sexta-feira, 9 de julho de 2010
Três pilares da campanha
12:16
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Reproduzo excelente artigo do Luciano Siqueira a cerca da grande batalha que estamos inserido, as eleições.
Refiro-me a campanha de candidato proporcional – ou seja, no pleito atual, a deputado estadual e federal. E, obviamente, excluo postulantes que optam por comprar a preços inconfessáveis votos que lhe darão o mandato. Falo de candidatos de raízes e compromissos populares.
Isto posto, que “pilares” são esses? Sem querer defender tese nem ensinar nada a ninguém, revejo as tantas campanhas que já se passaram em minha vida militante, sendo eu candidato ou não, e chego à conclusão de que ideia, coragem e emoção são essenciais a uma campanha bem sucedida. (Além de materialmente bem lastreada, como deve ser toda campanha).
Vamos por parte. Primeiro que tudo é preciso sustentar um discurso correto, consistente e compreensível pelas parcelas do eleitorado que constituem o público alvo da candidatura. Isto quer dizer uma plataforma onde estejam assinalados os principais compromissos do candidato – que, no caso dos comunistas, se inspira na orientação geral do Partido, contida nas resoluções do último Congresso e em diretrizes mais recentes. Uma espécie de fusão da proposta nacional com bandeiras que expressam a realidade local. Mais: unir em torno dessa plataforma, alguns milhares de militantes e apoiadores.
Assim se faz possível uma campanha aguerrida, corajosa, ousada na busca do apoio popular. Mobilizando as pessoas das mais diversas formas, através de pequenas, médias e grandes ações. Nos territórios delimitados para a campanha, onde se concentra a presumível base social e política da candidatura, disputar o voto palmo a palmo – da porta da fábrica às cinco da matina ao fim de noite nos bares frequentados pela galera mais esclarecida.
E emoção, muita emoção. Você lembra de algo verdadeiramente importante na vida que não lhe emocione? Se não lhe toca a sensibilidade é porque não é importante ou você ainda não se apercebeu da importância que tem.
A disputa eleitoral é evento decisivo em nossas vidas, pelas consequências para o futuro mediato do País e de nossa aldeia. Bote importância nisso. Demais, quem ocupa o posto de candidato e os que formam os destacamentos do exército na briga pelo voto não alcançarão o objetivo se não se deixarem contaminar pela consciência do papel histórico que cumprem. E o entrelaçamento com a própria saga do nosso povo, a certeza de que estamos continuando a luta de muitos que em diferentes fases de nossa História alevantaram nossas bandeiras rubras e verde-amarelas, muitos sacrificando a própria vida e tingindo com o seu sangue generoso o solo de nossa terra.
O candidato não representa a si mesmo, é intérprete dos propósitos do Partido e de milhares que se aglutinam na peleja. E a campanha, assim concebida, se traduz num imenso ato coletivo de amor e de confiança no povo.
Convergência de ideias, determinação combativa e entusiasmo e alegria dão, assim, o sentido e o colorido da luta. E a possibilidade de êxito.
* Médico, vereador em Recife, membro do Comitê Central do PCdoB
sábado, 3 de julho de 2010
Copa do Mundo: A milionária guerra extra-campo
12:35
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A Copa do Mundo de 1970, no México, foi a primeira da parceria entre a Fifa e a Adidas. Desde então, o torneio vem cada vez mais se tornando um rentável produto, muito aproveitado por várias empresas. No mundial seguinte, em 1974, na Alemanha, não foi só no futebol que a Holanda revolucionou. Foi também na camisa laranja, que a Adidas estampou suas três listras no ombro, marca registrada da empresa alemã, o primeiro patrocínio no uniforme em Copas do Mundo.
Na Copa seguinte, em 1978, na Argentina, a empresa fechou parceria com a seleção canarinho e também instituiu as três listras características nos ombros brasileiros. Nos mundiais seguintes, os patrocínios começaram a ficar mais comuns e com contratos cada vez mais rentáveis às seleções. As empresas tinham altos retornos com a visibilidade de suas marcas, além também de terem o direito de vender as camisas oficiais das seleções para o torcedor.
Na Copa de 1982, na Espanha, o Brasil estampou apenas o logo do Café do Brasil, uma propaganda governamental que nada tinha a ver com patrocínio. Em 1986, no México, foi a primeira vez que o Brasil estampou realmente uma marca em sua camisa, com nome e símbolo cravado no peito direito. A pioneira foi a nacional Topper. Na Copa seguinte, a marca continuou com o Brasil. Em 1994, no ano do tetracampeonato, a Umbro foi quem teve seu nome evidenciado na camisa campeã do mundo.
