inconfidentes pela independência é um belo exemplo em nossa historia e reforça o sentimento de luta em defesa da soberania nacional de nosso país, da necessidade de afirmação de um Brasil independente, que respeita o direito de autodeterminação dos povos e trata cada nação de igual para igual.

Por outro lado o aniversário de Brasília traz consigo o simbolismo da modernidade que essa cidade representou à sua época, no governo desenvolvimentista de JK, reforça a luta pelo desenvolvimento nacional, pelo fortalecimento do mercado interno e do setor produtivo nacional.

Apesar de um pouco distante na historia os acontecimentos relatados, eles representam lutas muito atuais, é cada vez mais urgente no mundo a luta em defesa dos Estados Nacionais e do direito à autodeterminação dos povos. Os ataques imperialistas (EUA/UE) e as tentativas de frear o crescimento de nações tidas como periféricas, sob a direção de uma oligarquia internacional do capital financeiro, se intensificam neste momento de crise do capitalismo. A ideologia imposta pela ordem mundial neoliberal há mais de 20 anos, ainda se mantêm dominante e precisa ser combatida com a mesma convicção de Tiradentes, de mesmo contra a maré lutarmos pelo que é justo.

Da mesma forma, a modernidade que representou Brasília impulsiona a luta pelo desenvolvimento nacional. A coragem que a presidenta Dilma demonstrou nos últimos dias ao enfrentar o capital financeiro, determinando aos bancos públicos que abaixassem os juros, deve ser apoiada e se intensificar. A aliança entre os trabalhadores e o setor produtivo nacional, demonstrada nas ruas neste mês com o “grito de alerta”, deve ser o impulso para um pacto político destes e o governo, em defesa do desenvolvimento nacional com distribuição da renda ao lado da defesa da nossa soberania e afirmação nacional.

Os anseios de milhares de brasileiros que dedicaram suas vidas à construção de uma nação soberana não se materializarão se não construirmos um projeto civilizacional que consiga superar os entraves ao nosso desenvolvimento, que eleve as condições de vida materiais e espirituais de nosso povo e mire uma nação onde a fraternidade e solidariedade sejam valores presentes. Um projeto que fortaleça a nação e através de suas contradições construa uma consciência mais avançada em nosso povo e na classe trabalhadora.

Cada vez mais me convenço que o Programa Socialista do PCdoB representa uma das mais belas contribuições ao nosso país, ele deve ser mais lido, debatido e usado pela militância comunista como um programa de fato.
terça-feira, 17 de abril de 2012

Haroldo Lima: É tua a hora, Argentina


A nacionalização da Yacimientos Petrolíferos Fiscales é uma excelente notícia para a América Latina. Recoloca o Estado argentino no controle do instrumento básico de sua soberania no setor petrólifero, sua grande empresa da área.

Por Haroldo Lima*

Na história da indústria do petróleo, não há o precedente de algum país, outrora subdesenvolvido, hoje emergente, ter conseguido desenvolver seus recursos petrolíferos em função dos interesses nacionais, senão quando este país tinha pelo menos uma grande petroleira. E país pobre só tinha uma forma de ter uma grande petroleira, criando-a como estatal.

A história da Yacimientos Petrolíferos Fiscales está relacionada à luta que se desenvolveu no século 20 pela soberania dos países no setor do petróleo. Até meados desse século, o mundo do petróleo era sobrepujado por um grupo de grandes empresas que passou à história como “as sete irmãs”, que eram a Standard Oil of New Jersey, a Exxon; a Standard Oil of Califórnia, a Chevron; a Gulf Oil; a Mobil; a Texaco; a British Petroleum; e a Shell, cinco norte-americanas, uma inglesa e uma anglo-holandesa.

Foi na luta contra a hegemonia desse cartel que, em 1960, um grupo de países, grandes produtores e exportadores de petróleo, resolveu criar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a Opep. Esses países foram a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Catar, Kuwait, Iraque, Líbia, Indonésia, Nigéria, Venezuela e Argélia, a maioria árabe.
 

Mas, alguns países que não eram grandes produtores nem grandes exportadores já vinham procurando ganhar autonomia no terreno petrolífero. Todos concluíram que não tinham qualquer chance de desenvolver autonomamente seu setor petrolífero, se não tivessem uma grande petrolífera – uma estatal do petróleo – que gozasse de privilégios exploratórios em seu próprio território. 

Assim pensando, quem criou em primeiro lugar no mundo uma estatal do petróleo foi a Argentina, em 1922, a sua Yacimientos Petrolíferos Fiscales. Na continuidade o México fundou a Pemex, em 1938, quando estava começando a 2ª Guerra Mundial, e um pouco mais à frente foi a vez do Brasil com a Petrobras. Estatais de petróleo foram criadas posteriormente na Inglaterra, Itália, França, Canadá, Japão, Noruega etc. A PDVSA, da Venezuela, vem bem depois, em 1976.

Pois essas estatais, especialmente a YPF, a Petrobras e a PDVSA, estavam indo muito bem, até que a maré montante da privatização neoliberal aparece e coloca, especialtemente a YPF e a Petrobras, na alça de mira.
 

Com relação à Petrobras, começaram por lhe tirar o exercício do monopólio, mas a expectativa era bem outra: perdido o monopólio, a empresa seria privatizada. Em 1995 as batalhas políticas sobre a questão se desenvolveram, e terminaram se decidindo no Congresso Nacional, onde fui ativista e testemunha. A liderança do governo FHC dizia que não queria privatizar a Petrobras, mas apenas acabar com o monopólio.
 

O monopólio já tinha sido derrubado na Câmara. Eis que o senador Ronaldo Cunha Lima apresenta uma Emenda salvadora: todos concordariam em votar o fim do monopólio, desde que se acertasse votar também que a Petrobras não seria privatizada. E o líder do governo senador Élcio Álvares prontamente recusou a Emenda. Ficava claro que a ideia era a privatização da empresa.
 

Foi quando o então presidente do Senado José Sarney, em permanente articulação com o setor nacionalista, toma uma iniciativa de grande repercussão: comunica ao presidente da República que só poria o fim do monopólio em votação se o presidente assinasse um documento público comprometendo-se a não privatizar a Petrobras. E tal aconteceu. Penso que Petrobras foi salva aí.

Na Argentina o neoliberalismo cresceu mais que no Brasil. Privatizaram diversas empresas e foram para cima da YPF. Contando com um neoliberal atrevido na sua sabujice entreguista e na corrupção depois revelada, Carlos Menem, venderam a YPF.

Sem sua grande empresa do petróleo, a Argentina perdeu o passo no setor. A produção foi caindo e a nação, no estratégico setor petrolífero, passou a ser desimportante.

Agora Cristina Kirchner toma uma iniciativa histórica, talvez a mais importante de seus dois governos.

Não foi nada contra a Espanha, que fazendo lembrar sua história colonial faz extravagantes ameaças. Não. Não foi nada contra ninguém. Foi a favor da Argentina. Saludos.
 

*Haroldo Lima é ex-diretor geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e membro do Comitê Central do PCdoB.

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Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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