Foi na Copa do Mundo de 1998, na França, em que aconteceu a grande revolução. A Adidas, que até então era soberana no futebol, começou a ter seu legado ameaçado pela Nike. O carro chefe da companhia americana, para chegar balançando as estruturas do futebol foi justamente a seleção brasileira. Além da equipe, a Nike também tinha contrato com o melhor jogador do mundo da época, Ronaldo.
Desde então, Adidas e Nike disputam com unhas e dentes as principais seleções e atletas do mundo. Na Copa do Mundo da África do Sul, foram doze as seleções patrocinadas pela Adidas, enquanto a Nike entrou com apenas oito.
É curioso reparar como as empresas competem nos diferentes mercados. Enquanto a Nike patrocinava o Brasil, a Adidas pegou a Argentina. Outros países que fazem divisa e competiram com marcas diferentes na camisa foram México e Estados Unidos, o primeiro com a Adidas e o segundo com a Nike. Na Península Ibérica, os americanos patrocinaram a seleção portuguesa, enquanto os alemães ficam com os espanhóis. Na Ásia, Japão e Coreia do Sul vestiram Adidas e Nike, respectivamente.
E a disputa não se limita às camisas das seleções. Os jogadores também servem de outdoores ambulantes para as grandes marcas. Pelo lado da Adidas, craques como Messi, Lampard, Gerrard e Kaká. A Nike não fica atrás e atacou com Cristiano Ronaldo, Rooney, Henry e Robinho.
Porém, poder nem sempre é sinônimo de sucesso. Mesmo com toda a força das duas gigantes, quem levou a última Copa do Mundo, em 2006, foi a Puma com a Itália. Apesar de ser a empresa esportiva mais valiosa, a Nike só teve sua marca estampada em um jogador com o troféu mais desejado do futebol, em 2002, com o Brasil.
Quem será que leva, dessa vez?
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Um vice improvisado para José Serra
00:28
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A novela do vice do candidato oposicionista José Serra (PSDB) chegou ao fim dando a nítida impressão de improvisação e falta de alternativa. A tentativa tucana de impor uma chapa puro sangue, com o senador paranense Álvaro Dias, foi o estopim da mais recente crise na campanha de Serra, e o DEM quase rachou o núcleo da aliança da direita, formada justamente por estes dois partidos.
Depois de muita conversa entre os cardeais dos dois partidos, a solução saiu com a grife do ex-prefeito carioca Cesar Maia: o desconhecido deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ). Foi uma decisão arriscada mas a pergunta é: havia outra? Um sinal claro das dificuldades foi o comentário do jornalista Merval Pereira, que não morre de simpatias por Lula ou Dilma. Em sua coluna em O Globo ele chamou a escolha de "jogada marqueteira" pois a história de Índio Costa "não tem a menor consistência para alçá-lo ao segundo posto mais importante na hierarquia política do país". E, além disso, é suspeito de envolvimento em irregularidades investigadas pela CPI da Merenda Escolar da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro.
Por uns minutinhos a mais na televisão, o PSDB e José Serra renderam-se às imposições do DEM, partido que vive um declínio acelerado (carcomindo, como se dizia antigamente). E que precisa de um cargo visível, como a vice-presidência da República, para tentar uma sobrevida disfarçado de "novo", "força jovem" e imagens semelhantes. É preciso saber se os políticos de sua base, os muitos prefeitos que ainda controlam pelo país afora, vão aderir ao arranjo feito em hotéis de luxo de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, ou seguir seu lendário instinto de sobrevivência política, deixando a coligação nacional demo-tucana à deriva.
Além da sensação de improvisação logo no começo oficial da campanha eleitoral, José Serra vai também deixando às claras sua cara e seu programa. Na sabatina de quinta feira (dia 1), no templo dos latifundiários, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), ele atacou o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) com as garras dos conservadores e da direita. É movimento "que se diz de reforma agrária para na verdade usar a ideia da reforma agrária para uma mudança de natureza revolucionária socialista no Brasil", disse.
Palavras que soaram docemente, com certeza, aos ouvidos atentos daqueles que estavam no auditório da entidade dirigida pela senadora Katia Abreu (DEM-GO) e que reúne a nata dos grandes monopolistas da propriedade da terra.
Pois é, com um vice que conheceu durante o jogo do Brasil contra a Coréia do Norte, e com o qual acumula apenas uns quinze minutos de conversa, e investindo contra um movimento social como o MST, Serra está mesmo em dificuldades, agravadas pelas sucessivas pesquisas de opinião que revelam uma perda de consistência de sua candidatura inimaginável há poucas semanas.
domingo, 27 de junho de 2010
Chuvas, dores e esperanças
19:45
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Reproduzo artigo do Candidato ao Senado Federal em Alagoas, Eduardo Bomfim, sobre a tragédia que passa o nosso estado.
Por Eduardo Bomfim *
Mais uma vez o Estado de Alagoas é assolado pela fúria da natureza e vinte e oito municípios são atingidos pelo desastre, quinze em estado de calamidade pública. Trata-se de um drama de enormes proporções com cidades inteiramente arrasadas que mais parecem vítimas de bombardeios aéreos pesados.
Encontrei-me em Palmeira dos Índios com o Marcelo, prefeito de Quebrangulo, ali vizinho, absolutamente arrasado com as tenebrosas condições da cidade e do município, discutindo, responsável e tensionado, as ajudas e as formas de socorro tão necessárias e urgentes.
Entre os sertanejos, acostumados com as adversidades da natureza, inclemência do clima árido, apesar do verde do inverno, o temperamento humano e seco, o sentimento tem sido de solidariedade e emoções contidas, muito típico de uma gente curtida na carne e no jeito, e como disse Petrúcio, fazedores de poemas de pedras.
É verdade. Nas minhas andanças pelo Estado, conversando com as pessoas, vivenciei a reação dos alagoanos a essa catástrofe de extensa magnitude em dezenas de municípios, sob o olhar e a cultura dos sertanejos de Palmeira dos Índios a Santana de Ipanema e entre as duas cidades pólos, outras como Major Isidoro.
E de Maceió aos espíritos sóbrios das terras das almas dos fortes, como se fala dos sertanejos, a postura é sempre a de que se impõe a união dos alagoanos, sem exceção de ideologias e partidos, na defesa dos irmãos atingidos pelos caminhos do Paraíba e do Mundaú.
Chama-se a isso de centralidade da questão regional (a alagoana) para se combater as vicissitudes dos semelhantes da mesma terra, da mesma cultura e das mesmas identidades, das mesmas sortes e das mesmas sinas.
É também unânime a certeza de que será rechaçada qualquer atitude oportunista de aproveitadores, políticos ou para enriquecimento, das dores provocadas pela tragédia que nos assola.
Mas atenção porque ninguém demonstra que irá tolerar a postura demagógica de sob o justo argumento da união dos alagoanos para enfrentar tamanha catástrofe, abstraia-se a análise dos problemas políticos, administrativos ou técnicos que ficam expostos em nossa realidade.
O alagoano é sábio na compreensão da realidade em que vive e sabe muito bem formular as suas críticas e sonhar com suas esperanças possíveis e realizáveis. Já se foi o tempo de uma plebe rude, resignada aos comandos de uma aristocracia reinol de punhos de renda e talheres de prata.
Encontrei-me em Palmeira dos Índios com o Marcelo, prefeito de Quebrangulo, ali vizinho, absolutamente arrasado com as tenebrosas condições da cidade e do município, discutindo, responsável e tensionado, as ajudas e as formas de socorro tão necessárias e urgentes.
Entre os sertanejos, acostumados com as adversidades da natureza, inclemência do clima árido, apesar do verde do inverno, o temperamento humano e seco, o sentimento tem sido de solidariedade e emoções contidas, muito típico de uma gente curtida na carne e no jeito, e como disse Petrúcio, fazedores de poemas de pedras.
É verdade. Nas minhas andanças pelo Estado, conversando com as pessoas, vivenciei a reação dos alagoanos a essa catástrofe de extensa magnitude em dezenas de municípios, sob o olhar e a cultura dos sertanejos de Palmeira dos Índios a Santana de Ipanema e entre as duas cidades pólos, outras como Major Isidoro.
E de Maceió aos espíritos sóbrios das terras das almas dos fortes, como se fala dos sertanejos, a postura é sempre a de que se impõe a união dos alagoanos, sem exceção de ideologias e partidos, na defesa dos irmãos atingidos pelos caminhos do Paraíba e do Mundaú.
Chama-se a isso de centralidade da questão regional (a alagoana) para se combater as vicissitudes dos semelhantes da mesma terra, da mesma cultura e das mesmas identidades, das mesmas sortes e das mesmas sinas.
É também unânime a certeza de que será rechaçada qualquer atitude oportunista de aproveitadores, políticos ou para enriquecimento, das dores provocadas pela tragédia que nos assola.
Mas atenção porque ninguém demonstra que irá tolerar a postura demagógica de sob o justo argumento da união dos alagoanos para enfrentar tamanha catástrofe, abstraia-se a análise dos problemas políticos, administrativos ou técnicos que ficam expostos em nossa realidade.
O alagoano é sábio na compreensão da realidade em que vive e sabe muito bem formular as suas críticas e sonhar com suas esperanças possíveis e realizáveis. Já se foi o tempo de uma plebe rude, resignada aos comandos de uma aristocracia reinol de punhos de renda e talheres de prata.
* Advogado, Presidente do PCdoB-AL e Candidato ao Senado em Alagoas.
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- Naldo
- Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e ex-presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Alagoas. Atual militante e presidente do Comitê Municipal de Maceió do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
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